III SIMPÓSIO DE BIOLOGIA AQUÁTICA E PESCA NA AMAZÔNIA
LIVRO DE RESUMOS
Tropical Diversity, 1 (Suplemento): 2-69, 2019
ISSN: 2596-2388
DOI: 10.5281/zenodo.11115762
Tropical Diversity (2019) 1(Suplemento): 2-69.
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Variação geográfica de Bryconops melanurus (Bloch, 1794) (Characiformes: Iguanodectidae)
Isaac Sidomar Cabral da Silva Fernandes, Cárlison Silva-Oliveira, Alessandro Gasparetto Bifi & Cleber Duarte
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Coordenação de Biodiversidade, Manaus, AM. Email:
isaacsidomar_16@outlook.com
Bryconops melanurus foi descrita mais de 200 anos, com base em um único exemplar proveniente do
Suriname, tendo como principal caráter diagnóstico a presença de uma faixa escura na nadadeira caudal.
Representantes de B. melanurus são reportados para diversas drenagens na América do Sul, no entanto, até
então sem uma clareza da taxonomia da espécie. Dessa forma, o presente estudo teve como objetivo avaliar
se B. melanurus é uma espécie amplamente distribuída ou se o nome está sendo equivocadamente
empregado na identificação de espécies não descritas ou consideradas sinônimas. Para tanto, foram utilizados
24 caracteres morfométricos e 18 merísticos, em 190 lotes provenientes de diversas drenagens do Brasil e
exterior. Medidas foram analisadas em uma Análise de Componentes Principais (PCA). Adicionalmente
foram feitas contagens das vértebras, com técnicas de diafanização e radiografia além da análise do padrão
de coloração. Bryconops melanurus apresenta diferenças no colorido em vida. Também foram observadas
diferenças na espessura e formato da faixa da nadadeira caudal, variando entre uma faixa estreita a larga.
Porém, indivíduos das populações analisadas não apresentaram diferenças morfológicas ou merísticas que
sustentem uma interpretação de que as populações aparentemente distintas poderiam se tratar de espécies
diferentes, portanto, tratam-se de variações geográficas populacionais. Dessa forma B. melanurus é
confirmada como uma espécie amplamente distribuída, ocorrendo nas bacias dos rios São Francisco,
Paraguai, Tocantins-Araguaia, na bacia Amazônica incluindo seus principais tributários, no Brasil, Bolívia,
Peru, Colômbia, além de drenagens costeiras desde o Suriname até o Maranhão, no Brasil.
Palavras-chave: Ictiologia, Biodiversidade, Taxonomia, Neotropical.
Apoio: CNPq, FAPEAM.
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Variações alométricas e no fator de condição de três espécies do gênero Cichla (Cichliformes:
Cichlidae) da bacia do rio Negro (Amazonas-Brasil)
Marcos de Almeida Mereles1; Raniere Garcez Costa Sousa2; Chiara Lubich Cardoso Furtado3 & Carlos Edwar de
Carvalho Freitas4
1Universidade Federal do Amazonas (UFAM), PPG-CIPET, Manaus, AM. Email: marcos.mdam@hotmail.com (autor
correspondente)
2Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Departamento de Ciências Pesqueiras, Presidente Médici, RO. Email:
ranieregarcez@gmail.com
3Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), PPG-BADPI, Manaus, AM. Email: lubichchiara@gmail.com
4Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Departamento de Ciências Pesqueiras, Manaus, AM. Email: freitasc50@gmail.com
O presente estudo teve como objetivo avaliar a relação peso-comprimento e o fator de condição de três
espécies de tucunaré (Cichla spp.) importantes para as pescarias na região do médio rio Negro. Para tal,
pescarias experimentais foram realizadas em rios da bacia rio Negro, no período de águas baixas (novembro
de 2018 e abril de 2019). De cada espécime foram tomadas as medidas de comprimento padrão (cm) e peso
total (g), estes empregados nos cálculos da relação peso-comprimento e fator de condição (K). A hipótese de
isometria de crescimento (b=3) foi avaliada através do teste t de Student. Também foi aplicado o teste de
Kruskal-Wallis para verificar a existência de diferenças entre os valores de K. Foram coletados 59 indivíduos
de C. temensis, 54 C. monoculus e 34 C. orinocensis. Os coeficientes de determinação mostraram alta
correlação para as três espécies, onde o C. temensis e C. orinocensis apresentaram crescimento alométrico
positivo (b>3), por outro lado o C. monoculus exibiu um padrão isométrico (b=3). O fator de condição se
diferenciou para as três espécies (p<0,05), onde o C. temensis apresentou o menor valor, seguido do C.
orinocensis e o C. monoculos. Os resultados revelaram que mesmo sendo espécies congêneres e com hábitos
ecológicos semelhantes, estas exibiram padrões de crescimento diferentes, evidenciados pelo coeficiente
alométrico (b). Refletindo também no fator de condição, que pode ser influenciado por fatores bióticos e
abióticos. Estas informações são basais e podem auxiliar no entendimento dessas espécies e, por
consequência, na gestão da pesca na região.
Palavras-chave: Padrão de crescimento; Parâmetros populacionais; Recursos pesqueiros; Tucunaré.
Apoio: UFAM; CAPES; GP-PAEPAI.
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Estudo preliminar sobre o conhecimento etnoictiológico a respeito da pesca artesanal do
aruanã (Osteoglossum bicirrhosum) no município de Tabatinga, Amazonas, Brasil
Maiber Silva Pedroza1 & Iatiçara Oliveira da SilvaI2
1Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM), Curso Técnico em Recursos Pesqueiro Tabatinga, AM.
Email: maiber_silva@hotmail.com
2Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Docente do Curso de Ciências Biológicas do Centro de Estudos Superiores de
Tabatinga, AM. Email: iaticara@gmail.com
A pesca artesanal no município de Tabatinga/AM, é uma atividade muito recorrente por sua vasta área
aquática no Alto Rio Solimões. Esta atividade constitui a principal fonte proteica, subsistência e renda
familiar para a população local. Diante do exposto, este trabalho teve como objetivo principal conhecer um
pouco sobre os saberes tradicionais a respeito da espécie Osteoglossum bicirrhosum, conhecido
popularmente como aruanã, sulamba ou macaco d’agua. Ela é uma espécie que na fase de alevino/piaba é
muito apreciada no mercado de aquariofilia, alcançando um elevado valor como peixe ornamental. Mas, os
adultos têm uma grande importância como alimento, sendo vendidos na forma de filé, e como pescado
resfriado e salmorado, no porto do município e no mercado municipal da feira dos peixes, que se caracteriza
pela diversidade das espécies oriundas da pesca amazônica. Este foi um trabalho de cunho qualitativo,
envolvendo o método definido como pesquisa etnográfica, seguindo os critérios da observação por
distanciamento e entrevista, para fazer a coleta dos dados e assim feita a revisão da bibliográfica sobre o
tema. Considerando que a etnoictiologia estabelece as relações entre o homem e os peixes, os pescadores da
região exibem um conhecimento detalhado sobre a anatomia e o comportamento dos peixes, o qual é
aplicado tanto nas estratégias da pesca, como na utilização das ferramentas utilizadas pelos pescadores da
região. A bibliografia condiz com as observações, fazendo um paralelo entre o conhecimento etnográfico e os
estudos científicos desenvolvidos sobre esta espécie, englobando tanto aspectos ecológicos quanto
comportamentais desta espécie.
Palavras-chave: Sulamba, Etnoconhecimento, Ictiofauna, Pesca Tradicional.
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Estruturação artificial da comunidade ficoperifítica no Lago Tupé, Manaus-AM, Brasil
Eduardo Shiniti Hase; Halley Kelson da Costa Soares; Edinaldo Nelson dos Santos Silva & Bruno Machado Leão
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Laboratório de Plâncton, Manaus, AM. Email: haseeduardo@gmail.com;
halleysoares85@gmail.com; projetobiotupe@gmail.com; bmlion@gmail.com
O perifíton é um conjunto de microrganismos (algas, bactérias, fungos e animais) que vivem aderidos a
substratos. No perifíton, as algas apresentam relevante importância nos sistemas aquáticos, além de atuarem
como um dos principais produtores na cadeia alimentar, estão diretamente envolvidas na ciclagem de
nutrientes, sendo também usados como bioindicadores. O objetivo do estudo foi avaliar a influência de
fatores abióticos na estruturação da comunidade ficoperifítica durante a enchente no lago Tupé-AM. Para
isso foram realizadas observações utilizando um substrato artificial adaptado durante o período de enchente.
Quatro aparatos com substratos artificiais (12 lâminas de vidro para microscopia) foram colocados em quatro
pontos do lago Tupé durante 30 dias. Duas dessas lâminas foram retiradas aleatoriamente a cada 10 dias. No
total 111 morfoespécies colonizaram o substrato artificial durante o período de águas altas, distribuídas em
nove classes taxonômicas. Bacillaryophyceae teve o maior porcentagem de táxons com 41%, seguido por
Clorophyceae que teve 23%. Em Bacillariophyceae, os gêneros Actinella (12) e Eunotia (10) foram as mais
representativas, enquanto em Clorophyceae, Scenedesmus (6) foi o mais representativo. A densidade
ficoperifítica variou de 48 x 10³ a 170 x 10³ Ind.ml¯¹ durante o período de colonização, o padrão estrutural
da densidade ficoperifítica foi distinto entre o braço primário e o braço secundário. A variação da cota do rio
Negro foi a principal variável influenciadora responsável pela estruturação espaço-temporal da colonização
ficoperifítica. A conexão do rio com o lago promove mudanças limnológicas significativas no lago
influenciando as dinâmicas e estruturas das comunidades.
Palavras-chave: ficoperifíton, bioindicador, ciclos biogeoquímicos, Amazônia
Apoio: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES).
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Efeito da sazonalidade sobre a amplitude de nicho trófico de espécies que habitam herbáceas
aquáticas
Isabelly Guimarães Silva1; Cristhiana Paula Röpke2; Thatyla Luana Farago2 & Cláudia Pereira de Deus2
1Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Instituto de Ciências Biológicas (ICB), Manaus, AM. Email:
silva.isabellyg@gmail.com
2Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Coordenação de Biodiversidade, Manaus, AM. Email:
krikaropke@gmail.com, farago.thatyla@gmail.com, claudiapereiradedeus@gmail.com
Os sistemas fluviais da Amazônia sofrem inundações periódicas que alteram seus habitats. Essas mudanças
alteram a disponibilidade de alimentos, afetando diretamente a amplitude de nichos tróficos das espécies, e o
habitat de herbáceas aquáticas, abundante durante a cheia e escassa na seca. Assim, o objetivo deste trabalho
foi verificar se a amplitude de nicho trófico das espécies que habitam herbáceas aquáticas muda entre os
períodos do ciclo. As amostras foram obtidas mensalmente no lago do Catalão entre novembro de 2013 a
novembro de 2014. A análise do conteúdo estomacal foi realizada em quatro espécies, sendo estas
Cichlasoma amazonorum, Heros notatus, Hoplias malabaricus e Pyrrhulina brevis, onde os dados foram
utilizados para estimar o Índice de Importância Alimentar (IAi) e a amplitude do nicho trófico, sendo essa
por meio de uma análise de homogeneidade de variâncias multivariada (PERMADISP). No total 387
estômagos foram inspecionados, na qual cerca de 104 itens alimentares foram identificados, sendo agrupados
dentro de 10 principais grupos. Cichlasoma amazonarum e H. malabaricus foram categorizados como sendo
carnívoros e H. notatus e P. brevis como insetívoros. Dessas quatro espécies três apresentaram mudanças na
amplitude da dieta, exceto H. malabaricus cuja dieta não contraiu nem expandiu significativamente, H.
notatus e P. brevis estreitaram sua amplitude da dieta durante o período da vazante enquanto que C.
amazonarum expandiu nesse mesmo período. Os resultados demostraram que a expansão e contração do
nicho trófico é variável entre as espécies, desse modo, é possível deduzir que diferenças interespecíficas
no comportamento de forrageamento.
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Composição, abundância e reprodução de calanóides (Hexanauplia: Copepoda) em um lago
de várzea da Amazônia, Brasil
Luis José de Oliveira Geraldes Primeiro; Edinaldo Nelson dos Santos Silva & Elsa R. Hardy
Laboratório de Plâncton, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Coordenação de Biodiversidade, Manaus, AM. Email:
geraldesprimeiro@gmail.com
Os copépodes constituem o grupo mais representativo dos zooplânctons da Amazônia. São organismos
envolvidos diretamente nos mecanismos de transferência de energia, transporte de nutrientes e regulação da
biomassa de algas e estoques de peixes planctófagos. Conhecer sua biologia tem sido importante para
entender o papel e o seu posicionamento na estrutura dos ecossistemas aquáticos tropicais. Portanto,
propusemos analisar a composição, abundância e reprodução desses organismos em um lago de várzea da
Amazônia. O ambiente estudado foi o lago Calado e esinserido na bacia do rio Amazonas, onde coletas
mensais foram realizadas de setembro de 1983 a dezembro de 1984. Dados qualitativos e quantitativos foram
amostrados em três microhabitat do lago, através de arrastos verticais com rede de zooplâncton (56 um) e
fixados com formalina 6%. Seis táxons compuseram as espécies de calanóides do ambiente, com
Rhacodiaptomus calatus representando 39,9% dos calanoides e predominante (34.198 ind/m³) em todo
período. Todas as espécies apresentaram abundância e reprodução mais elevadas durante as águas baixas
(setembro-dezembro). Especialmente fêmeas ovígeras e náuplios (larvas) estiveram entre as maiores
densidades nesse mesmo período, indicando maior fecundidade na seca. Não houve sucessão definida na
composição e abundância das espécies observadas, cujas maiores densidades foram observadas no
microhabitat mais distante da desembocadura do lago. A baixa variabilidade dos parâmetros analisados
aparentemente representou uma adaptação e importância dos copépodes para a dinâmica limnológica desse
ecossistema, reconhecido como um ambiente típico de processos biológicos que convertem nutrientes
inorgânicos em matéria orgânica.
Palavras-chave: Diaptomídeos, copépodes, água branca, lago Calado, zooplâncton.
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Características reprodutivas de espécies de Loricariidae do Lago Catalão (AM), Brasil
Thais de Abreu Gonçalves1, Sidineia Aparecida Amadio2, Cristhiana Paula Röpke2, Daniel San Abreu do Carmo1 &
Maria Clara Abreu Mota de Oliveira Ramos Ferro1
1Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Email: thaisalves1975@gmail.com, ferroclara29@gmail.com,
san.abreu20@gmail.com
2Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Email: sidamadioinpa@gmail.com, krikaropke@gmail.com
A fauna de peixes amazônica é extremamente diversa, tanto em termos taxonômicos quanto em
características ecológicas e biológicas. Entre os aspectos ecológicos/biológicos aqueles relacionados à
reprodução estão entre os menos conhecidos, mesmo para a fauna da várzea, que está entre a mais estudada
entre os tipos de ambientes, o conhecimento das características reprodutivas é muito desigual entre grupos.
Comparativamente, espécies da Siluriformes estão entre as menos conhecidas, sendo particularmente escassa
para os Loricariidae, apesar da diversidade de espécies. Neste estudo fazemos a descrição de características
reprodutivas de quatro espécies de Loricariidae presentes no lago Catalão, utilizando fêmeas maduras
capturadas ao longo de 19 anos de amostragem. Para cinco espécies fêmeas maduras ou desovando foram
encontradas em todos os quatro períodos hidrológicos do ciclo de inundação e foi possível estimar
fecundidade e diâmetro dos ovócitos. Dentre as espécies analisadas, Pterigoplichthys pardalis e
Loricaricthys maculatus são as que possuem ovócitos com maior diâmetro (média 3 mm, máximo 3,67 mm e
médio 2,7 mm, máximo 3 mm, respectivamente); Hypoptopoma incognitum é a espécie com ovócito de
menor diâmetro (média 1,21 mm, máximo 1,58 mm); Hypoptopoma incognitum é a espécie com maior
fecundidade relativa ao peso das fêmeas (58,3 ovócitos/g) e Pterigoplichthys pardalis a com menor
fecundidade relativa (6,3 ovócitos/g). Para todas as espécies o investimento em reprodução pode ser
considerado elevado; no entanto, uma diversidade considerável de estratégias pode ser observada entre as
espécies estudadas.
Palavras-chave: características reprodutivas, diâmetro dos ovócitos, fecundidade, investimento em reprodução,
períodos hidrológicos.
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A atividade de pesca no complexo lacustre Catalão frente ao regime fluvial amazônico
Luana Simas Montenegro, Monique Taiane dos Santos Brasil, Lívia Maia Mendonça & Maria Fabiele Silva Oliveira
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior (PPG-
BADPI), Manaus. Email: luana.s.montenegro@gmail.com,moniquetsbrasil@gmail.com, livia3mm@gmail.com,
fabielesilva78@gmail.com.
Os moradores da várzea possuem diferentes estratégias para o uso múltiplo de recursos do ambiente frente
mudança radical na paisagem da região. O presente estudo teve como objetivo identificar como os moradores
do complexo Catalão (situado próximo à confluência do rio Solimões com o rio Negro) adaptam diferentes
estratégias de uso dos recursos pesqueiros em ambas as épocas do ano (cheia e seca). A coleta de dados foi
realizada por meio de 29 entrevistas com roteiro semiestruturado, aplicado junto aos pescadores residentes
no Catalão. Dentre as atividades produtivas desenvolvidas pelos pescadores, a agricultura e a pesca são
realizadas simultaneamente ao longo do ano. A pesca realizada pelos moradores é classificada de acordo com
a dependência do recurso para a subsistência e para a comercialização, claramente distinguem-se dois
grupos: pescadores com prioridades comerciais (n = 9) e pescadores com fins de subsistência (n=20). As
diferentes finalidades da atividade pesqueira influenciam tanto na escolha dos locais de pesca quanto na
composição das espécies capturadas. Pescadores com fins comerciais utilizam as calhas do rio Negro e
Solimões como principais locais de pesca, na cheia e na seca, visando à pescaria monoespecífica. Os
pescadores que tem por objetivo a pesca de subsistência realizam suas pescarias nos corpos hídricos contidos
no complexo lacustre Catalão. Dessa maneira, as estratégias de uso de recursos pesqueiros adotadas pelos
pescadores da comunidade, tais como a escolha do local de pesca e apetrechos utilizados, estão mais
relacionadas à finalidade e espécie-alvo do que com a variação do regime fluvial.
Palavras-chave: Estratégias de pesca, Pesca, Planície inundável.
Apoio: CNPq, CAPES, FAPEAM.
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A temperatura da água modula o comportamento agressivo em acará bandeira, Pterophyllum
scalare (Schultze, 1823) (Cichliformes: Cichlidae)
Maiko Willas Soares Ribeiro1; Bianca Soares Ribeiro2; Adriano Teixeira de Oliveira3 & Thaís Billalba Carvalho4
1Programa de Pós-Graduação em Aquicultura PPG-AQUI da Universidade Nilton Lins/ Instituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia - INPA. Parque das Laranjeiras, Av. Prof. Nilton Lins, 3259 Flores, Manaus AM, 69058-030, Manaus, AM, Brasil.
2Núcleo de Ensino Superior de Presidente Figueiredo Universidade do Estado do Amazonas UEA. Avenida Onça Pintada, S/N,
Presidente Figueiredo, AM, Brasil.
3Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM), Campus Manaus Centro (CMC). Avenida Sete de
Setembro, 1975, Centro, Manaus, AM. CEP 69020-120
4Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal do Amazonas, Av. Rodrigo Otávio Jordão Ramos 3000, Manaus, AM, Brasil.
Mudanças ambientais podem causar alterações fisiológicas e comportamentais em peixes, podendo afetar o
comportamento agressivo e a atividade de natação. Avaliamos o efeito da temperatura da água no
comportamento agonístico de machos de acará bandeira, Pterophyllum scalare. Submetemos duplas de
machos a três condições de temperatura: baixa (23,78 +0,82 ºC), média (27,85 +1,18 ºC) e alta (31,67 +0,99
ºC), com 8 repetições cada. Avaliamos a latência e a frequência das interações agressivas e defesa territorial,
sendo que na baixa e na alta temperatura houve uma redução na exibição do comportamento agressivo em
relação à média. Concluímos que a temperatura da água pode influenciar na motivação agressiva e no
estabelecimento do território. Assim, temperaturas baixas e altas podem reduzir o sucesso de acasalamento,
sendo que a temperatura próxima ao valor ótimo para a espécie (média: 27,85 ± 1,18 ºC) pode favorecer a
estabilidade hierárquica e, consequentemente, a seleção do parceiro reprodutivo para P. scalare.
Palavras-chave: Mudanças ambientais, agressividade, estabilidade hierárquica, ciclídeo.
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Alimentação de Auchenipterichthys punctatus (Valenciennes 1840) (Siluriformes:
Auchenipteridae), em lagos do rio Cuiuni, Amazonas, Brasil
Eletuza Uchoa Farias1; Sara de Castro Loebens2; Kedma Cristine Yamamoto3; Jamerson dos Santos Aguiar1; Carlos
Edwar de Carvalho Freitras3 & Hélio Daniel Beltrão dos Anjos1
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus, AM. Email: eletuzauchoa@gmail.com
2Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Departamento de Oceanografia, Recife, PE
3Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Departamento de Ciências Pesqueiras, Manaus, AM
O Auchenipterichthys punctatus é uma espécie de peixe muito abundante durante o período de águas baixas
no rio Cuiuni. O presente estudo teve por objetivo investigar a alimentação de A. punctatus, em lagos do
médio rio Negro, onde essa espécie é abundante, a fim de contribuir com informações sobre sua ecologia,
considerando o pouco conhecimento da família em lagos de água preta na Amazônia. O conteúdo estomacal,
o grau de repleção, índice alimentar (IAi), itens preferenciais e amplitude de nicho trófico (BA) de 130
indivíduos foi analisado. Os resultados demonstram que 26,9% dos indivíduos apresentam estômagos com
grau de enchimento baixo, 23,0% moderado, 13,0% semicheio e 10,7% completamente cheio. Foi possível
identificar três categorias: itens de origem animal, vegetal e material não identificado. Os itens de maior
consumo e diversidade estão dentro da categoria animal, representados por diferentes ordens de insetos de
origem autóctone e alóctones. A composição alimentar de A. punctatus durante o período da seca nos lagos
do rio Cuiuni evidencia o hábito carnívoro com tendência a insetivoria. Os valores de amplitude de nicho
trófico foram considerados baixos em todos os lagos. A atividade alimentar evidenciou que durante o período
da seca houve restrição devido o alto consumo de um único item. Ressaltamos a necessidade de mais estudos
sobre a espécie A. punctatus, e sobre outros auchenipterídeos, que envolvam a ecologia trófica durante todas
as fases do pulso de inundação em lagos de água preta na Amazônia para completar as lacunas existentes
sobre sua ecologia.
Palavras-chave: Dieta, Nicho trófico, Rio Negro.
Apoio: CNPq.
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Variação temporal de curta escala em macroinvertebrados aquáticos em substrato artificial
Gabriel Costa Borba; Carine Cola; Elmo Pereira; Marina Gaona & Sara Coelho
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Manaus, AM. E-mail:
gabrielcostaborba@gmail.com
O processo de colonização resulta em transformações dependentes do nível trófico e da natureza do habitat
dos organismos envolvidos, através da variação nos atributos estruturais e funcionais da assembleia ao longo
do tempo. Neste contexto, este estudo visou analisar a variação na composição de macroinvertebrados
aquáticos em ilhas artificiais flutuantes em um período de cinco dias. O estudo foi desenvolvido no Lago
Catalão, área de várzea na confluência dos rios Negro e Solimões, no início do período da vazante. Foram
utilizadas 25 ilhas artificiais que simulavam bancos de herbáceas aquáticas, sendo estes divididos em cinco
tratamentos (24, 48, 72, 96 e 120 horas de exposição). Os macroinvertebrados foram coletados com redes de
malha fina, identificados taxonomicamente e classificados quanto aos hábitos alimentares. Foram coletados
10.301 exemplares, distribuídos em 30 famílias. Corixidae foi a família mais representativa, com mais de
60% de todos os exemplares. A composição dos macroinvertebrados mudou entre o primeiro e quinto dia do
estudo, ocorrendo um aumento no número de famílias compostas predominantemente por predadores ao
longo do tempo. Não houve diferenças significativas para os valores de riqueza e abundância das famílias
entre os dias de amostragem. Esse resultado indica que a colonização por macroinvertebrados em substratos
artificiais acontece de forma rápida e que uma tendência de substituição das famílias já nos primeiros
dias. Isso sugere um processo de sucessão ecológica, onde diferentes grupos tróficos estão ocorrendo no
ambiente e alternando entre guildas de colonizadores e competidores, principais componentes da cadeia
trófica local.
Palavras-chave: Insetos aquáticos, colonização, sucessão, ambiente efêmero.
Apoio: CAPES, Cnpq.
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Revisão taxonômica do gênero Hypophthalmus (Siluriformes: Pimelodidae) depositados na
Coleção de Peixes do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)
Micael Cavalli de Alencar e Silva1 & Marcelo Salles Rocha2
1Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Manaus, AM. E-mail: mcdas.bio18@uea.edu.br
2Instituto Nacional de Pesquisas do Amazonas (INPA), Manaus, AM. E-mail: marcelo.inpa@gmail.com
Recentes trabalhos indicam uma variação morfológica entre os bagres conhecidos como mapará, atualmente
pertencentes ao gênero Hypophthalmus que possui quatro espécies válidas: H. edentatus, H. fimbriatus, H.
marginatus e H. oremaculatus. Possíveis espécies não descritas, sérios problemas taxonômicos e sua
importância comercial, tornaram necessário este estudo, onde foi possível diagnosticar e delimitar
sistematicamente as espécies de Hypophthalmus do acervo da Coleção de Peixes do INPA. A identificação
dos exemplares foi feita com o auxílio de literatura especializada e com o uso de chaves de identificação
elaboradas por especialistas, através de análises morfológicas e osteológicas. Para a tomada de decisões
taxonômicas foram realizadas análises morfométricas e merísticas, sempre que possível, obtidos do lado
esquerdo do peixe. Também foi possível a contagem de vértebras e espinhos neurais livres, obtidas através de
imagens de raio-x. Com este estudo, foi possível ampliar o conhecimento sistemático e taxonômico a
respeito do gênero Hypophthalmus, aumentar a diversidade dos bagres pertencentes do gênero em questão,
auxiliar na atualização e informatização do acervo da Coleção de Peixes do INPA, assim como, a
identificação de duas novas possíveis espécies, aumentando o número de espécies de ocorrência na
Amazônia.
Palavras-chave: Amazônia, Bagres, Mapará.
Apoio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas FAPEAM
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Relações corporais do aracu Schizodon fasciatus Spix & Agassiz, 1829 (Characiformes:
Anostomidae)
Maria Fernanda da Silvia Gomes1; Adriano Teixeira de Oliveira1; Neiana Pereira Anselmo2; Ariany Rabello da Silva
Liebl2; Antônia Jaqueline Vitor de Paiva1; Flávia Dayane Felix Farias2; Marcio Quara de Carvalho Santos2 & Paulo
Henrique Rocha Aride1
1Instituto Federal de Educação, ciência e tecnologia do Amazonas (IFAM), Campus Manaus Centro (CMC), Manaus, AM. E-mail:
gomesfernanda0807@gmail.com
2Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Departamento de Ciências Pesqueiras, Manaus, AM.
A determinação do valor das relações corporais é importante para compreensão dos distúrbios que ocorrem
durante os processos patológicos em espécies comercializadas em feiras como o aracu. Com o objetivo de
determinar as relações hepatosomática (RHS) e esplenosomática (RES), bem como o fator de condição
relativo no aracu Schizodon fasciatus comercializado em Juruá, Amazonas (AM). Foram coletados 20 peixes
em ambiente natural no rio Juruá, AM, as medidas biométricas foram determinadas com auxílio de fita
métrica e balança. Foi feito um corte ventro longitudinal a partir do ânus até a cavidade cardíaca, após a
eutanásia, para exposição e retirada dos órgãos. O fígado e o baço foram identificados e pesados para cálculo
posterior da RHS e RES. Ampla variação intraespecífica foi observada nos pesos do fígado, baço e na RHS,
esses valores foram similares aos encontrados em Bryconbrycon amazonicus e superiores aos encontrados
em Colossoma macropomum. Os valores da RES demonstram que o baço tem representatividade maior no
peso corpóreo. Não foram observadas relações significativas entre o peso do fígado, indicando que não
um aumento do fígado conforme o crescimento do animal. Observou-se relação positiva entre o fígado e o
peso corpóreo (p= 0,044) indicando aumento do fígado com o aumento do peso corpóreo e entre o baço e o
peso corpóreo (p= 0,000). Desse modo, é possível determinar o peso de órgãos vitais a partir de medidas
simples, o que proporciona acompanhar as condições de saúde de populações de aracu sem que haja a
mortalidade de nenhuma espécie.
Palavras-chave: Feiras, Mortalidade, Órgãos.
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Ocorrência de micronúcleos e anormalidades nucleares eritrocíticas em Podocnemis unifilis
Ândrocles Oliveira Borges1; José Erickson Alves Silva2; Lídia Aguiar da Silva3; Cleiton Fantin Rezende1 & Fabíola
Xochilt Valdez Domingos Moreira3
1Programa Multicêntrico de Pós-Graduação em Bioquímica e Biologia Molecular Universidade do Estado do Amazonas, Manaus,
AM, Brasil.
2Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil.
3Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, Manaus, AM, Brasil.
A Reserva de Desenvolvimento Piagaçu-Purus (RDS-PP) foi criada para garantir ações de uso dos recursos
sustentáveis e manejo dos animais no Rio Purus. Devido à preocupação com os quelônios da região, estudos
com o intuito de conservar esses organismos vêm ocorrendo e precisam ser ampliados. Quelônios são
considerados excelentes bioindicadores, pois apresentam características biológicas profícuas, como alta
longevidade, ocupação de diferentes níveis tróficos e tipos de habitat. Nesse contexto, o presente estudo visa
averiguar a ocorrência de micronúcleos e anormalidades eritrocíticas nucleares (ANES) em Podocnemis
unifilis em três localizações da RDS-PP (lago Itapuru-Mirim, Paraná do Itapuru e lago Martinho). Amostras
de sangue de 34 indivíduos foram coletadas para a realização de esfregaços sanguíneos. Foram averiguadas
frequências de micronúcleos e, para ANES, núcleos do tipo lobado, segmentado, vacuolado, protuberante e
riniforme. Em P. unifilis foram observadas frequências de micronúcleos menores do que já descrito na
literatura para esta espécie (3,08 %0; 3,53 %0; 1,63 %0, p=0,001), enquanto que a ocorrência de ANES foi
similar a neonatos de P. expansa contaminados por ciclofosfamida (6,15 %0; 7,06 %0 e 9,04 %0, p>0,05) e
menores do que Chelonia mydas coletadas em campo. A frequência de núcleos lobados foi maior em fêmeas,
enquanto para núcleos vacuolados foi maior em machos (p=0,04). Não houve correlação significativa entre
tamanho, sexo e os biomarcadores de genotoxicidade (p>0,05). O perfil de resposta observada em P. unifilis
é indicativo de indivíduos saudáveis na RDS-PP, demonstrando a importância das Unidades de Conservação
na manutenção da saúde dos organismos que nela habitam.
Palavras-chave: Amazônia, ecotoxicologia, quelônios, tracajá, unidades de conservação, ambientes aquáticos.
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Efeitos de secas longas e fortes sobre o espectro de tamanho da comunidade de peixes de um
lago de várzea
Nagila Alexandre Zuchi1; Cristhiana Paula Röpke2 & Sidinéia Aparecida Amadio3
¹,²Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Laboratório de Dinâmica Populacional de Peixes (LDPP). Email:
nagilazuchi@gmail.com
³Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Coordenação de Biodiversidade, Manaus, AM.
Entender como as comunidades estão organizadas em relação ao tamanho dos organismos (espectro de
tamanho SS) e como podem ser alteradas por impactos humanos é um desafio contemporâneo para a
ecologia, especialmente com a crescente perda da biodiversidade e mudanças climáticas. Análise de
correlação de tamanho do corpo (comprimento padrão CP) e biomassa dos organismos tem um interesse
especial, pois os valores de inclinação das restas podem expressar a sensibilidade desse atributo à
perturbações antropogênicas, servindo como um indicador potencial de alterações induzidas no fluxo de
energia do ecossistema. Avaliamos a organização da comunidade de peixes em relação ao SS e se ele altera
em função dos eventos de seca, considerando uma série temporal de 19 anos de um lago de várzea localizado
na confluência dos rios Negro e Solimões. Para cada ano foram feitas regressões lineares simples de
biomassa por CP e abundância por classe de tamanho, os valores de “b” obtidos foram correlacionados com
os valores de cota mínima do rio de cada ano. Tanto para biomassa quanto para abundância, os valores foram
negativamente correlacionados. O menor valor de “b” foi no ano hidrológico 2015/2016, caracterizado por
uma seca longa (143 dias) e forte (15,92 m). Já o maior valor foi no ano de 2008/2009, caracterizado por
uma seca típica (66 dias) e típica (18,43 m). Nossos resultados fornecem suporte ao uso das análises de
tamanho e abundância como ferramentas capazes de entender os efeitos de eventos climáticos sobre a
assembleia de peixes amazônicos em ambiente não explorado pela pesca comercial.
Palavras-chave: Espectro de tamanho, eventos climáticos, lago de várzea
Apoio: Capes FAPEAM e Projeto Catalão.
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Diversidade subestimada: revisão taxonômica de Bryconops Kner (Characiformes:
Iguanodectidae) da bacia amazônica com a descrição de 15 espécies novas
Cárlison Silva de Oliveira1, Rafaela Priscila Ota1 & Lúcia H. Rapp Py-Daniel2
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Programa de Pós-graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior,
Manaus, AM. Email: carlison3@gmail.com.
2Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Coordenação de Biodiversidade, Manaus, AM.
Bryconops esamplamente distribuído na maioria das drenagens cis-andinas da América do Sul. Na bacia
amazônica, representantes do gênero são facilmente encontrados em igarapés, lagos e rios, mas comumente
com suas identidades incertas. Dessa forma, o presente estudo teve como objetivo revisar taxonomicamente
as espécies do gênero na bacia amazônica. Para tanto, exemplares de mais de 1.000 lotes foram analisados
por meio de 19 caracteres merísticos, 25 morfométricos e padrão de coloração. No total foram reconhecidas
18 espécies válidas e 15 espécies novas ocorrendo na bacia. O maior número de espécies novas ocorre em
rios que drenam as regiões de escudos (i.e. Escudo Brasileiro e Escudo das Guianas), sendo o maior número
de espécies novas encontradas nos rios Xingu e Tapajós com 4 e 3 espécies, respectivamente.
Adicionalmente as 18 espécies consideradas válidas foram redescritas e/ou tiveram informações geográficas
ou taxonômicas adicionadas, incluindo coloração em vida e diagnoses consistentes. Bryconops é exemplo de
como a ictiofauna amazônica ainda é subestimada, com aproximadamente o mesmo número de espécies já
descritas sendo descobertas, ressaltando a importância e necessidade de realizações de revisões taxonômicas.
Palavras-chave: Taxonomia, Neotropical, Creatochanes.
Apoio: Capes, Fapeam.
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Diferenças morfológicas de Myloplus schomburgkii (Jardine, 1841) (Characiformes:
Serrasalmidae) na bacia do rio Xingu
Victória Dandara Pereira e Silva1; Rafaela Priscila Ota2 & Valéria Nogueira Machado3
1Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Escola Normal Superior, Manaus, AM. vdps.097@gmail.com
2Instituto Nacional de pesquisa da Amazônia (INPA), Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior,
Manaus, AM. Email: rafaelapota@gmail.com
3Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Laboratório de Evolução e Genética Animal, Departamento de Genética, Manaus,
AM. Email: valeria.pesca@gmail.com
Myloplus schomburgkii é um pacu de médio a grande porte que possui como principal diagnose a presença
de uma faixa transversal escura no meio do flanco, que se estende desde a região dorsal até a ventral. A
espécie está amplamente distribuída pela bacia do rio Orinoco e principais tributários do médio e baixo rio
Amazonas, no Brasil, Colômbia, Peru e Venezuela. Na mais recente filogenia molecular (DNA Barcoding) de
Serrasalmidae uma população de Myloplus schomburgki, proveniente do rio Xingu, apresentou uma distância
genética de 13% das demais populações, onde a mesma aparece mais relacionada a Ossubtus xinguense.
Dessa forma o principal objetivo deste trabalho foi realizar a caracterização morfológica da espécie, a fim de
verificar se de fato Myloplus schomburgkii representa uma única entidade taxonômica. Para isso, foi
realizada a análise morfométrica e merística (40 medidas e 24 contagens) de 117 exemplares de 9 drenagens
diferentes. Embora a espécie apresente uma grande variação no formato do corpo e colorido, indivíduos da
bacia do rio Xingu apresentaram diferenças morfológicas e merístiscas únicas, como a presença de 17 a 19
raios ramificados na nadadeira dorsal (vs. 20 a 25), base da nadadeira adiposa mais longa correspondendo de
7,11 a 11,20% do comprimento padrão (vs. 4,85 a 7,24%), além de diferença no padrão de colorido, onde a
faixa é mais clara e se afunila conforme chega as extremidades. Dessa forma, os dados morfológicos
corroboram os dados moleculares, demonstrando que a população do rio Xingu pode realmente representar
uma nova espécie.
Palavras-chave: Taxonomia, Variação geográfica, Neotropical.
Apoio: PIBICT-UEA, Capes, iXingu Project.
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Componentes branquiais de Anableps microlepis Müller & Troschel, 1844
(Cyprinodontiformes: Anablepidae) coletados no estuário Amazônico
Karina Francis de Souza Barbosa1; Rubia Neris Machado2 & Wallice Paxiúba Duncan 3
1Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Departamento de Parasitologia, Manaus, AM. Email: karinabaarbosa@hotmail.com
2Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Departamento de Morfologia, Manaus, AM. Email: rubiamachado551@gmail.com
3Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Departamento de Morfologia, Manaus, AM. Email: wlpduncan@gmai.com
As brânquias são órgãos multifuncionais, pois estão envolvidas na respiração, excreção e controle ácido-
base. Em geral, os peixes teleósteos possuem organização morfológica similar, porém algumas variações são
decorrentes do modo de vida, habito alimentar e habitat. O objetivo deste trabalho foi quantificar os
componentes branquiais: área de superfície branquial, densidade de células cloreto e células mucosas
branquiais. Para isso, cinco exemplares de Anableps microlepis foram coletados no estuário amazônico na
Ilha de Algodoal, PA. Após a eutanásia os quatro pares de arcos branquiais foram retirados e fixados em
formol, analisados morfologicamente e processados histologicamente para identificação das células cloreto
imunopositivas para a Na+/K+-ATPase (CCs-NKA) e células mucosas ricas em mucinas ácidas e neutras.
Entre os arcos branquiais o número total de filamentos variou de 4270 por hemibrânquias e o comprimento
total dos filamentos variou de 55,35159,15 mm não havendo diferença significativa entres os arcos
branquiais. Área de superfície branquial foi calculada para cada arco branquial dessa forma o IV arco
apresentou uma área menor em relação aos demais. A área de superfície branquial total foi de 235,0554 cm2.
A densidade de CCs nas lamelas variou de 0,0160,031 células/100 µm e no espaço interlamelar variou de
0,0510,122 células/100 µm não havendo diferença significativa. A densidade de células mucosas ácidas
variou de 0,0350,059 células/100 µm e as neutras variaram de 0,0370,078células/100 µm não
apresentando diferença significativa. Os resultados mostram que os componentes branquiais se distribuem de
forma homogênea nas brânquias, demonstrando que o órgão possui simetria bilateral.
Palavras-chave: Tralhoto, Morfologia branquial, Simetria bilateral.
Apoio: CNPq.
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Morfometria de larvas e juvenis de Amazonsprattus scintilla (Roberts, 1984) (Clupeiformes:
Engraulidae), no rio Xingu, Pará
Jadson Henrique Silva Oliveira1; Luigi Dieb Magalhães1; Lúcia H. Rapp Py-Daniel2 & Rosseval Galdino Leite2
¹Laboratório de Ictioplâncton Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Av. André Araújo, 2.936 Petrópolis CEP
69.067-375 Manaus Amazonas Brasil. E-mail: silvajadson444@gmail.com
2Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Coordenação de Biodiversidade, Manaus, AM.
Amazonsprattus scintilla habita as regiões de cabeceiras do rio Xingu o qual vem sendo afetado pelos
impactos provenientes da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Com o objetivo de realizar o estudo de
morfometria de larvas e juvenis da espécie, foram analisados 383 espécimes coletados entre 2012 a 2017, nas
épocas de cheia, vazante, seca e enchente. Os espécimes foram classificados nas fases: larval estágios
larvais vitelinos, pré-flexão, flexão e pós-flexão e juvenil. Foram mensurados: comprimento padrão,
comprimento total, distância do focinho a nadadeira anal, distância do focinho a nadadeira dorsal, distância
do focinho a abertura anal, comprimento da nadadeira anal, comprimento da nadadeira dorsal, comprimento
da cabeça, diâmetro do olho e altura do corpo. Para verificar o tipo de relação entre essas variáveis foi
utilizada a análise do crescimento alométrico, que foi calculada através de uma equação potencial usando
dados não-transformados: Y=a.xb, utilizando o programa Past; quando b=1, o crescimento é isométrico; o
crescimento é positivo quando b>1, e negativo quando b<1. A maioria das variáveis relacionadas com o
comprimento da cabeça apresentaram resultado alométrico negativo (b<1). Apenas a distância do focinho a
nadadeira dorsal (b=4.53) apresentou resultado alométrico positivo (b>1). Todas as relações em função do
comprimento padrão apresentaram alometria negativa (b<1). O crescimento alométrico das larvas apresenta
padrões similares de crescimento a outros Clupeiformes, mas possuem características morfológicas e
morfométricas que podem ser úteis para a sua identificação. Essas informações podem ser utilizadas para
estudos de conservação da população natural de A. scintilla no rio Xingu.
Palavras-chave: ictiofauna, ictioplâncton, morfometria, ontogenia.
Apoio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas FAPEAM.
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Morfologia das gônadas durante o desenvolvimento embrionário de Podocnemis unifilis
(Testudines: Podocnemididae)
Maria Fabiele Silva Oliveira1; Lucas Castanhola Dias2; Carlos Eduardo B. Moura3; Richard C. Vog4 & Marcela dos
Santos Magalhães5
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Mestranda em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, Manaus, AM. Email:
fabielesilva78@gmail.com (autor correspondente)
2Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Laboratório Temático de Microscopia Eletrônica e Nanotecnologia, Manaus,
AM. Email: lcdiasbio@gmail.com
3Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Departamento de Ciências Animais, Mossoró, RN. Email:
carlos.moura@ufersa.edu.br
4Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, AM. Email: dickturtlevogt@gmail.com
5Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Departamento de Morfologia, Manaus, AM. Email: marcelasmbio@gmail.com
Os filhotes de Podocnemis unifilis (tracajá) apresentam determinação sexual dependente da temperatura de
incubação. Os testículos ou ovários são formados a partir de uma gônada indiferenciada. Pouco se sabe sobre
a morfologia desses órgãos durante o desenvolvimento embrionário nessa espécie. O presente trabalho
objetivou descrever morfologicamente o desenvolvimento gonadal durante o desenvolvimento embrionário
de tracajá. Foram coletados 100 ovos na comunidade Granja Ceres (Barreirinha Amazonas) e incubados
artificialmente no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, a temperatura e umidade médias de 31,8°C e
97,1% respectivamente. Diariamente foi retirado de um a dois ovos da incubadora. O embrião foi separado
das membranas extraembrionárias, eutanasiado, dissecado e as imagens foram obtidas (SISBIO no 39472-9;
CEUA/INPA no 050/2018). O período de incubação foi de 60 dias. Macroscopicamente, entre o 17° e 18°
dias de incubação foi possível observar o inicio da formação gonadal, localizada aproximadamente no terço
médio da região ventromedial do mesonefro. Ao 19° dia do desenvolvimento uma leve diferenciação entre o
mesonefro e gônada já é identificada, tornando-se claramente evidente no 23° dia de incubação. Entre o 24° e
28° dia a gônada apresenta maior espessura. Do 32° ao 55° a gônada torna-se mais espessa e aumenta o
comprimento. Entre o 56° e 60° dia de incubação a gônada está completamente diferenciada.
Macroscopicamente o ovário é alongado e delgado, e o testículo é menor que o ovário e mais largo. A
formação gonadal apresenta modificações morfológicas evidentes, e possibilita a diferenciação de testículo e
ovário macroscopicamente.
Palavras-chave: gônadas, desenvolvimento embrionário, Testudines
Apoio: CAPES, Projeto Pé-de-Pincha
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Da pesquisa à ação: esforços do Laboratório de Mamíferos Aquáticos para entender e ordenar
o turismo com botos no Amazonas
Sannie Muniz Brum1; Gisele M. Valdevino2; Marcelle C.R. do Valle2 & Vera M. Ferreira da Silva3
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Programa de Pós-graduação Biologia de Água Doce e Pesca Interior (BADPI),
Manaus, AM. Email: sanniebrum@gmail.com (autor correspondente)
2Associação Amigos do Peixe-boi (AMPA), Manaus, AM. Email: gmaciel88@gmail.com; marcelecrvalle@yahoo.com
3Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Coordenação de Biodiversidade, Manaus, AM. tucuxi@inpa.gov.br
Desde 1998, desenvolvem-se, no Rio Negro, atividades de interação com botos-vermelhos Inia geoffrensis
de vida livre que são atraídos para se aproximar de turistas na água. Atualmente, sete flutuantes praticam esta
atividade (seis no município de Iranduba, em duas áreas conhecidas como “Castanho” e “Äcajatuba”, e um
em Novo Airão). Apresentamos as ações do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA) no monitoramento
desta atividade. Em 2015, realizamos uma expedição para captura e marcação de botos-vermelhos para
reconhecimento e verificação de fidelidade à área de interação. Foram marcados 14 botos, sendo que nove
são avistados até o presente e quatro destes frequentam ambas as áreas de interação em Iranduba. Em 2016,
realizamos três reuniões com empreendedores da atividade, cujas recomendações contribuíram para a
Resolução CEMAAM 28 de 2018, regulamentando essa atividade no Amazonas; e duas expedições para
estimativa populacional desses golfinhos no baixo Rio Negro. Estimou-se 2.666 botos e que uma
mortalidade antrópica anual de 16 indivíduos não ameaçaria sua conservação. Em 2017, os flutuantes de
Iranduba foram visitados para identificação e contagem dos botos-vermelhos e sua movimentação. Foi
elaborado um catálogo com 35 animais identificados e comprovada a movimentação entre os flutuantes.
Desde 2018, um Plano Técnico para a atividade na região de Iranduba vem sendo construído, com dias de
funcionamento intercalados e monitoramento. A atividade de interação turística hoje, com manejo adequado,
não deve ser considerada uma ameaça ao boto-vermelho na região. No entanto, recomenda-se o
monitoramento dos animais em interação e sua população, e fiscalização constante da atividade.
Palavras-chave: Conservação, Monitoramento, Impacto antrópico, Espécie ameaçada
Apoio: Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza; do CEPAM/ICMBio (Programa ARPA); AMPA/Petrobras -
Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia. S.M.B. recebe bolsa de estudos de Doutorado da Fundação de Amparo à
Pesquisa do Amazonas/FAPEAM; M.C.R.V recebeu bolsa de estudos de Mestrado do CNPq.
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Caracterização histológica do esôfago de recém-eclodidos de tartaruga-da-amazônia,
Podocnemis expansa (Testudines: Podocnemidae)
1Patrícia Jessica Silva Barbosa, 1Marcos Wilker Mendonça, 2Lucas Castanhola Dias & 3Marcela S. Magalhães
1Universidade Federal do Amazonas, Manaus, AM, Brasil; 2Laboratório Temático de Microscopia Ótica e Eletrônica, Instituto
Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, AM, Brasil; 3Departamentode Morfologia, Universidade Federal do Amazonas,
Manaus, AM, Brasil.
Podocnemis expansa, conhecida como tartaruga-da-amazônia, quando recém-eclodidos admitem uma dieta
onívora, que consiste em 80,9% de proteína animal e 19,1% de proteína vegetal, contudo na fase adulta
apresenta uma dieta herbívora. O estudo da histologia do trato digestório ajuda no entendimento da ecologia
e fisiologia alimentar desses animais. Dessa forma, o objetivo desse trabalho foi descrever a morfologia do
esôfago de recém-eclodidos de Podocnemis expansa. Foram utilizados três espécimes para obtenção do
esôfago (SISBIO/IBAMA 39472-4; CEUA/INPA 025/2013). Fragmentos da região cranial e caudal do
esôfago foram fixados em solução de formaldeído a 10% tamponado e posteriormente submetidos a
processamento histológico para análise por microscopia de luz. O esôfago apresentou mucosa revestida com
tecido epitelial estratificado cilíndrico ciliado mucoso, ausência de muscular da mucosa e submucosa
aglandular. A primeira porção foi caracterizada pela presença de papilas esofágicas e células caliciformes
dispostas entre as células mucosas na camada mucosa, e a segunda região apresentou mucosa pregueada e
maior quantidade de células caliciformes. A camada muscular é formada pelas camadas circular interna e
longitudinal externa, constituídas por tecido muscular liso e com presença de células caliciformes. A
presença de papilas esofágicas sugere a função de evitar a regurgitação do alimento e o muco produzido
pelas células mucosas e caliciformes de proteção da parede esofágica. No entanto, mais estudos precisam ser
realizados com um número maior de recém-eclodidos e filhotes em outras fases do desenvolvimento.
Palavras-chave: Morfologia, trato digestório, quelônio.
Apoio: CNPQ, UFAM, INPA, Eletrobras, CPPQA.
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Caracterização de locos DNA microssatélites isolados para o mapará (Hypophthalmus
oremaculatus - Nani e Fuster, 1947) (Siluriformes: Pimelodidae): um peixe de importância
comercial na amazônia brasileira
Adriano de Jesus Bentes1; Giselle Moura Guimarães Marques2; Kyara Martins Formiga3 & Jacqueline da Silva Batista4
1Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus, AM.
E-mail: drybentesbiologia@gmail.com
2Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Laboratório Temático de Biologia Molecular (LTBM), Manaus, AM. Email:
moura.giselle@gmail.com
3Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Laboratório Temático de Biologia Molecular (LTBM), Manaus, AM. E-mail:
formiga@inpa.gov.br
4Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Coordenação de Biodiversidade (COBIO), Laboratório Temático de Biologia
Molecular (LTBM E-mail: jac@inpa.gov.br
Os maparás (Hypophthalmus ssp.) compreendem até o momento as espécies: H. oremaculatus, H. edentatus,
H. fimbriatus e H. marginatus. Esses peixes aparecem como uma das espécies mais comercializadas na
amazônia, tornando-se necessário estudos de caracterização genética e identificação de estoques pesqueiros.
Portanto, isolar e caracterizar marcadores de DNA microssatélites para Hypophthalmus oremaculatus foram
os objetivos deste estudo. A extração de DNA seguiu o protocolo de Fenol-Clorofórmio e amplificação via
PCR (Reação em Cadeia de Polimerase). Onze locos foram caracterizados em 29 indivíduos, coletados na
cidade de Manaus (AM). As PCRs foram submetidas à eletroforese capilar em Analisador de DNA ABI
3130xl, e estimados os parâmetros de diversidade genética. O número de alelos variou entre 4 (Hor02), 19
(Hor16). A heterozigosidade observada (HO) entre 0,142 (Hor18) e 1,000 (Hor03). A heterozigosidade
esperada (HE) entre 0,202 (Hor18) a 0,931 (Hor13). O FIS (índice de endogamia) variou de 0,506 a 0,478.
Três locos (Hor03, Hor13 e Hor16) apresentaram desvio de EHW após a correção de Bonferroni, (P: (5%)
0,0045). Presença de alelos nulos foram detectadas nos locos Hor16, Hor17 e Hor19. Verificou-se o alcance
da amplificação heteróloga em outras espécies do gênero. Sete locos amplificaram em pelo menos uma
espécie. As espécies Hypophthalmus sp.1 (H. oremaculatus) e Hypophthalmus sp.2 (H. marginatus) tiveram
maiores números de locos amplificados. Os locos microssatélites mostraram-se promissores para estimar a
variabilidade genética de H. oremaculatus podendo-se aplicar em estudos genéticos futuros incluindo os de
genética populacional envolvendo níveis de variabilidade genética nas demais espécies do gênero.
Palavras-chave: Hypophthalmus oremaculatus, Mapará, Microssatélites.
Apoio: INPA-MCTIC/CNPq/CAPES
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Ocorrência de Chirps evocados por playback nos gêneros de peixes elétricos
Brachyhypopomus, Microsternarchus e Steatogenys (Ordem: Gymnotiformes)
Thiago Alexandre Petersen1; Caitlin E. Field 2; Christopher B Braun2 & José Antônio Alves Gomes1
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Laboratório de Fisiologia Comportamental e Evolução (LFCE), Manaus, AM.
Email: petersenthiago@gmail.com (autor correspondente)
2City University of New York, Hunter College, New York, NY.
Os peixes elétricos neotropicais produzem uma Descarga de Órgão Elétrico (DOE) usada para
eletrolocalização ativa e comunicação. Neste contexto, a frequência (Hz) da DOE pode ser modulada,
resultando em padrões específicos. Uma modulação bem descrita na literatura é o chirp, uma elevação
abrupta de frequência da DOE, que usualmente dura menos de 500 ms. No presente trabalho, são reportados
chirps em Brachyhypopmus sullivani, Microsternarchus sp. (Linhagem C), e Steatogenys elegans em
experimentos de playback (reprodução de sinais coespecíficos). Para aquisição da DOE e playback, foram
utilizados um processador de sinais e algoritmos personalizados. Com relação ao playback, foi feito o
experimento de frequência fixa, em trials de -5 a +5 Hz de 10-15 segundos, usando um estímulo de
coespecífico. Com um total de 3410 chirps obtidos, todas as espécies testadas apresentaram chirps nas
estimulações (Brachyhypopomus: Indivíduos=3, NChirps=58; Microsternarchus: Indivíduos=12,
NChirps=2555; Steatogenys: indivíduos=7, NChirps=797). Os chirps mais longos foram demonstrados por
Brachyhypopomus (0,19s ±0,06), seguido por Steatogenys (0,04s ±0,01) e Microsternarchus (0,03s ±0,01),
apresentando diferença estatística entre os gêneros (Kruskal-Wallis: X2(2)=69,39 p<0,001). Em relação a
redução de amplitude, resultado similar foi observado, com Brachyhypopomus apresentando um alto valor
em mediana (27,4%) e bem menos dramático em Microsternarchus (0,89%) e Steatogenys (1,38%) (Kruskal-
Wallis: X2(2)=44,67 p<0,001). Microsternarchus e Steatogenys ainda mostraram ter chirps com uma forte
relação fásico-temporal, sendo assim, considerados como parte do repertório de comportamento de Jamming
Avoidance Response (JAR). Os resultados sugerem a existência de uma diversidade de chirps nas espécies,
um comportamento usado inclusive em contexto de JAR.
Palavras-chave: Comportamento, Gymnotiformes, Playback, Peixe elétrico, Comunicação animal.
Apoio: CNPq (384980/2011-2 e 402441/2008-7), FAPEAM (32143.UNI614.4510.05042016-44250), CAPES (PDSE
88881.189704/2018-01).
Tropical Diversity (2019) 1(Suplemento): 2-69.
ISSN: 2596-2388.
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Novos registros de espécies de Trichoptera Kirby, 1813 (Insecta) para o Distrito Federal
Erica Silva Pereira1; Gleison Robson Desidério Gomes2; Vitória Santana da Silva1 & Neusa Hamada2
1Programa de Iniciação Científica, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus, AM, Brasil. Email:
pereira.ento@gmail.com; vsantana.ento@gmail.com.
2Programa de Pós-Graduação em Entomologia, Coordenação de Biodiversidade, Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA),
Manaus, AM, Brasil. Email: gleysonbio@gmail.com; neusaha@gmail.com.
Trichoptera constitui a maior ordem de insetos exclusivamente aquáticos com cerca de 15.000 espécies
descritas mundialmente, 800 dessas ocorrem no Brasil, distribuídas em 16 famílias. Na região Centro-Oeste
apenas 73 espécies são registradas, e dentre os estados dessa região, o Distrito Federal é o que possui o
menor número de espécies, apenas sete pertencentes a Hydropsychidae e Philopotamidae, o que revela a
escassez de conhecimento taxonômico a respeito da ordem. Nesse sentido, esse trabalho tem como objetivo
fornecer novos registros de espécies de Trichoptera para o Distrito Federal. O material utilizado nesse estudo
foi coletado em córregos em áreas preservadas de Cerrado. Os espécimes foram identificados em nível de
espécie através de bibliografias especializadas, com base em características da genitália masculina. A
genitália dos espécimes analisados foi diafanizada com KOH 10% por 30 minutos a 125 ºC e sua ação
neutralizada com ácido acético a 50% por 15 minutos, posteriormente foi lavada em água destilada e,
preservada em álcool 80%. Hydropsychidae e Calamoceratidae foram as famílias mais diversas com cinco e
quatro espécies cada, seguidas de Leptoceridae com três, Philopotamidae, Xiphocentronidae e Hydrobiosidae
com duas espécies e Ecnomidae, Helicopsychidae e Polycentropodidae com somente uma espécie cada. Ao
total, foi identificado 22 espécies, sendo estas registradas pela primeira vez para o estado, quatro destas são
novas para a Ciência. Estes resultados aumentam de sete para 22 o número de espécies registradas para o
Distrito Federal.
Palavras-chave: Insetos Aquáticos, Biodiversidade, Cerrado, Hydropsychidae, Taxonomia.
Apoio: FAPEAM, CNPq.
Tropical Diversity (2019) 1(Suplemento): 2-69.
ISSN: 2596-2388.
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Nidificação da tartaruga (Podocnemis unifilis) em diferentes substratos do lago
Puraquequara, margem esquerda do rio Amazonas
Antônio Luiz Vieira de Oliveira1; Richard Cal Vogt2 & Cristina Motta Bührnheim3
1Universidade do Estado do Amazonas (UEA); graduando em Ciências Biológicas, Manaus-AM. Email: alvo.bio@uea.edu.br
2 Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) Centro de estudos de Quelônios da Amazônia, Manaus-AM. Email:
vogt@inpa.gov.br.
3 Universidade Federal do Amazonas (UEA) Laboratório Paulo Bührnheim, Manaus-AM. Email: cmb.bio@uea.edu.br.
Podocnemis unifilis é uma das espécies de tartarugas de água doce de tamanho médio com determinação
sexual influenciada por fatores externos. Faixas de temperaturas baixas geram machos, temperaturas altas
geram fêmeas. O aquecimento global vem gerando problemas sérios na reprodução de quelônios. Assim,
nosso objetivo foi de verificar as diferenças na nidificação de P. unifilis em diferentes substratos do lago
Puraquequara, localizado na margem esquerda do rio Amazonas, Manaus (AM). Três ninhos de P. unifilis
foram encontrados nos dias 2, 7 e 15 de setembro de 2018 em diferentes substratos. O ninho 1 na areia grosa
com 22 ovos, ninho 2 em lato-solo amarelo com 28 ovos, e ninho 3 na terra preta e matéria orgânica com 18
ovos. Os ovos foram retirados dos ninhos e colocados dentro de caixas de isopor de 20x30x15 centímetros
cm3 junto com o substrato de origem e transportados até um local seguro onde foram transplantados com os
mesmos substratos. Colocou-se dentro de cada ninho um data-logger para armazenamento da temperatura
durante o período de incubação que durou 73 dias. Verificou-se no ninho 1 composição granulométrica:
Argila=2,96 %; Silte=0,79% e Areia= 96,25%, com sucesso de eclosão de 57%, ninho 2: Argila=17,73;
Silte=11,63 e Areia= 70,64, sucesso de eclosão 0,0%; e ninho 3: Argila=90,43%; Silte=4,46%; Areia=54,61,
sucesso de eclosão 0,0%. Nossos resultados indicaram que a granulometria tem forte influência na
reprodução de P. unifilis, sendo que solos porosos retêm menos água e projetam faixas de temperaturas entre
25ºC a 37ºC, garantido maior sucesso de eclosão e desenvolvimento gonadal do embrião.
Palavras-chave: Granulometria, Temperatura, Sexo.