Ocorrência de Chirps evocados por playback nos gêneros de peixes elétricos
Brachyhypopomus, Microsternarchus e Steatogenys (Ordem: Gymnotiformes)
Thiago Alexandre Petersen1; Caitlin E. Field 2; Christopher B Braun2 & José Antônio Alves Gomes1
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Laboratório de Fisiologia Comportamental e Evolução (LFCE), Manaus, AM.
Email: petersenthiago@gmail.com (autor correspondente)
2City University of New York, Hunter College, New York, NY.
Os peixes elétricos neotropicais produzem uma Descarga de Órgão Elétrico (DOE) usada para
eletrolocalização ativa e comunicação. Neste contexto, a frequência (Hz) da DOE pode ser modulada,
resultando em padrões específicos. Uma modulação já bem descrita na literatura é o chirp, uma elevação
abrupta de frequência da DOE, que usualmente dura menos de 500 ms. No presente trabalho, são reportados
chirps em Brachyhypopmus sullivani, Microsternarchus sp. (Linhagem C), e Steatogenys elegans em
experimentos de playback (reprodução de sinais coespecíficos). Para aquisição da DOE e playback, foram
utilizados um processador de sinais e algoritmos personalizados. Com relação ao playback, foi feito o
experimento de frequência fixa, em trials de -5 a +5 Hz de 10-15 segundos, usando um estímulo de
coespecífico. Com um total de 3410 chirps obtidos, todas as espécies testadas apresentaram chirps nas
estimulações (Brachyhypopomus: Indivíduos=3, NChirps=58; Microsternarchus: Indivíduos=12,
NChirps=2555; Steatogenys: indivíduos=7, NChirps=797). Os chirps mais longos foram demonstrados por
Brachyhypopomus (0,19s ±0,06), seguido por Steatogenys (0,04s ±0,01) e Microsternarchus (0,03s ±0,01),
apresentando diferença estatística entre os gêneros (Kruskal-Wallis: X2(2)=69,39 p<0,001). Em relação a
redução de amplitude, resultado similar foi observado, com Brachyhypopomus apresentando um alto valor
em mediana (27,4%) e bem menos dramático em Microsternarchus (0,89%) e Steatogenys (1,38%) (Kruskal-
Wallis: X2(2)=44,67 p<0,001). Microsternarchus e Steatogenys ainda mostraram ter chirps com uma forte
relação fásico-temporal, sendo assim, considerados como parte do repertório de comportamento de Jamming
Avoidance Response (JAR). Os resultados sugerem a existência de uma diversidade de chirps nas espécies,
um comportamento usado inclusive em contexto de JAR.
Palavras-chave: Comportamento, Gymnotiformes, Playback, Peixe elétrico, Comunicação animal.
Apoio: CNPq (384980/2011-2 e 402441/2008-7), FAPEAM (32143.UNI614.4510.05042016-44250), CAPES (PDSE –
88881.189704/2018-01).