DIVERSIDADE E COMPOSIÇÃO DE ASSEMBLEIAS DE PEIXES DE PRAIAS
NO MÉDIO RIO NEGRO
Anderson Barroso Maquiné1; Rômulo Ferreira dos Santos1; Walter Nobre da Silva Conceição1;
Daniel José de Lima Prestes1; Francielma Simões Vargas1; João Victor Silva de Souza1; Karla
Garcia Vasconcelos1; Francinete Tobar Bernardo1; João Marcos Miranda Nogueira1; Paulo
Victor Oliveira Neles1; Marcelo Lima de Barros1; Kedma Cristine Yamamoto2
1Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Graduação em Engenharia de Pesca, Manaus, AM. 2Universidade
Federal do Amazonas (UFAM), Departamento de Ciências Pesqueiras, Manaus,
AM. E-mail: andderson_barroso@hotmail.com
A região do médio rio Negro abriga uma elevada diversidade de ictiofauna amazônica, sendo
essencial compreender a composição e estrutura das assembleias de peixes que utilizam as
praias fluviais como habitats temporários. Este estudo teve como objetivo analisar a
diversidade e composição das assembleias de peixes em praias dos rios Aracá e Demeni,
ambos afluentes do rio Negro, buscando responder à pergunta: as assembleias de peixes
apresentam diferenças de composição e riqueza entre rios e períodos de coleta (diurno e
noturno)? Partiu-se da hipótese de que as assembleias noturnas exibem maior riqueza e
diversidade específica em relação às diurnas, devido à variação comportamental e ecológica
das espécies. As coletas foram realizadas entre os dias 16 e 20 de abril de 2016, em praias
selecionadas aleatoriamente de acordo com a viabilidade operacional dos arrastos. As
capturas ocorreram em dois períodos, das 06h00 às 10h00 e das 18h00 às 22h00, utilizando
uma rede de arrasto manual de 30 m x 6 m e malha de 20 mm entre nós opostos. Após a
coleta, os peixes foram identificados com auxílio de chaves taxonômicas e especialistas do
INPA, e submetidos à biometria (peso e comprimento padrão). Alguns exemplares foram
fixados em formalina 10% e encaminhados ao Laboratório de Ictiologia da Universidade
Federal do Amazonas como material testemunho e didático. Foram capturados 972 indivíduos,
distribuídos em 92 espécies, 64 gêneros, 23 famílias e 7 ordens. A ordem Characiformes foi a
mais representativa, seguida por Siluriformes, Perciformes e Gymnotiformes. No rio Aracá,
foram registrados 259 indivíduos pertencentes a 43 espécies, com predomínio das
Characiformes (53,5%), seguidas por Siluriformes (23,5%) e pelas ordens Perciformes e
Gymnotiformes (23%). O rio Demeni apresentou maior riqueza e abundância, com 713
indivíduos distribuídos em 71 espécies, sendo as ordens Characiformes, Siluriformes,
Perciformes e Gymnotiformes responsáveis por 42,25%, 33,8%, 12,7% e 7,04% das capturas,
respectivamente, enquanto Clupeiformes, Myliobatiformes e Pleuronectiformes foram
representadas por apenas uma espécie cada (4,2% do total). Entre as famílias mais
abundantes destacaram-se Characidae, Cichlidae e Hemiodontidae no Aracá, e Loricariidae,
Serrasalmidae, Auchenipteridae e Cichlidae no Demeni. As espécies dominantes foram
Cyphocharax leucostictus, Pseudoloricaria laeviuscula, Tetragonopterus argenteus e
Anduzedoras oxyrhynchus no Aracá, e Cyphocharax leucostictus, Moenkhausia
grandisquamis, Geophagus proximus e Geophagus winemilleri no Demeni. Os índices
ecológicos indicaram maior diversidade e riqueza no Demeni à noite (H = 2,906; Margalef =
8,977), enquanto o Aracá apresentou maior equitabilidade diurna (J = 0,9608) e dominância
noturna (Berger-Parker = 0,5339). Os resultados evidenciaram que as praias do médio rio
Negro abrigam comunidades de peixes diversas, com variação espacial e temporal
significativa. A predominância de Characiformes reflete a importância ecológica desse grupo
em ambientes fluviais amazônicos. A maior riqueza noturna sugere que a atividade alimentar
e o uso do habitat variam ao longo do dia, influenciando a estrutura das assembleias. Conclui-
se que as diferenças observadas entre rios e períodos de coleta estão relacionadas às
características ambientais locais e comportamentais das espécies, ressaltando a relevância
das praias fluviais como habitats essenciais para a ictiofauna da bacia do rio Negro.
Palavras-chave: Habitats Fluviais; Ictiofauna Amazônica; Riqueza Específica.