Livro de Resumos VI Simpósio de
Biologia Aquática e Pesca na Amazônia
– SBAPA:
PPG BADPI 50 anos, Trajetórias e Desafios para o
Futuro
25 a 28 de novembro de 2025
ORGANIZADORES
Kyara Martins Formiga
Giselle Moura Guimarães Marques
Lucas Castanhola Dias
DIAGRAMAÇÃO E EDITORAÇÃO
Giselle Moura Guimarães Marques
CAPA
Ana Flávia Brito
Manaus, AM
2026
2
Tropical Diversity, 6 (Suplemento): 2-80, 2026
ISSN: 2596-2388
DOI: 10.5281/zenodo.20236945
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Ficha Catalográfica
*Os autores são responsáveis por todo o conteúdo contido nos respectivos resumos
*A revisão textual é de responsabilidade dos autores
4
APRESENTAÇÃO
O Livro de Resumos do VI Simpósio de Biologia Aquática e Pesca na
Amazônia SBAPA: PPG BADPI 50 anos, Trajetórias e Desafios para o Futuro
reúnem os trabalhos científicos apresentados no evento realizado entre os dias 25 e
28 de novembro de 2025, no Auditório da Ciência, no Bosque da Ciência do Instituto
Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Esta publicação inaugura
simbolicamente as comemorações dos 50 anos do Programa de s-Graduação em
Biologia de Água Doce e Pesca Interior (PPG BADPI), programa de referência
nacional e internacional na pesquisa e na formação de recursos humanos voltados
aos ecossistemas aquáticos amazônicos.
Os resumos aqui compilados refletem a diversidade temática, metodológica e
institucional das pesquisas desenvolvidas por docentes, discentes e colaboradores,
evidenciando o papel do simpósio como espaço de divulgação científica, intercâmbio
de saberes e fortalecimento do diálogo entre ciência, gestão ambiental e sociedade.
Os trabalhos abordam questões fundamentais relacionadas à biodiversidade aquática,
às respostas dos organismos às mudanças ambientais e climáticas, bem como ao uso
sustentável e à conservação dos recursos pesqueiros e hídricos da Amazônia.
Além de seu valor acadêmico, esta publicação possui caráter histórico e
comemorativo, ao registrar parte significativa da produção científica apresentada no
contexto das cinco décadas do PPG BADPI. Os Anais constituem, assim, um
importante instrumento de memória institucional, ao mesmo tempo em que projetam
novos desafios e perspectivas para o avanço da biologia aquática e da pesca na
Amania.
A Comissão Organizadora espera que esta obra contribua para a ampliação da
visibilidade científica do PPG BADPI, incentive novas colaborações acadêmicas e
institucionais e sirva como referência para pesquisadores, estudantes e gestores
interessados na conservação e no uso sustentável dos recursos aquáticos
amazônicos.
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COMISSÃO ORGANIZADORA
(Docentes e Discentes – PPG BADPI)
Ana Carollina Bezerra Silva e Silva (mestranda)
Camila Cavalcante Ferreira (mestranda)
Eduardo dos Reis Paes (doutorando)
Gabrielle Cristina Barbosa de Oliveira (doutoranda)
Giselle Moura Guimarães Marques (pós-doc)
Kyara Martins Formiga (docente)
Lucas Castanhola Dias (docente)
Lucas da Gama Silva (doutorando)
Lúcia Helena Rapp Py Daniel (docente)
Maiby Glorize da Silva Bandeira (docente pós-doc)
Mariana Goulart Henrique Leite (mestranda)
Marlei Raimunda de Almeida Silva (mestranda)
Mayllon Celyo de Souza Moura (mestranda)
Paloma Andrade Cavalcante (mestranda)
Suanny Lima da Rocha (mestranda)
Susana Braz Mota (docente pós-doc)
Talita Brito de Oliveira (mestranda)
Valdenor Magalhães Silva (doutorando)
Wilany Nunes dos Santos (mestranda)
William Daniel Negreiros de Oliveira (mestrando)
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COMISSÃO CIENTÍFICA
Eduardo dos Reis Paes
Giselle Moura Guimarães Marques
Lucas Castanhola Dias
Lucas da Gama Silva
Mayllon Celyo de Souza Moura
Paloma Andrade Cavalcante
Valdenor Magalhães Silva
COMISSÃO DE MÍDIAS
Ana Carollina Bezerra Silva e Silva
Gabrielle Cristina Barbosa de Oliveira
Giselle Moura Guimarães Marques
Kyara Martins Formiga
Mariana Goulart Henrique Leite
Talita Brito de Oliveira
William Daniel Negreiros de Oliveira
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EQUIPE DE MONITORES
(graduandos – FAMETRO)
Herlanny Cristinny Dabela Menezes
Lene Melo da Silva
Luiz Cezar moreno da Silva filho
Manoele Vitória Santos da silva
Maria Gizele Gonçalves Pereira
Maria Josely Brito da Silva
Monique Matos da Silva
Olivier Matheus Silva Rodrigues
Raimundo Christopher Portela do Nascimento
Rosemara Manso da Silva
EQUIPE DE AVALIADORES – PÔSTERES
(Docentes e pós-doc – PPG BADPI)
Fabíola Xochilt Valdez Domingos-Moreira
Flavia Kelly Siqueira de Souza
Gabriel Soares de Araujo
Giselle Moura Guimarães Marques
Grazyelle Sebrenski
Kyara Martins Formiga
Leandro Melo de Sousa
Luiz Antonio Wanderley Peixoto
Susana Braz Mota
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REALIZAÇÃO
APOIO
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EFEITO DA SUPLEMENTAÇÃO PROBIÓTICA NA RESPOSTA IMUNOLÓGICA
DE TAMBAQUIS (Colossoma macropomum) EXPOSTOS AO INSETICIDA
DICARZOL (CLORIDRATO DE FORMETANATO)
Yasmin Moreira de Souza1; Samara Fabiane de Albuquerque Lima1; Raimundo de Jesus
Tavarez Diniz Neto1; Karine Vasconcelos Costa1; Sophia da Silva Salles1; Anna Luiza da Mota
de Souza1; Gabriel Sampaio Birino1; Renato Barbosa Ferraz1
1Universidade Nilton Lins; Manaus, AM
E-mail: yasminmoreiraa570@gmail.com
A contaminação dos corpos hídricos por inseticidas no Amazonas ameaça o equilíbrio
do ecossistema aquático, uma vez que parte desses compostos lixivia para rios e
lagos, podendo afetar espécies não alvo, como os peixes. O Dicarzol é um
inseticida/acaricida usado na agricultura para o controle da tripes, no entanto, estudos
sobre os efeitos adversos causados no tambaqui ainda são iniciais. Resultados
prévios determinaram a letalidade do Dicarzol® por 92h (CL50: 40,00±0,75 mg/l). Um
experimento de exposição crônica (21 dias) com níveis subletais (0, 1, 10 e 20 mg/l)
demonstrou efeitos fisiológicos do inseticida no tambaqui a nível de 10 mg/l. Na
aquicultura, uma alternativa para fortalecer o sistema imunológico dos peixes é a
suplementação com probióticos. Com isso, o objetivo deste estudo foi avaliar os
efeitos da suplementação dietética com Bacillus cereus (BC) e Bacillus megaterium
(BM) em tambaquis, verificando seu potencial em mitigar a toxicidade do inseticida.
Para isso, foram utilizados 180 juvenis de tambaqui (±7g), distribuídos em 12 caixas
d'água com volume de 200 litros e alimentados por 60 dias com ração comercial
(controle) ou suplementada com BC e BM. Após biometria e coleta sanguínea basal,
os peixes foram então expostos a uma dose subletal de 10 mg/L de Dicarzol por 96h
(dose mínima de efeitos fisiológicos observadas anteriormente), seguida de nova
coleta de sangue. Para a análise estatística dos parâmetros de desempenho
zootécnico as variáveis com distribuição normal foram analisadas por ANOVA (teste
de Tukey, p<0,05) e os dados que não atenderam o pressuposto de normalidade
foram analisados pelo teste de Kruskal-Wallis seguido do teste de Dunn. Os dados do
desafio com Dicarzol foi avaliado em delineamento fatorial 3x2 por modelo linear
misto, com comparações de médias pelos testes de Tukey e Bonferroni. Não houve
diferença significativa nos parâmetros de desempenho zootécnico nos diferentes
tratamentos: Peso final (Controle: 56,47 g; BC: 59,76 g; BM: 56,49 g); Ganho de peso
(Controle 49,69 g; BC: 52,38 g; BM: 49,23 g); Conversão alimentar aparente
(Controle, BC, BM = 0,06); Taxa de crescimento específico (Controle: 3,53, BC: 3,50;
BM: 3,42). No parâmetro sanguíneo a glicose reduziu significativamente nos
tratamentos BC (p=0,0245) e BM (p=0,0483) após exposição ao inseticida, porém, as
variáveis RBC (glóbulos vermelhos) e hematócrito não diferiram no grupo
suplementado com BM (RBC p=0,0564; hematócrito p=0,1095), sendo assim, os
peixes que receberam ração suplementada com Bacillus megaterium resistiram
melhor aos efeitos tóxicos do inseticida observados na análise sanguínea.
Palavras-chave: Aquicultura; Bacillus cereus; Bacillus megaterium; Toxicidade.
Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
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FICORREMEDIAÇÃO DO EFLUENTE DA PISCICULTURA UTILIZANDO
Scenedesmus acuminatus E APROVEITAMENTO DA BIOMASSA NA
FORMULAÇÃO DE RAÇÃO PARA TAMBAQUI (Colossoma macropomum)
Renan Gomes do Nascimento1, Raize Castro Mendes1, Cláudia Maiza Fernandes Epifânio1,
Driely Kathriny Monteiro dos Santos2, Ligia Uribe Gonçalves3, Edinaldo Nelson dos Santos
Silva¹
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, Amazonas, Brasil; 2Departamento de Ciências da
Pesca, Faculdade de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, Amazonas,
Brasil.3Departamento de Zootecnia, Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, Universidade de São
Paulo, SP, Brasil.
E-mail: renaan112@gmail.com
A aquicultura gera grandes volumes de efluentes ricos em nutrientes que, se não
tratados, contribuem para a eutrofização. A fitorremediação baseada em microalgas
oferece uma estratégia sustentável para reciclar esses efluentes enquanto produz
biomassa de valor nutricional. Este estudo teve como objetivo avaliar a produção e a
composição nutricional da biomassa de Scenedesmus acuminatus cultivada em
efluente de piscicultura e avaliar o efeito da inclusão em dietas para tambaqui
(Colossoma macropomum) sobre o desempenho zootécnico, saúde e enriquecimento
do filé. O efluente foi coletado de tanques intensivos de Brycon amazonicus e utilizado
como única fonte de nutrientes para o cultivo de S. acuminatus em fotobiorreatores.
Foram formuladas cinco dietas experimentais isonitrogenadas (32,2% de proteína
bruta) e isoenergéticas (4.111,4 kcal/kg), incluindo um controle (SA0%) e quatro dietas
com níveis crescentes de inclusão da microalga (SA1%, SA2%, SA3% e SA5%). 300
juvenis de tambaqui foram alimentados com essas dietas durante cinco semanas,
sendo avaliados o desempenho zootécnico, os parâmetros de saúde e a qualidade
nutricional do filé. Os resultados mostraram que S. acuminatus obteve rendimentos
consistentes de biomassa, com perfis nutricionais comparáveis aos de meios
convencionais. Sua inclusão não comprometeu a sobrevivência (100% em todos os
tratamentos), o consumo alimentar ou a composição proximal dos peixes inteiros e
dos filés. As análises hematológicas indicaram efeitos imunomodulatórios em níveis
mais altos de inclusão, enquanto os perfis de ácidos graxos dos filés apresentaram
melhorias com o aumento do teor de ômega-3, especialmente na inclusão de 3%.
Esses achados destacam o duplo papel de S. acuminatus na biorremediação de
efluentes aquícolas e como ingrediente funcional de rações. O uso de efluentes de
aquicultura como meio de cultivo reduz os custos de produção, apoia os princípios da
bioeconomia circular e fornece uma alternativa sustentável para o desenvolvimento de
rações aquícolas de maior valor agregado.
Palavras-chave: Aquafeed; Economia Circular; Funcional; Microalga; Sustentável
Aquafeed.
Apoio: Esse trabalho foi apoiado por Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior - Brasil (CAPES) Código de financiamento 001, Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas FAPEAM/ Edital 017/2024 -
DIVULGA CT&I-Proc: 01.02.016301.01903/2025-0/POSGRAD.
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PRIMEIRO REGISTRO DE MÚLTIPLAS COLORAÇÕES NA CARAPAÇA DE
Podocnemis expansa (Tartaruga-da-amazônia)
Maria Fabiele Silva Oliveira1, Louzamira Feitosa Bivaqua de Araujo2, Marcela dos Santos
Magalhães1,3
1Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca – BADPI, Interior Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia – INPA. 2Centro de Pesquisa e Preservação de Mamíferos e Quelônios Aquáticos -
CPPMQA, Eletrobras Eletronorte. 3Departamento de Morfologia, Universidade Federal do Amazonas – UFAM.
E-mail: fabielesilva78@gmail.com
Podocnemis expansa, conhecida como tartaruga-da-amazônia, é o maior quelônio de
água doce na América do Sul. A carapaça é achatada e mais larga na região posterior
e possui coloração marrom, cinza ou verde-oliva. No entanto, pode ocorrer discreta
variação na coloração do casco dependendo do rio que a população habita. A
coloração da pele dos répteis depende, em parte, da presença e distribuição de vários
cromatóforos, porém mutações ou padrões de cores podem ocorrer em qualquer
espécie. 27 anos ocorre o monitoramento, entre os meses de setembro a
dezembro, nas praias de desova do Centro de Pesquisa e Preservação de Mamíferos
e Quelônios Aquáticos, Eletrobrás-Eletronorte, localizada na margem esquerda do rio
Uatumã, Balbina, Amazonas. Durante o monitoramento do ano de 2023, 73 ninhos de
P. expansa foram identificados, resultando no nascimento de 6.008 filhotes. Dentre
esses, registramos pela primeira vez múltiplas variações na cor da carapaça de
filhotes da espécie. Além do padrão normal de coloração da espécie, foram
observados filhotes com carapaça marrom-escura; indivíduos com albinismo,
caracterizado pela ausência total de melanina e olhos avermelhados ou rosados; um
exemplar que possivelmente apresentou duas alterações simultâneas
hiperpigmentação no corpo e na carapaça (melanismo parcial) associada à
hipopigmentação localizada e assimétrica na carapaça (leucismo parcial); e diversos
filhotes com leucismo parcial restrito à carapaça, mas com preservação da
pigmentação do tegumento e dos olhos. A presença dessas variações sugere a
ocorrência de distúrbios na produção ou distribuição da melanina, possivelmente
relacionados a mutações em genes que codificam enzimas da via melanogênica.
Alterações como albinismo, melanismo e leucismo foram registradas em vários
grupos de vertebrados, mas são raras na natureza, pois reduzem as chances de
sobrevivência, principalmente em filhotes que precisam da camuflagem contra
predadores. O fato dos registros terem ocorrido em 2023 ano da segunda maior
seca do Amazonas em mais de um século levanta a hipótese de que o estresse
causado pelo calor favoreceu o surgimento dessas alterações de cor. Embora não
seja possível confirmar essa relação apenas com essas observações, o dado mostra
a importância de estudos futuros, que condições extremas podem afetar não a
sobrevivência e a reprodução, mas também a aparência dos animais.
Palavras-chave: Mudanças climáticas; Quelônios amazônicos; Variação cromática.
Apoio: Esse trabalho foi apoiado por Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior - Brasil (CAPES) Código de financiamento 001, Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas FAPEAM/ Edital 017/2024 -
DIVULGA CT&I-Proc: 01.02.016301.01903/2025-0/POSGRAD.
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ALTERAÇÕES NUCLEARES ERITROCITÁRIAS (ANEs) DE FILHOTES
DE TARTARUGA-DA- AMAZÔNIA EXPOSTOS AO GLIFOSATO
Victor Hugo Cunha Martins¹; Marcela dos Santos Magalhães²; Fabíola Xochilt
Valdez Domingos-Moreira³
¹Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior - Instituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia. ²Universidade Federal do Amazonas, Departamento de Morfologia. ³Instituto Nacional de Pesquisas
da Amazônia, Coordenação de Dinâmica Ambiental.
E-mail: victorhugocunhamartins@gmail.com
O glifosato é um dos agrotóxicos mais utilizados no Brasil por apresentar um amplo
espectro de ação e uma alta eficácia contra ervas daninhas. Segundo a resolução
357/ 2005 da CONAMA, a concentração máxima permitida para as águas de tipo 1 e
2 é de 65µg/L de glifosato, e até o momento sabe-se que essa concentração é capaz
de causar alterações genotóxicas em espécies aquáticas, como os quelônios.
Podocnemis expansa é a maior espécie de quelônio de água doce da américa latina,
apresentando grande importância ecológica e cultural para as comunidades
tradicionais na região. São animais que podem ser suscetíveis a contaminação por
agrotóxicos presentes nos ambientes aquáticos. Diante disso, o trabalho teve como
objetivo avaliar se diferentes concentrações de glifosato causarão aumento na
incidência de ANEs em eritrócitos de filhotes de P. expansa, com a hipótese de que a
maior concentração de glifosato causará uma maior incidência de ANEs.. Foi realizado
um experimento em que 30 filhotes de P. expansa foram expostos ao glifosato à 98%
de pureza, em duas concentrações, uma de 32µg/L e 65µg/L, durante 28 dias. Foram
divididos em dois grupos, um de exposição e outro de recuperação, subdivididos em:
cinco indivíduos do grupo controle, cinco indivíduos do grupo exposição 1 (E 32µg/L)
e cinco indivíduos do grupo exposição 2 (E 65µg/L), cinco indivíduos do grupo
controle recuperação, cinco indivíduos do grupo recuperação 1 (R 32µg/L) e cinco
indivíduos do grupo recuperação 2 (R 65µg/L). Após 14 dias de experimento, os
indivíduos dos grupos de exposição (E 32µg/L, E 65µg/L), foram eutanasiado para a
coleta do sangue, e após 28 dias foram eutanasiados os indivíduos dos grupos de
recuperação (R 32µg/L, R 65µg/L). O sangue foi coletado da porção cervical dos
animais utilizando agulhas de 1ml. Após a coleta, o sangue foi depositado em lâminas
histológicas e realizado o esfregaço sanguíneo, após a secagem foram fixadas em
etanol absoluto durante 15 minutos e coradas com corante panóptico. As análises das
lâminas ocorreram utilizando a metodologia de Carrasco et al., (1990). Foi identificado
uma maior presença de núcleos lobados (28,5%), núcleos deslocados (25%) e
núcleos pontudos (1,5%) nos eritrócitos de filhotes de P. expansa, seguido por uma
menor frequência de núcleos reniformes (1%), núcleo com constrição assimétrica e
micronúcleo. As frequências de ANEs nos grupos expostos ao glifosato foram
similares ao grupo controle, tanto no período de exposição, quanto de recuperação
(p= 0,1068), indicando que as concentrações testadas de glifosato não foram
suficientes para induzir ANEs nos filhotes de Podocnemis expansa no tempo de
exposição que foi avaliado neste trabalho.
Palavras-chave: Ecotoxicologia, Genotoxicidade, Podocnemis expansa.
Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Código 001, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas FAPEAM/
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Edital Nº 017/2024 - DIVULGA CT&I-Proc: 01.02.016301.01903/2025-0/POSGRAD.
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MORFOLOGIA CARDÍACA EM FILHOTES PÓS-ECLODIDOS DE Podocnemis
expansa (TESTUNIDES: PODOCNEMIDIDAE) ATÉ DOIS ANOS DE VIDA
Layla Ianca Queiroz Rocha1; Maria Fabiele Silva Oliveira2; Marina Gabriela de Souza Marques1;
Márcio Santos de Oliveira Filho1; Lucas Castanhola Dias2; André Macedo de Medeiros1; Moacir
Franco de Oliveira1; Marcela dos Santos Magalhães3; Carlos Eduardo Bezerra de Moura1
1Universidade Federal Rural do Semi-Árido; 2Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia; 3Universidade Federal
do Amazonas. E-mail: layianca@gmail.com
O desenvolvimento do coração de tartarugas envolve mecanismos complexos que
resultam em mudanças estruturais e funcionais durante a embriogênese e após o
nascimento. A transição para respiração pulmonar desencadeia alterações
circulatórias nos filhotes recém-eclodidos, relacionadas à fisiologia metabólica e às
adaptações ao estilo de vida subaquático. Nesse contexto, o presente estudo visou
descrever as principais mudanças morfológicas no coração de filhotes pós-eclodidos
de Podocnemis expansa. Foram analisados corações de indivíduos com idades entre
zero e um ano (n=35) e entre um e dois anos (n=27), coletados mensalmente no
Centro de Preservação e Pesquisa de Mamíferos e Quelônios Aquáticos, Balbina
(CEUA nº082/2019; SISBIO nº39472-16). Os órgãos foram pesados, mensurados
(comprimento, largura, espessura e circunferência), seccionados longitudinalmente
para aferição das paredes direita e esquerda da base ventricular, fixados em
formaldeído tamponado a 10% e processados para microscopia de luz. Aplicou-se o
teste de correlação de Pearson entre a morfometria do coração e a biometria dos
filhotes, além do teste não-paramétrico de Wilcoxon Sigmed Ranks para comparação
entre as paredes ventriculares direita e esquerda (p≤0,05). Nos filhotes recém-
eclodidos, o coração encontrava-se crânio-medialmente na cavidade celomática,
envolto por pericárdio fibroseroso. Foram identificados seio venoso, átrios direito e
esquerdo, ventrículo, tronco pulmonar, além de pequenos vasos coronários na base
ventricular. Internamente, observaram-se músculos pectinados nos átrios, óstio
sinoatrial delimitado por valvas, septo atrial rudimentar em alguns indivíduos e
ventrículo com trabeculação esponjosa. O septo horizontal, bem desenvolvido,
delimitava o cavum pulmonale e cavum venosum, enquanto o septo vertical, menor,
delimitava o cavum arteriosum. O peso corporal variou entre 21,55 e 1430g e
comprimento de carapaça entre 5 e 21,3cm, ambos significativamente
correlacionados ao crescimento cardíaco (r=0,84; p=0,01). O coração variou de 0,11–
4,1g, com aumento progressivo de peso, largura e comprimento. No entanto, a
relação peso cardíaco/peso corporal diminuiu de 0,57% para 0,28% do primeiro para
o segundo ano de vida. As paredes apresentaram crescimento expressivo, com a
esquerda variando entre 1,315 e 14,796mm e a direita 1,003 e 14,337mm, a diferença
entre ambas foi significativa, com parede esquerda mais espessa no primeiro ano. O
coração de P. expansa apresenta morfologia semelhante à de quelônios adultos
desde a eclosão. Os dados biométricos, tanto do corpo dos filhotes quanto dos
corações, demonstram que os filhotes estão em fase de crescimento e
desenvolvimento. A maior espessura da parede ventricular esquerda em filhotes do
primeiro ano reflete a necessidade de sustentar pressões mais altas na circulação
sistêmica em relação à pulmonar. Esse padrão, presente nos estágios iniciais de
vida, indica uma preparação funcional do ventrículo, especialmente em regiões como
os cavuns para a distribuição adequada de oxigênio e nutrientes ao organismo em
crescimento.
Palavras-chave: Adaptação; tartaruga-da-amazônia; Ontogênese.
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Apoio: CAPES (Cód.001), FAPEAM (DIVULGA CT&I-Proc:010201630101903/2025-0 e POSGRAD).
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VIDA SOB ONDAS: INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE NA EDUCAÇÃO CIENTÍFICA
Laissa de Sousa Amatsakio¹; Maria Gisele Farias Melo¹; Antônio Geferson Lopes da Silva¹;
Alice Katrícia Mendes Carvalho de Farias¹; Raylison Fonseca da Silva¹; Eleidione Suely
Barros Borges³; Léa Carolina de Oliveira Costa²; Aldenice de Nazaré Silva Pereira²
¹Graduando em Engenharia de Pesca, IFPA Campus Castanhal. ²Docente do Curso de Engenharia de
Pesca, IFPA Campus Castanhal. ³Interprete do NAPNE - Núcleo de Atendimento às Pessoas com
Necessidades Educacionais Específicas, IFPA Campus Castanhal.
E-mail: aldenice.pereira@ifpa.edu.br
Este projeto consiste em uma experiência educativa e interativa, voltada para a
divulgação científica da biodiversidade aquática. O estudo abrange as características
morfológicas, comportamentais e ecológicas de organismos aquáticos marinhos,
além de sua relevância para os ecossistemas marinhos e costeiros. A inclusão de
conteúdos em Libras (Língua Brasileira de Sinais) e a utilização de plataformas
digitais para disseminação do conhecimento são propostas como estratégias para
aumentar a acessibilidade e o interesse pelo conhecimento científico. A amostra de
espécimes fixados de diversas espécies, como polvo, lula, lagosta, camarão,
caranguejo e outros, foi realizada em diferentes contextos. Esses exemplares foram
apresentados em eventos científicos, como o XVIII Seminário Internacional de
Desenvolvimento Rural Sustentável, Cooperativismo e Economia Solidária (XVIII
SICOOPES) e a IX Feira de Ciência, Tecnologia e Inovação Social (IX FECITIS),
bem como em atividades de extensão, na 56ª EXPOFAC Feira Agropecuária de
Castanhal, no Parque de Exposições de Castanhal, no Centro de Ensino Exitus e na
Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Nilo de Oliveira, em Igarapé-Açu.
Os dados observados indicam uma interação positiva do público com as exposições,
além de uma recepção entusiástica das informações apresentadas em Libras. A
implementação de QR Codes para acesso a conteúdos digitais através das
plataformas de mídias digitais, instagram.com/vidasobondas e
youtube.com.br/@vidasobondas, facilitou a inclusão e a compreensão das
informações sobre a biodiversidade aquática. A iniciativa demonstrou não apenas
promover a educação ambiental, mas também ressaltar a importância da
conservação dos ambientes aquáticos, evidenciando que a acessibilidade à
informação e a valorização da vida marinha são fundamentais para despertar o
interesse pela ciência e incentivar práticas de conservação. Este projeto representa
um avanço significativo na promoção da inclusão e na conscientização sobre a
biodiversidade aquática, contribuindo para um futuro mais sustentável e consciente.
Palavras-chave: Biodiversidade Aquática; Conservação Marinha; Disseminação
Científica; Educação Ambiental; Acessibilidade da informação.
Apoio: As alunas receberam auxílio financeiro do IFPA Campus Castanhal, por meio
do edital institucional 02/2025 - participação em eventos técnico– científicos,
esportivos ou culturais.
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DESAFIOS ENFRENTADOS POR RIBEIRINHOS E SETOR DE PESCA
ESPORTIVA NA SECA DE 2023, EM CAREIRO/AM
Marcele Cascaes Vasconcelos1; Paulo Cesar Machado Andrade1; Carlos Edwar de Carvalho
Freitas2; Tayanne da Silva Lopes1
1Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Laboratório de Animais Silvestres, Manaus, AM; 2Universidade
Federal do Amazonas (UFAM), Instituto Piatam, Manaus, AM.
E-mail: marcele.cascaes15@gmail.com
Nos últimos anos (2023-2024), a Amazônia enfrentou intensa seca dos rios, afetando
a região de maneira geral. O nível baixo dos rios se tornou um desafio e prejudicou as
famílias ribeirinhas e o setor pesqueiro. Este trabalho tem como objetivo descrever o
ambiente dos pesqueiros, principalmente as alterações na profundidade, na região do
baixo rio Mamori, em Careiro/AM, e os desafios enfrentados por ribeirinhos e o setor
de pesca esportiva, durante a seca de 2023. A coleta de dados ocorreu durante os
anos de 2022 a 2024, nas zonas de pesca do baixo rio Mamori: lago do Tracajá,
Maçarico e rio Juma. Para medir a profundidade dos pesqueiros, utilizou-se corda
com prumo lançado nos corpos hídricos seguido da realização de da medida. Foram
realizadas análises e outubro de 2022, janeiro de 2023 e fevereiro de 2024. As
análises ocorreram em 32 pesqueiros, sendo 9 no lago Maçarico, 11 no lago Tracajá e
12 no baixo rio Juma. Na análise realizada em outubro de 2022, a profundidade dos
pesqueiros variou entre 2,3 metros a 6,3 metros, com valor médio e desvio padrão de
3,81 ± 0,98 metros. Na análise de janeiro de 2023, a profundidade variou entre 5,74 a
11,14 metros, com valor médio e desvio padrão 8,0 ± 1,15 metros. No período de
seca de 2023, não conseguimos realizar as análises em outubro, por conta da
extrema seca, sendo realizada somente em fevereiro de 2024, com os pesqueiros
apresentando profundidade entre 4,5 metros a 8,1 metros, com valor médio e desvio
padrão de 6,0 ± 0,8. Assim verificou-se que na região do baixo rio mamori, no período
de seca, os pesqueiros apresentam baixa profundidade. No ano de 2023, com a
intensa seca, o setor pesqueiro e ribeirinhos enfrentaram diversas dificuldades e
prejuízos. Áreas com baixa profundidade secaram e, consequentemente, reduziu os
territórios de pesca, fazendo a disputa e conflitos se intensificarem. Ribeirinhos
residentes nas áreas próximas às cabeceiras, precisavam percorrer longa distância
para acessar áreas onde pudessem navegar e isso causou o isolamento de famílias,
com dificuldade de acesso à água potável, alimentos, atendimento médico e demais
necessidades. Em novembro de 2023, os ribeirinhos passaram a pedir a paralisação
da atividade de pesca esportiva, pois a região não estava suportando. Os
empreendedores tiveram pacotes de pesca cancelados e clientes que optaram por
não retornar no ano seguinte. Com maior facilidade de captura dos recursos
pesqueiros, a pesca predatória se intensificou, prejudicando também a pesca de
subsistência. Para minimizar as dificuldades, sugere-se a realização de estudo de
capacidade de suporte das áreas de pesca, para determinar a quantidade adequada
de embarcações e operações por temporada, respeitando os limites do ambiente e
distribuindo o uso entre os empreendimentos existentes, minimizando conflitos e
prejuízos econômicos. Assim como a perfuração de poços artesianos, para mitigar os
efeitos das secas nas famílias ribeirinhas e fiscalização ambiental para inibir a pesca
predatória.
Palavras-chave: Nivel dos rios; Secas Extremas; Territórios pesqueiros; Vazante.
18
Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
19
INCENTIVOS À EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE PESQUISADORES
RIBEIRINHOS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO NO PROGRAMA
PÉ DE PINCHA
Marcele Cascaes Vasconcelos1; Paulo Cesar Machado Andrade1; Sandra Helena da Silva
Azevedo1; Midian Salgado Monteiro1; Gilberto Batista Viana Filho1; Ruben Rodrigues de Nunes
Júnior1
1Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Laboratório de Animais Silvestres, Manaus, AM.
E-mail: marcele.cascaes15@gmail.com
Na Amazônia as populações de comunidades ribeirinhas possuem rico conhecimento
(empírico) do meio natural em que estão inseridas, obtido por meio de sua experiência
cotidiana. Através de Programas de Extensão, é possível proporcionar a essas
comunidades a obtenção do conhecimento científico, que contribui para o
enriquecimento intelectual dessa população, além de incentivá-los a compreenderem
melhor o ambiente natural que os cerca, motivando-os a utilizar o necessário,
conservando para o futuro. Assim, este trabalho tem como objetivo descrever a
experiência de uma ribeirinha, que atua como coordenadora comunitária do Programa
de Pincha desde 2018, e descrever como o programa contribuiu para sua atuação
como pesquisadora, com obtenção de título de Mestra. O Programa de Pincha,
coordenado pelo Dr. Paulo Andrade, da Universidade Federal do Amazonas, tem
como objetivo a conservação de quelônios, sendo desenvolvido em parceria com
instituições e principalmente, com as comunidades ribeirinhas. Para a realização do
programa, a união entre conhecimento empírico (ribeirinhos) e conhecimento
científico (pesquisadores da UFAM), e ambas as partes aprendem com a troca de
experiência. Enquanto os pesquisadores ensinam sobre a ecologia, conservação e
forma correta de manejo das espécies, os ribeirinhos ensinam como encontrar os
ninhos com ovos de quelônios, realizam o monitoramento e cuidam dos filhotes até
serem devolvidos à natureza. O programa passa por três ciclos: Coleta dos ovos,
eclosão dos filhotes e soltura dos filhotes na natureza. Marcele Vasconcelos,
ribeirinha da comunidade Brasil 2, de Careiro/AM, se envolveu no Programa desde
2018 e neste período cursava faculdade na área de gestão ambiental. O contato com
os estudantes e pesquisadores, foi uma grande oportunidade, onde aprendeu mais
especificamente sobre os quelônios e toda a contribuição ecológica da espécie. Para
além disso, a ribeirinha pôde conhecer como era o ensino em uma universidade
federal, algo que parecia muito distante de sua realidade, mas através de incentivos e
apoio da equipe de Pincha, a ribeirinha, em 2022, foi aprovada no Programa de
Pós Graduação em Ciência Animal e Recursos Pesqueiros, da Universidade Federal
do Amazonas, para realizar seu mestrado e dar início à carreira como pesquisadora.
Em 2024, ao defender sua dissertação, Marcele detinha conhecimento suficiente que,
a tornou uma profissional apta a desenvolver pesquisas e atuar de maneira técnica,
podendo retornar à sua comunidade e contribuir de diversas maneiras, com o senso
crítico e conhecimento necessário para questionar situações que não eram
compreendidas pelos demais ribeirinhos da sua comunidade.
Palavras-chave: Conhecimento empírico; Conservação; Quelônios; Populações
Tradicionais.
Apoio: Acariquara e Instituto Claro.
20
DO VIRTUAL AO CONHECIMENTO TRADICIONAL: COMO GEOTECNOLOGIAS
PODEM SER APLICADAS PARA CONSERVAÇÃO DE ÁREAS DE DESOVA DE
QUELÔNIOS DE ÁGUA-DOCE
Gabriella de Azevedo Benchaya1; Camila Kurzmann Fagundes2; Bruce Walker Nelson3; Marcela
dos Santos Magalhães4
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e
Pesca Interior, Manaus, Amazonas; 2Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Departamento de Ciências
Naturais, Bagé, Rio Grande do Sul; 3Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Programa de Pós-
Graduação em Ecologia, Manaus, Amazonas; 4Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Instituto de Ciências
Biológicas, Departamento de Morfologia, Manaus, Amazonas.
E-mail: gabriellabenchaya@gmail.com
Dentre os grupos de vertebrados aquáticos, os quelônios de água doce lideram como
o grupo mais ameaçado, principalmente dentro do contexto de impactos advindos de
atividades antrópicas, como a instalação de barragens hidrelétricas. A compreensão
da mudança de disponibilidade de ambientes importantes para o ciclo de vida desses
animais é crucial para sua conservação. Dessa forma, a seguinte proposta tem como
principal objetivo relatar metodologias que podem ser utilizadas para a investigação
de potenciais áreas de desova de quelônios de água doce, baseando-se no
desenvolvimento de um projeto que está sendo realizado no rio Uatumã, a jusante da
Hidrelétrica de Balbina. Apesar da vasta disponibilidade de técnicas de análise
geoespacial, o emprego de sensoriamento remoto e mapeamento participativo
constituem metodologias que podem revelar aspectos sobre mudanças nesses
ambientes. Foram utilizados produtos de dois satélites, das coleções de Landsat 5 e 8
para levantamento e seleção de cenas disponíveis entre os anos de 1985 a 2024.
Após essa etapa, as imagens serão classificadas de acordo com áreas de interesse
(cursos d’água, vegetação, solo exposto e áreas de desova), para detectar mudanças
na quantidade de área disponível por classe, por meio do cálculo em metros
quadrados. O mapeamento participativo, uma ferramenta de diagnóstico associada ao
geoprocessamento, conta com a participação de comunitários envolvidos no manejo e
monitoramento de quelônios. Nesta etapa utilizaram-se quadrantes de um mapa
impressos em papel de alta gramatura, acompanhados de folhas de acetato
transparente para identificação de áreas conhecidas pelos comunitários como áreas
de desova. Acompanhando essa identificação, realizaram-se entrevistas que
documentaram espécies de quelônios relacionados àquela área conhecida e
abundância estimada de ninhos. A partir dos produtos obtidos com essa técnica, será
possível criar mapas temáticos que representam a distribuição atual das áreas de
desova, com base no conhecimento tradicional. Esses mapas também contribuirão
para a interpretação e conhecimento sobre as áreas de desova classificadas nas
imagens obtidas por sensoriamento remoto de anos mais recentes. Por fim, os
resultados obtidos através desses métodos poderão constituir importantes bases para
projetos de mitigação e avaliação de impactos de empreendimentos, além do
aumento da conscientização ambiental das comunidades participantes.
Palavras-chave: Água doce; Geoprocessamento; Impactos; Monitoramento;
Podocnemis.
Apoio: CAPES ( Código de financiamento 001), FAPEAM (Edital 017/2024 -
DIVULGA CT&I-Proc: 01.02.016301.01903/2025-0 e POSGRAD).
21
INFLUÊNCIA DO TEMPO DE CONGELAMENTO DO PLASMA NA
DETERMINAÇÃO DOS PARÂMETROS BIOQUÍMICOS PLASMÁTICOS
DE TAMBAQUI
Khyara Duane Silva da Costa1; Liliane Gomes Rodrigues1; Wanna Ashley Barbosa Figueiredo2;
Jean Felipe Silva de Abreu1; Marcio Quara de Carvalho Santos1
1Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas – IFAM, Coari, AM. 2Universidade Federal
do Amazonas – UFAM, Instituto de Saúde e Biotecnologia, Coari, AM.
E-mail: marcio.quara@ifam.edu.br
Os parâmetros bioquímicos plasmáticos atuam como indicadores do metabolismo
energético e ajustes fisiológicos dos animais, sendo sua avaliação uma importante
ferramenta para auxiliar no diagnóstico de diversas enfermidades. Vários fatores
durante a fase pré-analítica do plasma, tais como tempo e temperatura de
armazenamento, podem comprometer a estabilidade de amostras e reduzir a
confiabilidade dos resultados. Diante do exposto, este trabalho teve como objetivo
avaliar o efeito do tempo de congelamento do plasma na determinação dos
metabólitos bioquímicos, tendo como animal-alvo o tambaqui, Colossoma
macropomum, uma espécie com elevada importância socioeconômica para a região
Amazônica, além de ser o peixe nativo mais produzido no Brasil. Os peixes (n= 17;
Peso: 1.273,3 ± 208,3 g; Comprimento padrão: 34,8 ± 1,9 cm) foram capturados em
viveiro escavado na estação de piscicultura do IFAM Campus Coari e imediatamente
anestesiados por imersão em solução de benzocaína. A coleta sanguínea foi
realizada por punção caudal com auxílio de seringas com EDTA (10%) e
centrifugado para a obtenção do plasma. Todas as amostras foram imediatamente
analisadas para a determinação dos valores referenciais (tempo zero). Em seguida,
alíquotas foram mantidas congeladas a -20°C e analisadas nos tempos de 7, 15, 30
e 60 dias após a coleta, sendo descongeladas apenas uma vez, no seu respectivo
tempo amostral. Foram mensuradas as concentrações de glicose, triglicerídeos,
colesterol total, proteínas totais, albumina e globulinas por meio de metodologias
preconizadas na literatura. Os dados foram submetidos à análise de variância
(ANOVA) e comparados com os valores referenciais (tempo zero) pelo teste de
Dunnett, a 5% de probabilidade. Os níveis plasmáticos de glicose, triglicerídeos e
colesterol total não sofreram alterações significativas ao longo dos 60 dias de
congelamento a -20°C. Em contrapartida, as concentrações de proteínas totais,
albumina e globulinas apresentaram influência do tempo de congelamento, sendo
significativamente inferiores (p<0,05) ao final de 30 e 60 dias, quando comparadas
aos valores referenciais (tempo zero). A redução dos níveis de proteínas total +
frações (albumina e globulinas) indicou a degradação por ação das enzimas
proteolíticas presentes no plasma, e demonstraram que, apesar do congelamento a
-20°C, as proteases apresentaram atividades residuais que culminaram nas
reduções significativas observadas após 15 dias de armazenamento. Conclui-se que
os níveis plasmáticos de glicose, colesterol total e triglicerídeos de tambaqui
possuem alta estabilidade quando congelados por 60 dias a -20°C, diferentemente
das proteínas totais, albumina e globulinas que devem ser mensuradas em até 15
dias após o congelamento, visando a obtenção de dados confiáveis. Os
conhecimentos gerados contribuirão para a as pesquisas hematológicas envolvendo
o tambaqui.
Palavras-chave: Bioquímica Plasmática; Colossoma macropomum; Hematologia; Peixe.
22
Apoio: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas – IFAM.
23
A UTILIZAÇÃO DA MICROALGA Scenedesmus acuminatus DESIDRATADA NA
PRODUÇÃO DE Moina micrura (CRUSTACEA: BRANCHIOPODA
Natanael Sá de Lima¹; Edinaldo Nelson dos Santos Silva²; Maiby Glorize da Silva Bandeira2
Universidade Federal do Amazonas¹; Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia²
E-mail: natanaelslima162@gmail.com
As microalgas representam a base da cadeia alimentar aquática e desempenham
papel essencial no suporte nutricional do zooplâncton, que por sua vez é fundamental
na alimentação de larvas e alevinos de peixes em sistemas de piscicultura. Entre os
organismos zooplanctônicos, Moina micrura (Crustacea: Branchiopoda) destaca-se
como alimento vivo de alta qualidade, fornecendo proteínas, aminoácidos, lipídios e
vitaminas essenciais ao desenvolvimento inicial dos peixes. A microalga
Scenedesmus acuminatus (Chlorophyta) é amplamente utilizada em cultivos
laboratoriais e na aquicultura devido ao seu valor nutricional e facilidade de cultivo.
Contudo, a manutenção de cultivos contínuos eleva os custos de produção e gera
desperdícios de biomassa não consumida. Nesse contexto, métodos de preservação
como a desidratação surgem como alternativas de baixo custo, prolongando a
disponibilidade da microalga sem comprometer sua utilização como fonte alimentar. O
presente estudo avaliou o desempenho de Scenedesmus acuminatus desidratada em
comparação à forma in natura na produção de Moina micrura, considerando
crescimento populacional, abundância e biomassa. O experimento foi conduzido no
Laboratório de Plâncton do INPA, teve duração de 30 dias, com dois tratamentos (alga
in natura e desidratada). Os resultados demonstraram que (não houve diferenças
significativas) entre os tratamentos em relação ao crescimento populacional,
abundância e biomassa, confirmando a plasticidade alimentar de M. micrura. Assim, a
forma desidratada sustentou populações equivalentes àquelas alimentadas com alga
in natura. Conclui-se que S. acuminatus desidratada representa uma alternativa
prática, de baixo custo e eficiente para a produção de zooplâncton, beneficiando
pesquisas laboratoriais e aplicações na aquicultura, principalmente na piscicultura.
Palavras-chave: Aquicultura; Moina micrura; Microalgas; Piscicultura; Scenedesmus
acuminatus.
Apoio: CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
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FROTA PESQUEIRA UTILIZADA NA CAPTURA DO PIRARUCU MANEJADO NO
ESTADO DO AMAZONAS
Telmara Silva do Nascimento1; Cristina Ísis Buck Silva1; James Douglas Oliveira Bessa1
1Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis – IBAMA, Divisão Técnico-Ambiental – DITEC-
AM, Manaus, AM.
E-mail: telmarasdn@gmail.com
Este trabalho discute a frota pesqueira utilizada na cadeia de comercialização do
pirarucu (Arapaima gigas) manejado, sendo o maior peixe de água doce na região do
Estado do Amazonas, que desfruta de uma ampla diversidade de espécies da bacia
amazônica. No ano de 2022, 26 dos 62 municípios amazonenses participaram
ativamente do manejo sustentável do pirarucu, envolvendo comunidades locais
residentes em Unidades de Conservação federais e estaduais, Terras Indígenas e
áreas de Acordos de Pesca. Este estudo analisou a logística e o transporte desses
peixes pelas embarcações de pesca disponíveis para auxiliar na comercialização pós
captura do pescado, sendo fundamental para a comercialização. Os dados foram
extraídos de 25 relatórios técnicos anuais enviados ao IBAMA pelas assessorias das
áreas de manejo, compilados pela Divisão Técnico-Ambiental. Esses relatórios
detalham como ocorreu a pesca em cada localidade, quais as embarcações
envolvidas, os destinos do pescado comercializado e quais os compradores desse
pescado. Essas informações foram tabuladas através das análises das guias de
trânsito emitidas pelo IBAMA para o transporte regulamentado do pirarucu em 2022.
Nossos resultados mostraram que no ano em que o estudo foi realizado, foram
registradas 403 operações de pesca envolvendo 154 embarcações,
predominantemente barcos pesqueiros regionais, para o transporte do pirarucu
capturado. Os compradores incluem pessoas físicas e jurídicas, distribuídos por todo
o estado, refletindo a complexidade logística do comércio do pirarucu. A frota
pesqueira enfrenta desafios significativos, como a adaptação de barcos não
exclusivamente destinados ao transporte de peixe, afetando padrões de higiene e
logística. A diversidade de meios de transporte utilizados, incluindo fluvial, rodoviário e
aéreo, amplia as dificuldades operacionais e a necessidade de melhorar as práticas
de manejo e transporte. Em suma, a pesquisa destaca a complexidade da logística
envolvida no transporte do pirarucu manejado para fora das áreas de captura,
apontando para a necessidade de regulamentações mais rigorosas e melhoria nas
embarcações disponíveis para atender o manejo em relação a sua especificidade,
além da sua infraestrutura, como câmaras de refrigeração que atendam apenas o
pirarucu, assim garantindo a sustentabilidade e a qualidade do pescado
comercializado.
Palavras-chave: Comercialização; Manejo; Transporte.
Apoio: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis – IBAMA.
25
EFEITO DA PRESERVAÇÃO SOBRE A QUALIDADE NUTRICIONAL DA
BIOMASSA DE Moina micrura Kurtz 1874 (CRUSTACEA: ANOMOPODA)
Natanaely Lima de Souza¹; Maiby Gorize da Silva Bandeira²
¹Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus, AM; ²Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
(INPA), Coordenação de Biodiversidade, Manaus, AM.
E-mail: natanaely.souza10@gmail.com
O Estado do Amazonas apesar de possuir condições climáticas, biológicas e
abundância em recursos hídricos, hoje ocupa o 15º lugar do “ranking” nacional de
produção de peixes. Isto está ligado à baixa oferta de alevinos, principalmente devido
às altas taxas de mortalidade das larvas. A falta de alimento em quantidade e de ótima
qualidade nutricional, é um dos principais fatores ligados à alta taxa de mortalidade
das larvas. Os organismos zooplanctônicos vêm sendo ofertados para as larvas de
peixes como alimento vivo. Um dos cladóceros com grande potencial na piscicultura é
a Moina micrura Kurtz 1874 (Crustacea: Anomopoda). O congelamento e/ou
desidratação da biomassa é uma alternativa que reduz a necessidade de coleta diária,
permitindo uma estocagem prévia do alimento natural, garantindo disponibilidade em
quantidade durante a fase de larvicultura. Entretanto, é importante manter a qualidade
nutricional da biomassa, para que possa suprir as exigências nutricionais das larvas.
Portanto, esse estudo teve como pergunta norteadora: Qual o efeito de preservação
sobre a qualidade nutricional da biomassa de Moina micrura? Com o objetivo de
caracterizar a qualidade nutricional da biomassa de M. micrura e testar se a
preservação afeta esta qualidade nutricional, o experimento foi conduzido no
Laboratório de Plâncton do INPA, com cultivo em sistema de repicagem de volumes
menores, para volumes maiores (5L, 20L, e 150L) durante 90 dias, sob aeração
constante, temperatura entre 28–30 °C, fotoperíodo de 12h claro/12h escuro e
alimentação diária com Scenedesmus acuminatus (5x10⁶ células/mL). No final do
experimento, a biomassa total de M. micrura foi concentrada e colhida. A biomassa foi
concentrada em cadinhos, e levada para a pesagem com auxílio de uma balança
analítica, após a pesagem a biomassa foi embalada. Para a preservação, a biomassa
foi congelada durante 80 dias em um freezer com temperatura de 81ºC , após esse
período as amostras foram encaminhadas para análise centesimal. Para a biomassa
in natura foram realizados os mesmos procedimentos, porém após a pesagem, a
biomassa foi encaminhada imediatamente para o laboratório de análises. A biomassa
de M. micrura foi submetida à análise centesimal para determinação dos teores de
umidade, lipídeos e proteínas. Os resultados demonstraram elevados teores de
umidade em ambos os tratamentos (96,22% in natura e 94,52% congelada). Em base
seca, a proteína apresentou valores semelhantes (69,22% in natura e 70,91%
congelada). O teor de lipídeos foi superior na biomassa in natura (7,41%) em relação
à congelada (2,74%). O teor de cinzas foi de 21,68% e 28,04%, respectivamente. Os
valores gerais indicam que o congelamento não compromete a composição
centesimal. Conclui-se que o congelamento constitui uma alternativa viável para
preservação da biomassa de M. micrura, mantendo seu potencial como ingrediente
nutricional na larvicultura de peixes e garantindo disponibilidade em quantidade e
qualidade durante períodos críticos de cultivo.
Palavras-chave: Composição centesimal; Larvicultura; Microcrustáceos; Preservação
por congelamento.
26
Apoio: PAIC/FAPEAM.
27
ANÁLISE PARASITOLÓGICA DO TAMBAQUI DA ESTAÇÃO DE
PISCICULTURA DO IFAM CAMPUS COARI
Liliane Gomes Rodrigues1; Khyara Duane Silva da Costa1; Wanna Ashley Barbosa Figueiredo2;
Jean Felipe Silva de Abreu1; Elenice Martins Brasil3; Marcio Quara de Carvalho Santos1
1Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas – IFAM, Coari, AM. 2Universidade Federal do
Amazonas – UFAM, Instituto de Saúde e Biotecnologia – ISB, Coari, AM. 3Universidade Federal de Santa Catarina
– UFSC, Laboratório de Sanidade de Organismos Aquáticos – AQUOS, Florianópolis, SC.
E-mail: marcio.quara@ifam.edu.br
A criação intensiva do tambaqui, Colossoma macropomum, é uma alternativa para
aliviar a pressão da sobrepesca sobre os estoques pesqueiros da espécie, sem
prejudicar a oferta deste pescado para a população humana, que o tambaqui é o
peixe mais consumido no Amazonas e a espécie nativa mais produzida no país. O
sistema de cultivo intensivo pode desencadear infecções parasitárias que irão afetar o
crescimento dos peixes, além de elevar a taxa de mortalidade dos animais,
ocasionando prejuízos econômicos ao produtor. Assim, conhecer a fauna parasitária
do tambaqui é uma importante ferramenta para estabelecer medidas de prevenção
pontuais e coordenadas para evitar mortalidades e disseminação de doenças. Diante
do exposto, este trabalho teve como objetivo realizar a análise parasitológica de juvenis
de tambaqui cultivados em viveiro escavado na Estação de Piscicultura do IFAM
Campus Coari, Amazonas. Os tambaquis (n= 15) foram capturados com auxílio de
rede de arrasto e imediatamente eutanasiados por secção medular para realização
das análises parasitológicas. Em seguida, foi realizado um exame macroscópico para
avaliação de sinais clínicos e de parasitos visíveis a olho nu na superfície corporal dos
animais. Foi realizada a raspagem do muco de cada peixe, seguida da necropsia,
para a remoção das brânquias, olhos, intestino e fígado. Todos os fragmentos
coletados foram mantidos em soluções fixadoras até o momento das análises, sendo
o intestino conservado em solução AFA e os demais em álcool 70%. Durante a fase
de engorda dos peixes, foi realizado o monitoramento da qualidade da água do
cultivo, sendo aferidos os níveis de oxigênio dissolvido, temperatura, pH e
condutividade elétrica. Todos os parâmetros da água analisados permaneceram
dentro dos intervalos recomendados para a criação de peixes tropicais em sistemas
intensivos e dentro dos limites toleráveis para o tambaqui. Os peixes (1.273,3 ± 208,3
g) não apresentaram sinais clínicos de doenças ou evidências físicas de
deformidades, lacerações, descolorações e mutilação. Não foram encontrados
ectoparasitos e endoparasitos em nenhum dos órgãos analisados. A ausência de
parasitos pode estar relacionada ao fato da Estação de Piscicultura do IFAM Campus
Coari ser nova (aproximadamente 2 anos), bem como à adoção de boas práticas de
manejo que evitaram, por exemplo, a mistura de peixes de diferentes lotes, e
mantiveram a qualidade da água durante o cultivo dos tambaquis. No entanto, é
crucial a adoção das medidas profiláticas nos próximos ciclos de produção para
garantir a qualidade do pescado à longo prazo. Com base nos resultados obtidos,
conclui-se que que os tambaquis da Estação de Piscicultura do IFAM Campus Coari
estão livres deparasitos. Recomenda-se a ampliação da pesquisa com a inclusão das
demais pisciculturas presentes no município de Coari, Amazonas, visando a
elaboração de um mapeamento da parasitofauna na região.
Palavras-chave: Colossoma macropomum; Parasitologia; Peixe; Sanidade.
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Apoio: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas – IFAM.
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DIFERENÇAS SEXUAIS NA APRENDIZAGEM ESPACIAL DE UM PEIXE
AMAZÔNICO SEXUALMENTE DIMÓRFICO
Kalebe da Silva Pinto¹; Tiago Henrique da Silva Pires1; Jansen Zuanon1
1Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior. Instituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia (INPA), Manaus, AM. E-mail: kalebedsp@gmail.com
Diferenças cognitivas entre machos e fêmeas podem emergir como consequência de
pressões seletivas associadas a distintos papéis ecológicos e reprodutivos. Em muitas
espécies, o uso diferenciado do espaço (defesa de território, busca por parceiros ou
exploração de recursos) pode favorecer o surgimento de estratégias cognitivas
especializadas entre os sexos. Em espécies sexualmente dimórficas, como o tetra
amazônico Crenuchus spilurus, tais diferenças podem estar associadas também ao
grau de ornamentação, um traço sujeito à seleção sexual. Neste contexto,
investigamos se machos e fêmeas diferem em sua capacidade de aprendizagem
espacial e se a ornamentação influencia o desempenho cognitivo, testando a hipótese
de que pressões seletivas distintas moldam habilidades espaciais de forma
diferencial. Utilizamos um labirinto tridimensional de Lego© (40 x 25 cm; paredes de
8,8 cm de altura e 3,2 cm de largura) instalado em um aquário de 30 L (70 x 29 x 30
cm), contendo um setor inicial com abrigo e um setor de objetivo com abrigo como
recompensa. Após sete dias de habituação em aquários individuais, machos (n = 25)
e fêmeas (n = 18) foram testados individualmente no labirinto. O desempenho foi
avaliado pelo número de erros (entradas em becos sem saída) cometidos até
encontrar o setor de objetivo. Cada indivíduo realizou cinco tentativas diárias por cinco
dias consecutivos (25 tentativas no total). Crenuchus spilurus aprendeu a tarefa
espacial, com redução significativa no número de erros ao longo das tentativas.
Contudo, machos e fêmeas exibiram padrões distintos de aprendizagem: fêmeas
foram mais exploratórias e cometeram mais erros, enquanto machos apresentaram
melhora progressiva e mais consistente, superando as fêmeas ao final do
treinamento. Entre os machos, indivíduos mais ornamentados tiveram melhor
desempenho, sugerindo que a ornamentação está associada à eficiência cognitiva.
Fêmeas, que não possuem ornamentos vistosos, não apresentaram relação entre o
tamanho das nadadeiras e o desempenho cognitivo. Nossos resultados indicam que a
cognição em C. spilurus é modulada por fatores sexuais e morfológicos, refletindo
diferentes pressões ecológicas e comportamentais. Machos mais conspícuos e
vulneráveis à predação parecem compensar essa desvantagem com decisões
espaciais mais precisas, o que pode representar uma vantagem em contextos de
corte e defesa territorial. Já as fêmeas, mais móveis e exploratórias, priorizam a busca
por informações espaciais amplas, possivelmente relacionadas à seleção de locais de
oviposição e forrageamento. A aprendizagem espacial em C. spilurus representa um
componente-chave da adaptação comportamental, moldado pela interação entre
seleção sexual, ecologia e pressões evolutivas que favorecem estratégias cognitivas
diferenciadas entre os sexos.
Palavras-chave: Cognição, Diferenças de gênero, Labirinto complexo, Navegação,
Peixes.
Apoio: CAPES (Código de financiamento 001), FAPEAM (Edital 017/2024 -
DIVULGA CT&I-Proc: 01.02.016301.01903/2025-0 e POSGRAD).
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REGENERAÇÃO TECIDUAL NO DISCO DE Potamotrygon wallacei
(CHONDRICHTHYES: POTAMOTRYGONINAE)
Matheus Samuel Cunha Braga1; Maria Inês Braga de Oliveira2; Ruben Dario Morales Gamba3;
Cristiano Lopes de Lima4; Grazyelle Sebrenski da Silva2
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Programa de Pós Graduação em Biologia de Água Doce e
Pesca Interior (BADPI). 2Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Departamento de Morfologia. 3Fundación
para la Investigación y Desarrolo Sostenible (FUNINDES-Colombia). Cali, Valle del Cauca, Colombia. 4Instituto
Federal do Amazonas (IFAM). Departamento de Medicina Veterinária. E-mail: mscbbio@gmail.com
Elasmobrânquios (tubarões e arraias) são um dos grupos de vertebrados que apresentam
notável capacidade de reparo tecidual, com relatos majoritariamente voltados para espécies
marinhas que sofreram injúrias ocasionadas por causas naturais e antrópicas, com poucos
estudos experimentais e histológicos. Por outro lado, os estudos em arraias de água doce da
subfamília Potamotrygoninae são ainda mais escassos, com registros que apenas sugerem
regeneração tecidual, como por exemplo a arraia-cururu (Potamotrygon wallacei), espécie
endêmica do médio rio Negro, deixando assim lacunas sobre quais mecanismos são
utilizados para um eficiente reparo tecidual. Sendo assim, este estudo teve como objetivo
descrever as respostas teciduais após lesão no disco de P. wallacei e avaliar variações
quantitativas nos componentes teciduais pós lesão, comparando com a nadadeira íntegra.
Para atingir os objetivos, indivíduos jovens de P. wallacei (n=12) foram coletados no Lago
Cubá, Barcelos, Amazonas, Brasil. Lesões excisionais nas porções medial esquerda e direita
do disco foram realizadas utilizando punchs dermatológicos de 8 mm, após a anestesia dos
espécimes. As respostas teciduais iniciais (n=8), que consistem nas fases de reepitelização,
inflamação e proliferação foram avaliadas, realizando biópsias entre 24h e 28 dias. Para as
respostas tardias (n=4), que consiste na fase de remodelação, biópsias entre 45 e 90 dias
foram realizadas. As biópsias coletadas do disco passaram por processamento histológico de
rotina, sendo coradas com Hematoxilina e Eosina, tricrômico de Masson, ácido periódico de
Shiff (PAS) e Alcian blue pH 1,0 e 2,5 (AB 1 e 2,5). Medições da espessura da epiderme,
radiais cartilaginosos e fibras musculares transversais, assim como contagem de células
epiteliais, mucosas e condrócitos foram realizadas. Os dados obtidos foram comparados pelo
teste não paramétrico Kruskall Wallis, seguido do pós teste de Dunn. Durante as respostas
iniciais, a maior quantidade de células epiteliais e células mucosas ocasionaram o aumento
da espessura epidérmica entre 24 horas e 7 dias após a lesão. Células mucosas ativam
mucosubstâncias ácidas sulfatadas como mecanismo de proteção contra patógenos neste
mesmo período. Na derme e na camada muscular, exsudato inflamatório, infiltração
leucocitária, formação de tecido de granulação e necrose das fibras musculares marcam a
intensa resposta inflamatória nos 4 primeiros dias após a lesão, que diminuiu gradativamente
até 21 dias. Na fase proliferativa destacam-se a alta proliferação de fibroblastos; o início do
reparo do radial cartilaginoso em 14 dias e o primeiro registro de miofibroblastos atuando na
contração da lesão em elasmobrânquios. No radial, o início do reparo ocorreu por meio da
proliferação e diferenciação de células condroprogenitoras em condroblastos, que deram
início a deposição de uma nova matriz cartilaginosa resultando no aumento do número de
células no radial. No tecido muscular, a miogênese provavelmente ocorreu por meio de
células satélites. As respostas tardias consistiram na regeneração completa da camada
muscular e do radial cartilaginoso, resultados inéditos para elasmobrânquios. Os resultados
deste estudo demonstram que P. wallacei apresenta capacidade regenerativa eficaz nos
principais tecidos que constituem a nadadeira peitoral, incluindo o tecido cartilaginoso e
muscular, podendo ser considerada um modelo promissor para estudos de regeneração
tecidual em vertebrados.
Palavras-chave: Cartilagem; Elasmobrânquios; Histologia; Músculo Esquelético; Tegumento.
Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Fundação
31
de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas – FAPEAM/ DIVULGA CT&I/POSGRAD.
32
INFLUÊNCIA DO CÁDMIO (Cd) NA FISIOLOGIA E REPRODUÇÃO DE
QUELÔNIOS DE ÁGUA DOCE
Fernanda Victoria Nery Dias1, Lucas Maia Garcês1, Adriano Teixeira de Oliveira1
1Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM), Manaus, AM.
E-mail: diasfernandavn@gmail.com
A exposição ao cádmio (Cd) em tartarugas de água doce tem significativos impactos
fisiológicos e reprodutivos. O Cd é um metal pesado não essencial e tóxico, que entra
nos ecossistemas de água doce principalmente por meio de mineração, descargas
industriais e combustão de combustíveis fósseis. A ecotoxicologia fornece ferramentas
para analisar e identificar métodos de intervenção ideais. Estudos ecotoxicológicos em
tartarugas de água doce são amplamente baseados em relatórios de campo sobre
acumulação de contaminantes em tecidos, mas os mecanismos de absorção,
depuração, acumulação e efeitos toxicológicos de poluentes inorgânicos permanecem
pouco compreendidos. Os quelônios ocupam múltiplos níveis da cadeia alimentar,
fazendo com que a bioacumulação varie de acordo com a dieta das espécies. Com
esta revisão sistemática objetivou-se investigar os efeitos do cádmio (Cd) na fisiologia
e reprodução de quelônios de água doce. A busca foi feita nas databases do PubMed,
Scopus e Web of Science no qual foram identificados 32 estudos sobre contaminantes
metálicos em quelônios de água doce, dos quais o Cd foi reportado em oito, o cobre
(Cu) em nove e o mercúrio (Hg) em 24. Estudos de exposição alimentar em
Trachemys scripta elegans (Wied 1838) tartaruga-de-orelha-vermelha, mostraram que
o Cd se acumula predominantemente nos rins e no fígado, correlacionando-se com a
duração e a concentração da exposição. Outros relataram bioacumulação em
Trachemys scripta (Thunberg, 1972) slider de lagoa e Chrysemys picta (Schneider,
1783) tartaruga-pintada apenas nas carapaças e no fígado, demonstrando suas
estratégias de filtragem e metabolização dessas substâncias. A exposição ao Cd tem
sido associada à redução do número de células germinativas em embriões e ao
aumento da apoptose oocitária em neonatos, sugerindo potencial comprometimento
reprodutivo a longo prazo. No entanto, um estudo de bioacumulação em Podocnemis
mostra níveis mais elevados de Cd na casca dos ovos, sugerindo que a transferência
materna de elementos tóxicos para os ovos pode ser vantajosa para as fêmeas, visto
que elas podem diminuir regularmente a concentração de metais em seus corpos
durante os eventos de nidificação. Sendo assim, mais pesquisas são necessárias
para compreender completamente os impactos ecológicos da contaminação por Cd,
bem como estratégias de mitigação para reduzir seus efeitos na reprodução de
quelônios de água doce.
Palavras-chave: Contaminante; Metais-traço; Transferência materna.
33
EFEITOS DO USO E COBERTURA DA TERRA SOBRE AS
CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS DA ÁGUA DE RIACHOS DA BACIA
DO RIO GUAPORÉ
Thaís Caroline Martins Silva1; Luzia da Silva Lourenço2; Hugmar Pains da Silva3; Izaias Médice
Fernandes2
1,2Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais - PGCA. Universidade Federal de Rondônia - Campus
Universitário de Rolim de Moura, Rolim de Moura, Rondônia. 2Laboratório de Biodiversidade e Conservação -
LABICON. Universidade Federal de Rondônia – Campus Universitário de Rolim de Moura, Rolim de Moura,
Rondônia. 3Universidade do Estado de Mato Grosso, Faculdade de Ciências Agrárias, Biológicas, Engenharias e
da Saúde, Tangará da Serra, Mato Grosso.
E-mail: thaaimartins58@gmail.com
O uso e a cobertura da terra, assim como as características locais, são fatores
importantes para os parâmetros físico-químicos da água como temperatura da água,
oxigênio dissolvido, pH, condutividade elétrica, turbidez e sólidos suspensos totais
(TDS). Alterações nesses atributos da água podem afetar diferentes aspectos
morfológicos, fisiológicos e comportamentais dos organismos que vivem nesses
ambientes. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos do uso e a cobertura
da terra sobre a qualidade da água de riachos afluentes do rio Guaporé, bacia do rio
Madeira, no estado de Rondônia. Para essa finalidade, 82 riachos foram amostrados
entre junho de 2022 e julho de 2024, em 9 sub-bacias de drenagem. Em cada riacho,
foi selecionado um trecho de 50 m, no qual foram retiradas as medidas conforme o
protocolo do Projeto Igarapés. Esse protocolo consiste na amostragem dos
parâmetros físico-químicos do trecho a ser analisado. Os parâmetros físico-químicos
foram medidos com o auxílio de uma sonda multiparâmetro Hanna. Para quantificar o
efeito do uso do solo no entorno dos riachos, a proporção dos diferentes tipos de uso
do solo foi extraída de um buffer circular de 1 km de raio de uma imagem do uso do
solo do MapBiomas do ano de 2022 (Coleção 8). Esses dados foram utilizados para
calcular o grau de conservação do ambiente terrestre no entorno dos riachos. O efeito
do uso do solo sobre as variáveis físico-químicas da água foi avaliado por meio de um
Modelo Linear Generalizado (GLM) com distribuição Gaussiana. Enquanto o oxigênio
dissolvido (r²=0,18 e p<0,001) apresentou uma relação positiva com quantidade de
ambiente natural no entorno dos riachos, o pH (r²=0,10 e p=0.003), a condutividade
elétrica (r²=0,12 e p=0,001), o TDS ((r²=0,12 e p=0,001), a turbidez (r²=0.051 e
p=0.039) e a temperatura (r²=0,23 e p<0,001) apresentaram uma relação negativa.
Em locais com maior proporção de ambientes nativos, também há maior proporção de
floresta, que impede que os raios solares alcancem a superfície da água, mantendo-a
em temperaturas mais baixas e, consequentemente, com maior teor de oxigênio
dissolvido disponível na coluna d’água. O contrário ocorre em ambientes
antropizados, nos quais os raios solares incidem diretamente na superfície da água,
aumentando a temperatura. A maior turbidez, condutividade elétrica e quantidade de
sólidos suspensos totais em riachos mais antropizados está relacionada à exposição
do solo, que permite o carreamento de partículas do solo para dentro dos riachos, o
que pode resultar no aumento da acidez da água.
Palavras-chave: Amazônia; Igarapés; Uso do Solo.
Apoio: FAPERO e CAPES pela bolsa concedida a Thaís Caroline Martins Silva.
34
PERFIL ERITROCITÁRIO DA ARRAIA Potamotrygon motoro
(CHONDRICHTHYES: POTAMOTRYGONINAE) DO BAIXO RIO
SOLIMÕES, AMAZONAS
Marcio Quara de Carvalho Santos1,2; Flávia Dayane Felix Farias1; Paulo Henrique Rocha Aride3;
Adriano Teixeira de Oliveira1,3
1Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Programa de Pós-graduação em Ciência Animal e Recursos
Pesqueiros – PPG-CARP, Manaus, AM. 2Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas –
IFAM, Campus Coari, AM. 3Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas – IFAM,
Campus Manaus Centro, AM. E-mail: marcio.quara@ifam.edu.br
A avaliação dos parâmetros hematológicos pode facilitar o diagstico do estado de saúde
dos animais e contribuir para a produção animal, manejo e conservação de populações
naturais. Apesar da importância, existem várias espécies de arraias para as quais essas
avaliações são reduzidas ou desconhecidas. Além disso, os estudos com arraias dulcícolas
em ambiente natural foram realizados majoritariamente em ambientes de água preta na
bacia do Rio Negro. Em ambientes de água branca da bacia Amazônica, as avaliações
hematológicas envolvendo as arraias ainda são pouco exploradas. Com intuito de aumentar
o conhecimento sobre a biologia de espécies da subfamília Potamotrygoninae, o objetivo
deste estudo foi determinar os parâmetros eritrocitários de Potamotrygon motoro proveniente
da região do baixo Rio Solimões, Amazonas, Brasil. Foram capturados 92 espécimes de P.
motoro, de ambos os sexos e em diferentes fases de desenvolvimento (neonatos e juvenis).
As capturas foram realizadas entre setembro de 2022 e fevereiro a 2023, no período
noturno, com auxílio de rede de arrasto em praias de água branca, no entorno dos
municípios de Manaquiri, Manacapuru e Iranduba. Imediatamente após a captura, as arraias
foram anestesiadas com solução de benzocaína e a coleta sanguínea foi realizada por
punção da artéria branquial utilizando seringas com EDTA (10%). O sangue foi destinado
para a determinação de hematócrito (Ht), hemoglobina (Hb), número de eritrócitos (RBC) e
dos índices hematimétricos: volume corpuscular médio (VCM) e concentração de
hemoglobina corpuscular média (CHCM). A fase de desenvolvimento foi estabelecida a partir
das medidas da largura do disco e a determinação sexual por observação direta do clásper.
A análise de variância (ANOVA) foi utilizada para a comparação entre neonatos, juvenis
machos e juvenis fêmeas de P. motoro, seguido do teste de Tukey, a 5% de significância.
Foram capturados 11 neonatos, 40 juvenis machos e 41 juvenis fêmeas, com larguras de
disco de 12,3 ± 1,4; 22,1 ± 7,1 e 23,1 ± 3,0 cm, respectivamente. Não foram observadas
diferenças significativas entre machos e fêmeas em nenhum dos parâmetros analisados.
Contudo, os neonatos apresentaram valores significativamente inferiores (p<0,05) de Ht, Hb,
RBC e CHCM em relação a ambos. De modo geral, peixes mais novos são mais sedentários
em comparação com organismos mais velhos, no entanto, à medida que o organismo
cresce, a atividade metabólica aumenta, resultando na modificação do perfil eritrocitário do
animal. Ao comparar os resultados obtidos no presente estudo com as informações
disponíveis na literatura, foi possível verificar que o eritrograma das arraias analisadas
apresentou valores dentro dos níveis relatados em potamotrigoníneos de outras localidades,
demonstrando que, independentemente da local, espécie e sexo, os valores tipicamente
baixos o característicos do grupo. Estes resultados servirão de base para a avaliação do
estado de saúde de arraias em ambientes de água branca, podendo ser utilizados para a
identificação de distúrbios hematológicos e acompanhamento das adaptações fisiológicas
desses animais em situações de alterações ambientais.
Palavras-chave: Elasmobrânquio; Hemograma; Peixe Ornamental; Saúde animal.
Apoio: IFAM; FAPEAM (Processos 01.02.016301.03250/2021-78 e
35
01.02.016301.03216/2021-01); CNPq (Processo 102455/2022-8).
36
SCIRTIDAE (COLEOPTERA) DA RESERVA FLORESTAL ADOLPHO DUCKE,
AMAZÔNIA, BRASIL
Ramnara dos Santos Cavalcante¹; Gabrielle Jorge de Melo²; Neusa Hamada²
¹Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus, AM.
²Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Coordenação de Biodiversidade, Manaus,
AM. E-mail: cavalcantenara164@gmail.com
Scirtidae (Coleoptera) representa um grupo cosmopolita de besouros, cujas larvas
são aquáticas e os adultos terrestres, ainda pouco estudado na região Neotropical,
especialmente na Amazônia. A Reserva Florestal Adolpho Ducke, uma área de
10.000 hectares localizada em Manaus (AM), constitui uma área de referência para
diversas pesquisas em biodiversidade, embora o conhecimento sobre Scirtidae seja
incipiente nessa área. Considerando esse cenário, o presente estudo teve como
objetivo inventariar os representantes de Scirtidae na reserva, contribuindo para
preencher lacunas taxonômicas da família. Os espécimes de Scirtidae analisados
foram coletados no período entre 2010 e 2016, em igarapés da reserva, utilizando
armadilhas Malaise (interceptação de voo) e Pennsylvania (luminosa). Os espécimes
foram armazenados em álcool 80% e posteriormente analisados no Laboratório de
Citotaxonomia e Insetos Aquáticos (LACIA/INPA). A identificação taxonômica
baseou-se em literatura especializada e complementada por dissecação de
estruturas abdominais, processadas em KOH 10%, ácido acético e montadas em
lâmina para observação em microscópio óptico. Após a triagem, o material foi
incorporado à Coleção de Invertebrados do INPA. Foram identificados seis
morfotipos de Scirtes Illiger, 1807, ampliando a diversidade conhecida de Scirtidae
para a Reserva Florestal Adolpho Ducke, antes restrita apenas a uma única espécie:
Prionocyphon lira Ruta, 2023. Os seis morfótipos são novas espécies de Scirtes que
serão posteriormente descritas e ilustradas. Os resultados encontrados indicam que
a diversidade de Scirtidae na Amazônia pode estar sendo subestimada e confirmam
a relevância da Reserva Ducke como área estratégica para estudos entomológicos e
de conservação.
Palavras-chave: Besouros aquáticos; Biodiversidade; Coleoptera; Entomologia.
Apoio: Apoio: PIBIC/CNPq.
37
POLÍTICAS PÚBLICAS DE PROTEÇÃO ÀS ESPÉCIES AMEAÇADAS DE
EXTINÇÃO: UMA ANÁLISE DOS IMPACTOS SOBRE OS PEIXES CONTINENTAIS
AMANICOS
Yeda Raquel Rocha da Rocha¹; Roberto Vilhena do Espírito Santo1; Alberto Akama2
¹Instituto Federal do Pará (IFPA) – Campus Belém. 2Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Coordenação
de Zoologia. E-mail: yedarochabio@gmail.com
A conservação das espécies de água doce na Amazônia enfrenta desafios significativos
devido às pressões humanas, principalmente hidrelétricas e agropecuária. De acordo com o
Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (2018), das 311 espécies de
peixes de água doce classificadas como ameaçadas no Brasil, 94 vivem na Bacia Amazônica,
cerca de 30% do total nacional, mostrando a vulnerabilidade dos ecossistemas aquáticos
frente às alterações ambientais. O Brasil possui uma longa trajetória de leis e programas
voltados à conservação da biodiversidade, iniciada com a adesão à Convenção sobre
Diversidade Biológica (CDB) na Rio 92, seguida da Política Nacional da Biodiversidade e das
Metas de Aichi, voltadas à redução da perda de espécies. Para implementar essas diretrizes,
o Ministério do Meio Ambiente criou o Programa Pró-Espécies, que protege espécies
ameaçadas por meio de listas oficiais, planos de ação nacionais (PANs) e territoriais (PATs),
com avaliações conduzidas pelo Instituto Chico Mendes e pelo Jardim Botânico do Rio de
Janeiro, usando critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e a
participação de pesquisadores de diversas instituições. A pesquisa buscou identificar as
principais ameaças às espécies de peixes amazônicos ameaçadas e avaliar a efetividade das
políticas públicas. A hipótese levantada foi que grandes empreendimentos hidrelétricos são a
maior ameaça e que as políticas vigentes ainda não protegem suficientemente as espécies. O
estudo adotou abordagem descritiva e comparativa, utilizando dados do Livro Vermelho da
Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção Volume VI: Peixes. Foram analisadas fichas de
espécies amazônicas classificadas como Vulnerável (VU), Em Perigo (EN) e Criticamente em
Perigo (CR), conforme critérios da UICN. Os dados foram organizados em planilhas com
espécies, categorias, critérios, localização e ameaças, permitindo o mapeamento das
principais ameaças e áreas afetadas. Os resultados foram comparados com listas oficiais,
incluindo a Portaria MMA 445/2014, que garante proteção integral às espécies listadas, a
Portaria MMA 148/2022 e os PANs voltados à conservação da ictiofauna amazônica,
evidenciando lacunas na proteção. Os resultados mostraram que a bacia Tocantins-Araguaia
é a mais impactada, com 53 espécies ameaçadas, seguida pelas bacias do Xingu, Tapajós,
Amazonas, Trombetas e Rio Branco. Hidrelétricas e agropecuária são as principais ameaças,
degradando habitats aquáticos. Grandes empreendimentos frequentemente têm impactos
subestimados no licenciamento ambiental, e uma decisão política recente, o PL 2159/2021,
flexibiliza ainda mais as normas, aumentando os riscos à biodiversidade. Apesar de
instrumentos legais como a Portaria MMA 445/2014, a Portaria MMA 148/2022 e os
PANs, sua efetividade é limitada devido à falta de integração entre políticas ambientais,
econômicas e de desenvolvimento, comprometendo a proteção das espécies diante da
magnitude dos impactos. Conclui-se que mapear as espécies ameaçadas e suas principais
ameaças fornece subsídios para aprimorar a gestão ambiental e fortalecer políticas de
conservação. A integração entre dados científicos, instrumentos legais e ações
governamentais, considerando os impactos de grandes empreendimentos e a necessidade de
alinhamento entre políticas setoriais, é fundamental para garantir a manutenção da
biodiversidade aquática, especialmente em bacias mais vulneráveis, como a Tocantins-
Araguaia.
Palavras-chave: Análise de dados; Bacia Amazônica; Conservação ambiental; Hidrelétricas;
UICN.
38
Apoio: PIBIC/MPEG – CNPq.
39
TOLERÂNCIA TÉRMICA E VULNERABILIDADE AO AQUECIMENTO DO PEIXE
AMAZÔNICO Brycon amazonicus, MATRINXÃ: RESPOSTAS METABÓLICAS E
FISIOLÓGICAS
Jhonatan Mota da Silva1, Renan Diego Amanajás2, Susana Braz Mota3, Maria de Nazaré Paulo4,
Adalberto Luis Val5
1Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Avenida
André Araújo 2936, 69067-375, Petrópolis, Manaus, Amazonas, Brasil.
Email: Jhonatan.motabio@gmail.com
Este estudo avaliou as respostas bioenergéticas dos juvenis de Brycon amazonicus
submetidos ao estresse térmico em cenários de aquecimento projetados pelo IPCC
para 2100. Os peixes foram aclimatados por duas semanas em três condições:
controle (temperatura ambiente), +4 °C e +6 °C, com incremento gradual de 1 °C/dia
até atingir os valores-alvo. Após o período de bioensaio, amostras de sangue foram
coletadas para análises hematológicas (RBC, Ht, [Hb], VCM, HCM e CHCM) e
bioquímicas (glicose e lactato). Em seguida, tecidos hepáticos e de músculo branco
foram coletados para determinação da atividade de enzimas metabólicas (LDH, MDH
e CS). Os resultados evidenciaram elevação da glicose plasmática (28,4 ± 1,6 no
controle vs. 41,2
± 2,9 em +6 °C; p < 0,01) e aumento do lactato (3,2 ± 0,3 no controle vs. 6,1 ± 0,6 em
+6 °C; p < 0,001), indicando maior recrutamento do metabolismo anaeróbico.
Paralelamente, RBC, Ht e [Hb] aumentaram nos grupos aquecidos, sugerindo ajustes
no transporte de oxigênio. Contudo, o VCM reduziu, possivelmente associado à
intensa eritropoiese. No crescimento, não houve diferença no ganho de peso, embora
o fator de condição tenha mostrado tendência de declínio a +6 °C. A atividade da LDH
aumentou no músculo branco, enquanto a MDH foi elevada no fígado, sugerindo
maior demanda energética. Em contrapartida, a CS apresentou redução nos grupos
aquecidos, indicando comprometimento do metabolismo oxidativo. Em síntese, o
aquecimento promoveu ajustes fisiológicos e metabólicos em B. amazonicus,
caracterizados por intensificação da glicólise anaeróbica, modulação hematológica e
possível prejuízo da bioenergética mitocondrial.
Palavras-chave: Amazônia; Characiforme; Mudança climáticas; Peixes;
Termotolerância.
Apoio: CAPES - Código de Financiamento 001 e da Fundação de Amparo à Pesquisa
do Estado do Amazonas (FAPEAM/POSGRAD Edital Nº 017/2024 - DIVULGA CT&I-Proc:
01.02.016301.01903/2025-0). O INCT-ADAPTA II é financiado pelo CNPq (Processo
465540/2014-7), CAPES (Código de Financiamento 001) e FAPEAM (Processo
062.01187/2017).
40
DIVERSIDADE E COMPOSIÇÃO DE ASSEMBLEIAS DE PEIXES DE PRAIAS
NO MÉDIO RIO NEGRO
Anderson Barroso Maquiné1; Rômulo Ferreira dos Santos1; Walter Nobre da Silva Conceição1;
Daniel José de Lima Prestes1; Francielma Simões Vargas1; João Victor Silva de Souza1; Karla
Garcia Vasconcelos1; Francinete Tobar Bernardo1; João Marcos Miranda Nogueira1; Paulo
Victor Oliveira Neles1; Marcelo Lima de Barros1; Kedma Cristine Yamamoto2
1Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Graduação em Engenharia de Pesca, Manaus, AM. 2Universidade
Federal do Amazonas (UFAM), Departamento de Ciências Pesqueiras, Manaus,
AM. E-mail: andderson_barroso@hotmail.com
A região do médio rio Negro abriga uma elevada diversidade de ictiofauna amazônica, sendo
essencial compreender a composição e estrutura das assembleias de peixes que utilizam as
praias fluviais como habitats temporários. Este estudo teve como objetivo analisar a
diversidade e composição das assembleias de peixes em praias dos rios Aracá e Demeni,
ambos afluentes do rio Negro, buscando responder à pergunta: as assembleias de peixes
apresentam diferenças de composição e riqueza entre rios e períodos de coleta (diurno e
noturno)? Partiu-se da hipótese de que as assembleias noturnas exibem maior riqueza e
diversidade específica em relação às diurnas, devido à variação comportamental e ecológica
das espécies. As coletas foram realizadas entre os dias 16 e 20 de abril de 2016, em praias
selecionadas aleatoriamente de acordo com a viabilidade operacional dos arrastos. As
capturas ocorreram em dois períodos, das 06h00 às 10h00 e das 18h00 às 22h00, utilizando
uma rede de arrasto manual de 30 m x 6 m e malha de 20 mm entre nós opostos. Após a
coleta, os peixes foram identificados com auxílio de chaves taxonômicas e especialistas do
INPA, e submetidos à biometria (peso e comprimento padrão). Alguns exemplares foram
fixados em formalina 10% e encaminhados ao Laboratório de Ictiologia da Universidade
Federal do Amazonas como material testemunho e didático. Foram capturados 972 indivíduos,
distribuídos em 92 espécies, 64 gêneros, 23 famílias e 7 ordens. A ordem Characiformes foi a
mais representativa, seguida por Siluriformes, Perciformes e Gymnotiformes. No rio Aracá,
foram registrados 259 indivíduos pertencentes a 43 espécies, com predomínio das
Characiformes (53,5%), seguidas por Siluriformes (23,5%) e pelas ordens Perciformes e
Gymnotiformes (23%). O rio Demeni apresentou maior riqueza e abundância, com 713
indivíduos distribuídos em 71 espécies, sendo as ordens Characiformes, Siluriformes,
Perciformes e Gymnotiformes responsáveis por 42,25%, 33,8%, 12,7% e 7,04% das capturas,
respectivamente, enquanto Clupeiformes, Myliobatiformes e Pleuronectiformes foram
representadas por apenas uma espécie cada (4,2% do total). Entre as famílias mais
abundantes destacaram-se Characidae, Cichlidae e Hemiodontidae no Aracá, e Loricariidae,
Serrasalmidae, Auchenipteridae e Cichlidae no Demeni. As espécies dominantes foram
Cyphocharax leucostictus, Pseudoloricaria laeviuscula, Tetragonopterus argenteus e
Anduzedoras oxyrhynchus no Aracá, e Cyphocharax leucostictus, Moenkhausia
grandisquamis, Geophagus proximus e Geophagus winemilleri no Demeni. Os índices
ecológicos indicaram maior diversidade e riqueza no Demeni à noite (H = 2,906; Margalef =
8,977), enquanto o Aracá apresentou maior equitabilidade diurna (J = 0,9608) e dominância
noturna (Berger-Parker = 0,5339). Os resultados evidenciaram que as praias do médio rio
Negro abrigam comunidades de peixes diversas, com variação espacial e temporal
significativa. A predominância de Characiformes reflete a importância ecológica desse grupo
em ambientes fluviais amazônicos. A maior riqueza noturna sugere que a atividade alimentar
e o uso do habitat variam ao longo do dia, influenciando a estrutura das assembleias. Conclui-
se que as diferenças observadas entre rios e períodos de coleta estão relacionadas às
características ambientais locais e comportamentais das espécies, ressaltando a relevância
das praias fluviais como habitats essenciais para a ictiofauna da bacia do rio Negro.
Palavras-chave: Habitats Fluviais; Ictiofauna Amazônica; Riqueza Específica.
41
A PRESENÇA DE OUTRAS ESPÉCIES E A POSIÇÃO NO BANCO DE
HERBÁCEAS INFLUENCIAM AS CARACTERÍSTICAS MORFOMÉTRICAS DA
AGUAPÉ (Eicchornia crassipes)
Monique Taiane dos Santos Brasil¹, Ana Carollina Bezerra Silva e Silva¹, Pedro Lucas Feitosa
da Silva¹, Luiz Victor Alves Bezerra¹
¹Estudantes do Programa de Pós-graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior/Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia (BADPI/INPA)
E-mail: moniquetsbrasil@gmail.com
A espécie Eichhornia crassipes, conhecida como aguapé, é uma macrófita aquática
flutuante nativa da América do Sul, amplamente distribuída em regiões tropicais e
subtropicais. Seu sucesso ecológico está associado à morfologia, estratégias
vegetativas e à capacidade de se adaptar a diferentes condições ambientais. Este
estudo investigou como a presença de outras espécies e a posição no banco de
herbáceas influenciam as características morfométricas de E. crassipes, partindo da
hipótese de que indivíduos em bancos mistos e posições centrais apresentam
maior desenvolvimento morfológico devido à competição por luz e espaço. As coletas
foram realizadas no Lago Janauari (12′ 36″ S, 60° 1′ 56″ W), em Iranduba (AM),
em dez pontos distribuídos entre bancos dominantes de E. crassipes e bancos
mistos. Em cada um dos pontos amostrados, foram coletados 3 indivíduos na borda e
3 no centro do banco, totalizando 60 exemplares. Foram obtidas medidas de raízes,
caules (comprimento, diâmetro e número) e folhas (área foliar). Para alise, aplicamos
Análise de Componentes Principais (PCA) e ANOVA fatorial (2x2) utilizando o software
RStudio. Os resultados mostraram que os dois primeiros componentes principais
explicaram 86,6% da variabilidade observada. Houve diferenças significativas nas
características morfométricas em função da posição no banco e da dominância da
espécie (p < 0,001). Indivíduos em bancos mistos e posições centrais apresentaram
maior investimento em estruturas aéreas, incluindo caule, diâmetro e área foliar,
sugerindo que a espécie ajusta seu crescimento para maximizar a captura de luz em
ambientes competitivos. Observou-se um gradiente de desenvolvimento morfológico
crescente, seguindo o padrão DOMINANTE_BORDA < DOMINANTE_CENTRO
< MISTO_BORDA <
MISTO_CENTRO, evidenciando maior plasticidade em condições de competição mais
intensa. Concluímos que a presença de outras espécies e a posição no banco de
herbáceas influenciam diretamente a morfologia de E. crassipes. A plasticidade
morfológica, evidenciada pelo maior investimento em estruturas aéreas em resposta à
competição, contribui para seu sucesso ecológico e potencial invasor. Esses
resultados reforçam a importância de compreender os mecanismos adaptativos da
espécie, oferecendo subsídios para estudos sobre a dinâmica de comunidades
aquáticas e manejo de macrófitas invasoras.
Palavras-chave: Competição interespecífica; Comunidades aquáticas; Macrófitas
aquáticas; Várzea amazônica.
Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil
(CAPES) Código de financiamento 001, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado
do Amazonas FAPEAM/ Edital 017/2024 - DIVULGA CT&I-Proc:
01.02.016301.01903/2025-0/POSGRAD. CNPq.
42
INFLUÊNCIA DA PROFUNDIDADE NA COMPOSIÇÃO DE BANCO DE
HERBÁCEAS AQUÁTICAS NA VÁRZEA AMAZÔNICA
William Daniel Negreiros de Oliveira¹, Lilian Cristina dos Santos Souza¹, Wesley de Lima
Machado¹, Kalebe da Silva Pinto²
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Mestrando PPG-BADPI. ²Instituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia (INPA), Doutorando PPG-BADPI. E-mail: williamdaniel.ndo@gmail.com
As herbáceas aquáticas são essenciais nos ecossistemas alagáveis, desempenhando
papéis ecológicos fundamentais. Na Amazônia, a diversidade dessas plantas é
influenciada pelo pulso de inundação, tipo de água, luminosidade e pH. No entanto,
outros fatores ambientais, como profundidade e declividade, também podem modular a
estrutura e a composição dessas comunidades. Assim, o presente estudo teve como
objetivo investigar a influência da profundidade sobre a riqueza e a diversidade de
herbáceas aquáticas em um lago amazônico. O estudo foi realizado no Lago Janauari,
município de Iranduba, Amazonas, Brasil (3°12′35”S; 60º01’56”W), durante o período de
vazante. O lago é caracterizado por receber águas do rio Negro e do rio Solimões,
apresentando características físicas e químicas intermediárias de águas mistas. Foram
amostrados oito transectos (quatro na margem norte e quatro na margem sul), com
aproximadamente 13 metros de comprimento cada. Em cada transecto, sete quadrantes
de 1 m² foram avaliados a intervalos de 1 metro. Em cada quadrante foram registrados: (i)
presença das espécies de herbáceas aquáticas; (ii) cobertura vegetal de cada espécie
(%); e (iii) profundidade da água. A riqueza foi calculada como a soma das presenças (0
ou 1) das diferentes espécies em cada quadrante, e a diversidade foi estimada pelo índice
de Shannon-Wiener (H’), por meio da função diversity() do pacote vegan (versão 4).
Foram ajustados dois Modelos Lineares Generalizados (GLMs) independentes, tendo a
profundidade (variável contínua) e a margem (variável categórica: “norte” e “sul”) como
preditores, incluindo a interação entre esses fatores. Foram identificadas 24 espécies de
herbáceas aquáticas, distribuídas em seis modos de vida: flutuantes livres (29,17%),
emergentes (25%), fixas com caules flutuantes (16,67%), flutuantes livres submersas
(12,5%), trepadeiras (8,33%) e anfíbias (4,17%), além de 4,17% não identificadas. As
profundidades registradas ao longo dos oito transectos variaram entre 1,12 e 7,00 m. No
transecto 1, os valores oscilaram entre 6,39 e 7,00 m; no transecto 2, entre 6,24 e 6,94 m;
no transecto 3, entre 3,67 e 4,70 m; no transecto
4, entre 4,53 e 5,31 m; no transecto 5, entre 1,12 e 3,51 m; no transecto 6, entre 1,79 e
3,36 m; no transecto 7, entre 4,82 e 5,80 m; e no transecto 8, entre 3,44 e 4,61 m. Os
resultados indicam a profundidade como um fator central na determinação da estrutura
das comunidades de macrófitas aquáticas, modulando tanto a riqueza quanto a
diversidade de espécies. O efeito da profundidade sobre a riqueza depende da margem
(interão Margem
× Profundidade: p = 0,002) na margem norte, a riqueza aumentou com a profundidade,
enquanto na margem sul o efeito foi inverso (p = 0,003). A relação riqueza-profundidade
apresentou padrão unimodal, com pico em profundidades intermediárias, onde coexistem
espécies com estratégias de vida complementares. A diversidade também foi fortemente
influenciada pela profundidade (p = 0,005), evidenciando que esse gradiente atua como
um filtro ambiental crítico, restringindo a fotossíntese e o estabelecimento de espécies em
zonas mais profundas. Conclui-se que a profundidade regula a estrutura das
comunidades de macrófitas aquáticas por meio de filtros físicos e limitações fisiológicas e
funcionais.
Palavras-chave: Diversidade; Macrófitas aquáticas; Riqueza.
43
Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES),
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM)/DIVULGA
CT&I/POSGRAD.
44
IDENTIFICAÇÃO MOLECULAR DE Gladioglanis conquistador LUNDBERG,
BORNBUSCH & MAGO-LECCIA, 1991 (SILURIFORMES HEPTAPTERIDAE) COM
O USO DO GENE MITOCONDRIAL 16S rRNA
Suanny Lima da Rocha1,2; Giselle Moura Guimarães Marques1,2 ; Jacqueline da Silva Batista1,3;
Marcelo Salles Rocha3,4
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); 2Programa de Pós Graduação em Biologia de Água Doce e
Pesca Interior – PPG BADPI; 3Coordenação de Biodiversidade (COBIO/INPA); 4Universidade do Estado do
Amazonas-UEA-ENS.E-mail:suannyrocha378@gmail.com
Gladioglanis conquistador encontrado em pequenos igarapés da bacia Amazônica, habitando
águas rasas e de fluxo lento, com substrato arenoso e acúmulo de folhiços, tanto em igarapés
de águas claras quanto pretas. A espécie se destaca por suas características morfológicas
distintas e sua ampla distribuição no sistema amazônico, podendo representar espécies
crípticas ou mais de uma unidade biológica ao longo de sua distribuição geográfica. As
técnicas moleculares constituem ferramentas fundamentais em estudos voltados à
identificação de peixes e a elucidação de suas relações filogenéticas, sendo importante nos
casos em que a identificação com base em caracteres morfológicos não são suficientes para
identificar espécies crípticas, plasticidade fenotípica e estágios imaturos, auxiliando de forma
significativa a taxonomia tradicional. Entre os marcadores mais utilizados, os genes
mitocondriais apresentam elevada taxa de evolução e são amplamente empregados na
identificação molecular e em estudos populacionais. O gene mitocondrial 16s rRNA tem se
mostrado útil para estudos de diversidade genética e relações filogenéticas entre espécies.
Nesse contexto, compreender a diversidade genética de uma espécie ao longo de sua
distribuição geográfica é essencial, não apenas para a caracterização da biodiversidade do
local, mas também para traçar estratégias de conservação. Desse modo, o presente estudo
teve como objetivo avaliar a eficácia do 16S rRNA na identificação molecular e inferência
filogenética de Gladioglanis conquistador em quatro bacias amazônicas (Purus, Madeira,
Javari e Jatapu). Foram analisadas amostras da coleção de recursos genéticos do INPA,
identificadas morfologicamente. O DNA foi extraído através do método Hotshot, o gene
amplificado com primers específicos. Os fragmentos foram sequenciados com kit Bigdye
Terminator v3 em analisador automático de DNA ABI 3130xL (ThermoFisher). As sequências
foram analisadas no programa Chromas e Bioedit, alinhadas utilizando alinhamento ClustalW,
e a árvore filogenética foi gerada pelo método de Máxima Verossimilhança (Maximum
Likelihood) no programa IQ-TREE 3. A rede de haplótipos foi construída no Haploviewer, e as
distâncias genéticas foram estimadas no MEGA 11 utilizando o modelo Kimura-2-Parâmetros
(K2P). A matriz de dados compreendeu 44 sequências com um fragmento de 532pb
resultando em 15 haplótipos únicos. As sequências apresentaram 462 sítios conservados e
70 variáveis, sendo 68 parcimoniosamente informativos e dois singletons. A análise
filogenética e a rede de haplótipos baseadas no gene 16S rRNA revelaram clados
correspondentes a três unidades biológicas distintas. Myoglanis koepckei foi utilizado como
grupo externo. Após uma identificação morfológica prévia, foi reconhecido um grupo referente
a G. conquistador, e dois clados adicionais ainda não identificados. As distâncias genéticas
intraespecíficas variaram de 0,005 a 0,008%, e as interespecíficas entre G. conquistador e as
unidades II e III foram de 8% e 7% respectivamente. Estes resultados confirmam a existência
de três unidades biológicas dentro do complexo G. conquistador, sugerindo a presença de
espécies crípticas na Amazônia. Estudos integrando análises morfológicas e moleculares,
com o uso de marcadores complementares como o COI (Citocromo C oxidase I), são
recomendados para a delimitação taxonômica e a descrição formal dessas unidades
biológicas.
Palavras-chave: Bacia amazônica; Diversidade genética; Gene mitocondrial; Siluriformes.
45
Apoio: CAPES (88887.952869/2024-00 e 88887.692615/2022-00); FAPEAM (DIVULGA
CT&I-Proc: 01.02.016301.01903/2025-0 e POSGRAD).
46
ICTIOFAUNA DA COMUNIDADE AGROVILA, RESERVA DE DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL DO TUPÉ, AMAZONAS
Carlos Victor Silva e Silva¹; Cleusa Suzana Araújo²; Felipe Taveira Sena²; Marcelo Salles
Rocha²
¹Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior – PPG BADPI/INPA; ²Universidade do
Estado do Amazonas (UEA) E-mail: carlossilva.bio10@gmail.com
O rio Negro é um dos maiores rios do mundo e um dos principais tributários da bacia
amazônica, com área aproximada de 696.808 km². É caracterizado pela cor escura de suas
águas, resultado da elevada concentração de ácidos húmicos e fúlvicos, que conferem pH
ácido (inferior a 5) e baixa disponibilidade de nutrientes e sedimentos. Mesmo com águas
ácidas e pobres em nutrientes, a bacia possui uma das mais ricas diversidades de peixes e é
uma das menos conhecidas e estudadas quando comparada com rios de águas brancas. A
Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé (RDS do Tupé) possui 11.973 hectares,
localizada na margem esquerda do rio Negro, próximo a Manaus. Nessa área foram
coletados mais de
2.259 exemplares de peixes, distribuídos em 87 espécies. Apesar da enorme diversidade de
peixes do rio Negro, são necessários estudos para ampliar o conhecimento da ictiofauna
presente nessas áreas. Dessa forma, o objetivo principal foi coletar peixes no entorno da RDS
do Tupé para conhecimento da biodiversidade. As coletas foram realizadas na comunidade
Agrovila, entre setembro e dezembro de 2024, em dois pontos distintos. Foram utilizados
métodos padronizados, como redes de arrasto peneiras e puçás. Os exemplares coletados
foram eutanasiados, fixados em formol a 10%, transportados e preservados em álcool 70%, e
depois depositados no acervo da Coleção de Peixes do Instituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia - INPA. A identificação dos exemplares foi realizada com o auxílio de literatura
especializada, empregados paquímetro digital e lupas para observações morfológicas. No
total, foram coletados 276 exemplares de peixes pertencentes a três ordens, dez famílias e 19
espécies. A ordem Characiformes foi a mais representativa, com 80,95% das espécies
coletadas, tendo destaque para a família Characidae com 28,47%, (Hemigrammus levis - 75
indivíduos; Hemigrammus analis - 26; Hyphessobrycon melazonatus - 20; Hemigrammus
bellottii - 8; Hemigrammus vorderwinkleri - 6; Hemigrammus ocellifer - 1), Lebiasinidae com
14,29% (Copella nattereri - 47 indivíduos; Nannostomus digrammus - 10; Pyrrhulina sp. - 5)
Hemiodontidae (Hemiodus immaculatus - 6 indivíduos; Hemiodus goeldii 3) Crenuchidae
(Odontocharacidium aphanes - 11 indivíduos; Crenuchus spilurus- 5) , ambos com 9,52%,
Erythrinidae (Hoplias curupira - 1 indivíduo), Iguanodectidae (Bryconops sp. - 10 indivíduos)
Curimatidae (Curimata inornata - 1 indivíduo) Serrasalmidae (Metynnis sp. - 2 indivíduos)
corresponderam a 4,76% cada. Em seguida, Cichliformes (14,29%) representados pela
família Cichlidae (14,29%) (Aequidens sp. 19 indivíduos; Satanoperca acuticeps - 11;
Acarichthys heckelii - 8) e Gymnotiformes (4,76%) com apenas um indivíduo,
Brachyhypopomus walteri. Os resultados confirmaram o padrão amplamente descrito para a
ictiofauna amazônica, em que a ordem Characiformes (80,95%) foi dominante em relação às
outras, o que refletiu sua elevada diversificação adaptativa em diferentes nichos tróficos e
micro habitats. Essa elevada representatividade demonstrou a ampla adaptação e diversidade
desse grupo em ambientes de águas pretas, ácidas e pobres em nutrientes.
Palavras-chave: Conservação; Diversidade; Ictiologia; rio Negro.
Apoio: PADEX, UEA, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas
FAPEAM(Edital 017/2024 - DIVULGA CT&I-Proc: 01.02.016301.01903/2025-0 e
POSGRAD); Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES)
47
PEIXES DA BACIA ARACÁ-DEMINI NO MÉDIO RIO NEGRO (BARCELOS)
Micael Cavalli de Alencar e Silva1*; Valdenor Magalhães Silva²; Lucas da Gama Silva²; Gabriella
Ascenção³; Fredy Garcia³; Marcelo Salles Rocha³, Sônia Hatsue Tatumi4
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Coleção de Peixes, Manaus, AM; ²Programa de Pós-
Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior - PPG BADPI/INPA; ³Universidade do Estado do Amazonas
(UEA), Escola Normal Superior, Manaus, AM; 4Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Instituto do Mar,
Santos, SP. E-mail: micaelcavalli@gmail.com
A bacia amazônica, a maior do mundo com cerca de 7 milhões de km², é vital para a
alimentação, economia local, cultura e estabilidade ecológica da região. Abriga uma
ictiofauna única com aproximadamente 2.800 espécies válidas, embora ainda
subestimada. Conhecer a composição e distribuição das espécies ao longo de
diferentes gradientes geomorfológicos é importante para entendermos a interação dos
peixes com o ambiente ao longo da história evolutiva. Neste sentido, o presente
estudo tem como objetivo apresentar um inventário preliminar da ictiofauna dos rios
Aracá e Demini, tributários da margem esquerda do rio Negro (Barcelos, AM),
analisando a composição, riqueza e abundância de espécies entre as duas bacias e
discutindo como as características geomorfológicas locais influenciam os padrões de
diversidade observados. O rio Demini está associado a sistemas deposicionais em
megaleque, ligados à subsidência tectônica no Quaternário. o rio Aracá, afluente
do rio Demini, por sua vez, corta áreas com paleodunas pleistocênicas-holocênicas.
Nos megaleques, uma extensa planície alagável e paleocanais distributários, que
favorecem ambientes heterogêneos de campinaranas e florestas inundáveis. Nas
paleodunas, predomina substrato arenoso, alta acidez, água muito vermelha e áreas
alagadas. Os espécimes analisados foram coletados em expedições realizadas entre
os anos de 1977 até 2024, utilizando métodos convencionais de captura (e.g.,
malhadeiras, peneiras e redes de arrasto) em diferentes ambientes aquáticos, como
canais principais, igarapés e lagos, tendo como colaboração de pescadores locais.
Todo o material encontra-se tombado na Coleção de Peixes do Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia (INPA). Ao total foram registrados 5378 espécimes,
distribuídos em 234 espécies pertencentes à 10 ordens, sendo Characiformes,
Siluriformes e Cichliformes as mais representativas. Em nível de família, as espécies
foram distribuídas em 39 famílias, com destaque para Characidae, Cichlidae e
Loricariidae. Os padrões de abundância refletiram a mesma tendência observada para
a riqueza de espécies. A análise comparativa entre as duas bacias revelou que o rio
Aracá apresentou, em média, maior riqueza e número de indivíduos que o rio Demini.
Entretanto, a curva de rarefação demonstrou que a riqueza potencial da comunidade
do rio Demini é superior à do Aracá, quando se corrige o efeito do esforço amostral. A
interação entre os dois sistemas - o megaleque Demini e a paleoduna Aracá - ajuda a
explicar os padrões atuais de variação na composição e riqueza da ictiofauna
observados entre as bacias. Portanto, os resultados obtidos neste levantamento
reforçam a importância das bacias Aracá e Demini como áreas de conservação e
mostram como fatores ecológicos e geomorfológicos moldam a diversidade de peixes
amazônicos.
Palavras-chave: Abundância; Diversidade; Ictiofauna; Riqueza.
Apoio: FAPESP (Proc.No:2022/15495-4); CAPES (Código de financiamento 001);
FAPEAM (DIVULGA CT&I-Proc: 01.02.016301.01903/2025-0 e POSGRAD).
48
REVISÃO TAXONÔMICA DE Pinirampus bleeker, 1858 (SILURIFORMES:
PIMELODIDAE) EM BACIAS NEOTROPICAIS COM USO DE TAXONOMIA
INTEGRATIVA
Lucas da Gama Silva1, Jacqueline da Silva Batista1, Renato Correa Lima2, Marcelo Salles
Rocha3
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); 2Secretaria de Educação do Governo do Estado do
Maranhão (SEDUC/MA); 3Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
E-mail: lucasdagamasilva@gmail.com
Bagres do gênero Pinirampus apresentam ampla distribuição na região Neotropical,
ocorrendo nas bacias Amazônica, Paraná, Tocantins/Araguaia e Orinoco. É um gênero
monotípico representado por Pinirampus pirinampu, no entanto várias espécies são
consideradas sinônimo júnior como: Pimelodus barbancho, Pimelodus insignis, Pinirampus
araguayensis, Pinirampus typus, Pinirampus agassizii, Pinirampus argentina. Este trabalho
teve como objetivo delimitar e caracterizar possíveis populações de Pinirampus pirinampu
através de análises morfológicas e moleculares. Foram utilizados exemplares depositados em
coleções ictiológicas e bancos de dados genéticos (Genbank, BOLD system). Foram obtidas
sequências do gene mitocondrial Citocromo Oxidase subunidade I (COI), sendo analisados as
diversidades nucleotídica e haplotipica, distância genética, variância molecular (AMOVA),
delimitação de possíveis espécies através dos métodos: Assemble Species by Automatic
Partitioning (ASAP), locMin, Bayesian Poisson Tree Process (bPTP), Generalized Mixed Yule
Coalescent (GMYC) e as relações filogenéticas por inferência Bayesiana. Os dados
morfológicos foram obtidos através de 24 medidas morfométricas, com auxílio de paquímetro
digital (precisão 0,01mm), as quais foram submetidas a análise discriminante linear (LDA). Os
dados merísticos foram obtidos através da contagem do número total de vértebras em
exemplares diafanizados, esqueleto seco e através de visualização de Raio-X. Foram obtidas
130 sequências nucleotídicas de 536 pb, sem códon de parada (stop códons) e eventos de
inserção ou deleção (InDels). Foram identificados 15 haplótipos representando as seguintes
populações: Escudo Brasileiro (rios Araguaia, Tapajós, Teles Pires, Tocantins, Xingu); Escudo
da guiana (rios Negro, Branco, Jatapu, Uatumã, Nhamundá, Trombetas e seus tributários);
Bacia do Madeira (rio madeira e seus tributários); Bacia do Paraná (rios Paraná, Miranda,
Paraguai, e outros tributários); Bacia do Orinoco (rios Apure, Casiquiare, Orinoco,
Capanaparo); e Planície Amazônica (rios Amazonas, Japurá, Juruá, Purus, Solimões, e outros
tributários). Análises de distância genética e variância molecular (AMOVA) mostraram uma
diferenciação significativa entre essas populações (diferença entre grupos = 98,31%;
FST=0,98), sugerindo forte estruturação genética, e melhor observada pelos valores de FST par
a par. A árvore de inferência bayesiana e a análise de datação sugerem que o grupo Escudo
Brasileiro divergiu cerca de 4,96 milhões de anos, enquanto a linhagem do Orinoco
ocorreu há 3,08 milhões de anos, indicando diversificação influenciada por eventos geológicos
e ecológicos. A LDA e análises de regressão linear sugeriram variações morfológicas,
evidenciando alometrias em determinadas áreas, complementando os dados moleculares. As
análises de delimitação de espécies baseadas em DNA barcoding e abordagens morfológicas
resultaram na proposta de revalidação de espécies sinonimizadas, como Pinirampus
araguayensis (Escudo Brasileiro), P. barbancho (Orinoco), P. argentina (Paraná), e a
identificação de uma possível nova espécie, Pinirampus sp1. (Escudo da Guiana) oriunda dos
rios de água preta que drenam o escudo da Guiana. Esses resultados enfatizam a
importância de metodologias integradas para um conhecimento mais acurado da
biodiversidade, conservação e manejo sustentável de espécies geneticamente diversas em
ambientes neotropicais.
Palavras-chave: Análise morfológica; Diversidade genética; Delimitação de espécies; DNA barcoding.
Apoio: CAPES (Cód.001); FAPEAM (DIVULGA CT&I-Proc:010201630101903/2025-0 e POSGRAD).
49
MUSCULATURA DOS ARCOS BRANQUIAIS DE Pimelodus blochii
VALENCIENNES, 1840 (SILURIFORMES: PIMELODIDAE)
Paloma Andrade Cavalcante¹, Luiz Antônio Wanderley Peixoto², Marcelo Salles Rocha¹
¹Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior / INPA; ²Instituto Nacional de Pesquisas
da Amazônia (INPA), Coordenação em Biodiversidade, Manaus, AM; ³Universidade do Estado do Amazonas
(UEA) - Escola Normal Superior (ENS).
E-mail: andradepaloma42@gmail.com
Com táxons conhecidos popularmente como “mandi”, “barbado”, “jaú”, “sorubim”,
“pirarara”, dentre outros, os representantes de Pimelodidae compõem a oitava maior
família de Siluriformes, com cerca de 31 gêneros e 116 espécies amplamente
distribuídas na região Neotropical. Dentro da família, Pimelodus blochii destaca-se por
ser amplamente registrado na Amazônia e por apresentar atributos que refletem sua
versatilidade ecológica. Apesar da importância de Pimelodus na família, estudos
anatômicos detalhados sobre a musculatura são escassos. Historicamente, os
trabalhos morfológicos realizados em Pimelodidae concentram-se na osteologia e
pouco se sabe sobre a musculatura presente nas estruturas branquiais, a qual tem
potencial expressivo sobre o fornecimento de evidências para inferências cladísticas.
Diante dessa escassez de informações anatômicas, torna-se essencial investigar
detalhadamente a musculatura dos arcos branquiais em espécies representativas do
grupo. Portanto, o presente trabalho objetivou descrever os músculos que
compreendem os arcos brânquias de Pimelodus blochii, gerando conhecimento
inédito acerca de Pimelodidae e fornecendo subsídios para pesquisas futuras. Para
tanto, os espécimes foram preparados de acordo com protocolo disponibilizado na
literatura e, posteriormente, dissecados. Os músculos foram ilustrados e descritos
quanto a topografia, morfologia, origem e inserção. Adicionalmente, a nomenclatura
miológica foi reavaliada de acordo com a literatura disponível. Os resultados obtidos
revelam a presença de um conjunto muscular bem desenvolvido e associado aos
arcos branquiais: a região ventral é composta principalmente pelos músculos
pharyngoclavicularis internus, pharyngoclavicularis externos, transversus ventralis V,
transversus ventralis IV, retractor dorsalis, sphincter oesophagi e os feixes musculares
do obliquus ventralis; a região dorsal é composta pelo levator externus, o qual se
caracteriza como dois conjuntos musculares na porção mais posterior dos arcos
branquiais. Os resultados aqui apresentados ampliam o conhecimento anatômico de
Pimelodidae, e reforçam a importância da miologia como fonte de caracteres
informativos para estudos de sistemática e evolução em peixes.
Palavras-chave: Anatomia comparada; Bagres; Descrição; Miologia.
Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) -
Código de Financiamento 001 e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas
FAPEAM (DIVULGA CT&I-Proc:010201630101903/2025-0 e POSGRAD).
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ANÁLISE POPULACIONAL DE Hypophthalmus edentatus (SILURIFORMES:
PIMELODIDAE) COM MARCADORES MOLECULARES MICROSSATÉLITES EM
QUATRO ÁREAS DISTINTAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA
Ana Clara Carvalho da Silva¹, Kyara Martins Formiga2,3, Jacqueline da Silva Batista2,3; Giselle
Moura-Guimarães Marques2
1Faculdade Estácio do Amazonas. Manaus, AM; 2Programa de Pós-graduação em Biologia de Água Doce e Pesca
Interior (PPG BADPI/INPA) Manaus, AM; 3Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus, AM.
Coordenação de Biodiversidade (COBIO/INPA)
E-mail: annaclaracarvalho5@gmail.com
O Brasil apresenta uma grande diversidade de espécies de peixes de água doce. Entre eles,
o gênero Hypophthalmus (mapará) destaca-se por sua importância socioeconômica, sendo
amplamente distribuído e explorado comercialmente. Entretanto, a ausência de distinção
entre suas seis espécies, todas comercializadas sob o mesmo nome, representa um desafio
para o manejo sustentável, dificultando a identificação de quais estão mais vulneráveis ou sob
maior pressão pesqueira. Hypophthalmus edentatus é um bagre pelágico e planctófago
amplamente capturado na Amazônia, essencial para a subsistência de comunidades
ribeirinhas e de grande importância comercial. Contudo, a espécie enfrenta ameaças
decorrentes da sobrepesca e de eventos climáticos recentes, como a seca extrema de 2023 e
a cheia abaixo da cota esperada de 2024, que afetaram áreas de reprodução e proteção de
juvenis. Nesse contexto, os marcadores moleculares, em especial os microssatélites (SSR),
configuram-se como ferramentas fundamentais para estudos de estrutura populacional,
estimativas de variabilidade genética e compreensão do fluxo gênico. A transferência de
marcadores entre espécies próximas também se apresenta como alternativa viável para
reduzir custos e tempo de pesquisa. Dessa forma, o presente estudo teve como objetivo
avaliar a variabilidade genética e o fluxo gênico de H. edentatus em quatro macrorregiões da
Amazônia brasileira. Uma biblioteca genômica enriquecida em DNA microssatélite foi
desenvolvida para H. donascimientoi. Foram desenhados primers específicos e estes foram
utilizados de forma heteróloga. A extração do DNA seguiu o método Fenol-Clorofórmio, e as
amostras foram amplificadas por PCR convencional. Os fragmentos amplificados foram
visualizados em gel de agarose 2% e genotipados em ABI 3130XL, com análise no software
GeneMarker. Foram analisados oito locos polimórficos em 54 amostras de H. edentatus
provenientes do Estuário, rios Maués-Açu, Juruá e Solimões. O programa Micro-Checker
apontou alelos nulos em alguns locos. Um total de 79 alelos foi identificado (115–304 pb), com
heterozigosidade esperada (HE) de 0,461 a 0,821 (média = 0,718) e observada (HO) de 0,407
a 0,913 (média = 0,624). Foram detectados 19 alelos exclusivos, principalmente no rio Maués-
Açu (7), indicando variabilidade genética local relevante. A AMOVA revelou que 94,94% da
variação genética ocorre dentro das localidades, com baixo FST (0,0506; p < 0,006),
evidenciando fraca diferenciação genética entre populações. O fluxo gênico estimado foi
elevado (Nm > 5.000), indicando alta conectividade entre as regiões. A análise bayesiana
indicou K = 2, mas sem padrão geográfico definido, confirmando a ausência de estruturação
populacional. Os resultados indicam alta diversidade genética intra-populacional e baixa
diferenciação entre localidades, sugerindo que H. edentatus forma uma população panmítica
na bacia amazônica. Os achados reforçam a necessidade de manejo integrado em escala
regional, considerando a ampla conectividade genética e a conservação dos habitats críticos
para o ciclo de vida do mapará.
Palavras-chave: Bagre; Diversidade; Fluxo gênico; Mapará.
Apoio: Programa Institucional de Iniciação Científica do INPA (PIBIC/CNPq);
FAPEAM/Programa Amazônidas “Mulheres e Meninas na Ciência”, ed. 002/2021;
CAPES (88887.692615/2022-00).
51
MORFOLOGIA E DISTRIBUIÇÃO DE NEUROMASTOS EM Scoloplax
dolicholophia SCHAEFER, WEITZMAN & BRITSKI, 1989: AVANÇOS NO
CONHECIMENTO DO SISTEMA DA LINHA LATERAL NA FAMÍLIA
SCOLOPLACIDAE (LORICARIOIDEA; SILURIFORMES)
Camila Cavalcante Ferreira1; Marcela dos Santos Magalhães2; Malu Araújo 3; Marcelo Salles
Rocha4
1,2Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior (PPGBADPI); 2Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus, Amazonas, Brasil. 3Universidade de São Paulo-IB-USP, 4Universidade
do Estado do Amazonas-UEA-ENS, Av. Djalma Batista, 2470, Manaus, AM.
Email: camilacferreira19@gmail.com
O sistema mecanossensorial da linha lateral, formado por neuromastos superficiais e
de canal, é responsável pela percepção de estímulos mecânicos no fluido em peixes
e anfíbios aquáticos. Os neuromastos são unidades sensoriais deste sistema que
possuem em seu conjunto de células, as ciliadas, e de suporte, além de uma cúpula
gelatinosa que recobre o conjunto. Modificações neste sistema da linha lateral
possuem relevância evolutiva e filogenética, incluindo a perda de canais em algumas
espécies, sua redução ou truncamento, enquanto em outras os canais estão bem
desenvolvidos e alargados. Contudo, na família Scoloplacidae as informações sobre
o sistema da linha lateral permanecem escassas e limitadas às descrições iniciais.
Tendo isso em vista, este estudo busca caracterizar de maneira macroscópica e
microscópica, as características do sistema mecanossensorial de linha lateral na
espécie Scoloplax dolicholophia, espécie encontrada em igarapés de águas pretas
da bacia do rio Negro. Para alcançar os objetivos deste estudo, foram analisados
exemplares depositados na coleção científica de peixes do Instituto Nacional de
Pesquisas (INPA), usando de métodos e técnicas de Microscopia de Luz e
Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV), além de análises osteológicas. Os
resultados revelaram a presença somente de neuromastos superficiais nesta espécie
e os canais da linha lateral estão completamente ausentes. Foram identificados
apenas neuromastos superficiais distribuídos na região cefálica e no tronco, alguns
neuromastos estavam localizados onde estariam localizados os canais da linha
lateral, indicando um possível truncamento no desenvolvimento dos canais. As
comparações osteológicas com outras espécies da família permitiram confirmar a
ausência de todos os canais em S. dolicholophia, corroborando com as descrições
anteriores. A histologia revelou em detalhe as estruturas circulares abaixo dos olhos,
confirmando sua ocorrência em Scoloplax dolicholophia, abordada sucintamente na
descrição da espécie. Tais estruturas aqui são confirmadas como neuromastos
superficiais. Esses resultados parciais contribuem para o entendimento e
aprofundamento da diversidade morfológica do sistema de linha lateral em bagres.
Palavras-chave: Histologia; Morfologia; Neuromastos superficiais; Sistema
mecanossensorial.
Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil
(CAPES) - Código de Financiamento 001 e Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado do Amazonas FAPEAM (DIVULGA CT&I-Proc:010201630101903/2025-0 e
POSGRAD).
52
INFLUÊNCIA SAZONAL NA DIETA DE PEIXES ONÍVOROS EM LAGOS DE
VÁRZEA AMAZÔNICOS
Jerusa Halem do Nascimento Santos1; Diogo Campos Cardoso2; Flávia Kelly Siqueira de
Souza3
¹Engenheira de Pesca/ UFAM. Mestranda do PPG- Biologia de Água Doce e Pesca Interior – BADPI/INPA. 2Doutor
no Programa de Pós-graduação em Ciências Pesqueiras nos Trópicos na Universidade Federal do
Amazonas/UFAM. 3Professora do Departamento de Ciências Pesqueiras da Universidade Federal do Amazonas.
E-mail: jerusahalem80@gmail.com
Estudos voltados para a ecologia trófica têm se mostrado fundamentais para compreender os
padrões ecológicos das espécies de peixes, permitindo identificar sua versatilidade alimentar
ao longo do tempo e do espaço. Em ambientes alagáveis, peixes com hábito alimentar de
onivoria se destacam por sua capacidade de ajustar a dieta conforme as condições
ambientais, utilizando recursos de origem animal e vegetal. Essa flexibilidade lhes confere um
amplo espectro alimentar, fortemente influenciado pela sazonalidade e disponibilidade de
recursos em áreas alagadas. Diante disso, o presente estudo teve como objetivo avaliar o
efeito sazonal sobre a dieta de peixes onívoros que habitam lagos de várzea. As coletas
foram realizadas em seis lagos de várzea localizados na região do baixo rio Solimões,
município de Iranduba-AM. Para a captura dos exemplares, foram utilizadas redes de emalhar
de 15 x 2 metros, com malhas variando entre 30 e 120 mm entre nós opostos. As pescarias
tiveram duração total de 8 horas, distribuídas entre o período da manhã e o final da tarde.
Após a captura, os peixes foram triados, identificados até o nível de espécie e tiveram os
estômagos removidos para análise. Os estômagos foram agrupados por espécie e por
período hidrológico (cheia e seca), e os itens alimentares foram identificados sob microscópio,
sendo quantificados pelos métodos de Frequência de Ocorrência, Volume Relativo e Índice de
Importância Alimentar. A comparação da dieta entre os períodos foi realizada por meio de
uma Análise Permutacional Multivariada (perMANOVA), considerando como unidade amostral
as médias dos valores de IAi por espécie em cada estação. Foram analisados 288
exemplares de peixes onívoros, pertencentes a seis espécies representativas da ictiofauna
local, sendo 111 indivíduos coletados na cheia e 143 na seca. Trinta e quatro estômagos
vazios ou com conteúdo totalmente digerido foram desconsiderados. O grau de repleção
apresentou padrões semelhantes entre as estações, com predominância dos graus
intermediários (25–50%), indicando constância alimentar típica de espécies onívoras. Durante
a cheia, os itens “insetos” (IAi=32,4%) e “frutos/sementes” (IAi=27,8%) foram os mais
representativos, refletindo a maior disponibilidade de recursos alóctones oriundos da floresta
alagada. Na seca, predominaram “material vegetal diversificado” (IAi =29,6%) e
“crustáceos/moluscos” (IAi=24,1%), indicando aumento no consumo de itens bentônicos e
autóctones. A análise perMANOVA revelou diferença significativa na composição alimentar
entre as estações (pseudo-F=5.528; p<0,05), corroborada pela ordenação NMDS, que indicou
separação nítida entre as amostras da cheia e da seca. Essa variação sazonal reflete a
capacidade trófica generalista do grupo, que ajusta sua alimentação conforme a
disponibilidade de recursos influenciada pelo pulso de inundação. Durante a cheia, maior
oferta de insetos e frutos da floresta alagada, enquanto na seca a redução dos recursos
alóctones leva ao aumento do consumo de itens de origem animal, como crustáceos. Estudos
sobre a alimentação da ictiofauna amazônica são essenciais para compreender o papel
ecológico das espécies e suas relações com o ambiente, pois revelam padrões de
disponibilidade, plasticidade trófica e interações interespecíficas, fundamentais para entender
a dinâmica e o equilíbrio desses ecossistemas.
Palavras-chave: Ecologia trófica; Áreas alagadas; Estação da cheia e seca.
Apoio: CAPES (Código de Financiamento 001); FAPEAM (DIVULGA CT&I-
Proc:010201630101903/2025-0 e POSGRAD).
53
SISTEMA DE DETECÇÃO MOLECULAR PARA Trichechus inunguis: BASE
PARA IMPLEMENTAÇÃO DE ESTRATÉGIAS DE MONITORAMENTO POR DNA
AMBIENTAL
Jéssica Martins Silva1,3; Vera Maria Ferreira da Silva1,2,4; Kyara Martins Formiga1,2,3,4
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). 2Coordenação de Biodiversidade (COBIO/INPA). 3Programa
de Pós Graduação em Genética, Conservação e Biologia Evolutiva (PPG GCBEv/INPA). 4Programa de Pós
Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior (PPG BADPI /INPA).
E-mail: jessica.martins@posgrad.inpa.gov.br
O peixe-boi da Amazônia (Trichechus inunguis) é o único sirênio exclusivamente de água
doce, ocorrendo nos rios do Peru, Equador, Colômbia e todo o curso do rio Amazonas e
tributários no Brasil. Possui papel ecológico na manutenção dos ecossistemas aquáticos,
contribuindo na dispersão e controle de vegetação aquática. Por possuir comportamento
discreto e baixa taxa reprodutiva, entre outras características, é suscetível a declínios
populacionais. Atualmente, é considerada vulnerável pela IUCN, devido à caça ilegal,
alteração do habitat e à contaminação dos ambientes aquáticos. Apesar do conhecimento
sobre sua presença em diversos habitats, a falta de estimativas populacionais, limita o
desenvolvimento de estratégias de conservação da espécie. Técnicas não-invasivas de
estudos de organismos aquáticos, como o DNA ambiental (Environmental DNA eDNA),
podem auxiliar na melhor compreensão sobre sua distribuição na Amazônia. Neste sentido, o
objetivo deste estudo foi desenvolver um Sistema de Detecção Molecular (SDM) específico
para Trichechus inunguis. Inicialmente foi elaborado uma matriz com sequências da região
controle do DNA mitocondrial (DNAmt), obtidas do NCBI-GenBank (National
Center for Biotechnology Information,
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/genbank/), com 212 sequências do gênero Trichechus (122 de
T. manatus, 5 de T. senegalensis e 85 de Trichechus inunguis). Dessas, 31 sequências de T.
inunguis foram geradas pelo Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA) do INPA. Os primers
e sondas foram desenhados no programa AlleleID 7.85 (PrimerBioSoft). O conjunto
selecionado compreende um fragmento da região controle de 134 pb, com primers senso e
antisenso de 21 e 20 pb, respectivamente, e sonda de 20 pb. A validação in silico foi realizada
por PCR virtual por meio das ferramentas primer-BLAST e BLASTn no site
https://blast.ncbi.nlm.nih.gov/. Os primers e a sonda selecionados tiveram correspondência
com as sequências: 93 T. inunguis, 1 T. manatus, 1 T. senegalensis; por outro lado, a sonda
apresentou correspondência de 100% para Trichechus inunguis e 85% para T. manatus e
Equus caballus. O SDM possuiu maior especificidade para T. inunguis e baixa identidade com
espécies não-alvo. Após a síntese do SDM, a realização da validação in vitro, foram
realizados ensaios de PCR quantitativo (qPCR) utilizando DNA genômico (DNAg) de T.
inunguis e outras espécies de mamíferos aquáticos amazônicos: Inia geoffrensis (boto-
vermelho), Sotalia fluviatilis (tucuxi) e Pteronura brasiliensis (ariranha), provenientes da
coleção de mamíferos do INPA, além de T. manatus (peixe-boi-marinho), com amostras
provenientes do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos
(ICMBio/CMA). Ensaios de otimização do SDM incluíram diferentes concentrações dos
primers (forward/reverse a 5 µM) e sonda (0,25–2,5 µM), sendo a condição de 5 µM para
ambos primers e sonda, a que apresentou menor valor de Ct e maior ΔRn. A temperatura de
anelamento ideal foi 65 °C, para amplificação exclusiva da espécie, com 30 ciclos de
amplificação. Os resultados confirmam a eficiência e a especificidade do sistema de detecção
desenvolvido, com potencial para ações de aplicação do eDNA na detecção e monitoramento
do peixe-boi-da Amazônia.
Palavras-chave: Biologia molecular; Genética da Conservação; Mamíferos Aquáticos;
Monitoramento; qPCR.
54
Apoio: Capes (Código de Financiamento 001); FAPEAM (Programas POSGRAD e Mulher faz
ciência (Proc. 010201630104891/2024-92) VIVA Instituto Verde Azul.
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MANEJO ALIMENTAR INICIAL DO CICLÍDEO AMAZÔNICO ACARÁ-BARAR
(Uaru amphiacanthoides)
Edmilson Zanfurlin Lima¹, Emanuele Dantas de Almeida², Manuella Rodrigues Ribeiro²,
Lucas Pedro Gonçalvez júnior³, Isabella Litaiff¹, Higo Andrade Abe⁴, Juliana Tomomi Kojima³
¹Doutorando PPGAqui-UNL/INPA - Universidade Nilton Lins- UNL, Manaus, Brasil; ²Graduando -
Universidade Nilton Lins- UNL, Manaus, Brasil; ³Docente PPGAqui-UNL/INPA - Universidade Nilton Lins- UNL,
Manaus, Brasil; ⁴Docente-Universidade do Estado da Bahia – Uneb, Valença, Bahia.
E-mail: edzanfurlinlima@gmail.com
O Acará-bararuá (Uaru amphiacanthoides), é um ciclídeo de porte médio, tendo
como habitat os rios de água escura da região amazônica, frequentemente está
presente no desembarque pesqueiro de cidades banhadas pelo rio Negro e
Amazonas. A espécie também apresenta grande importância comercial no mercado
de peixes ornamentais, sendo comercializado em países da Europa e da Ásia,
porém a escassez de literatura sobre a espécie dificulta a consolidação de sua
criação em cativeiro. Com isso, esse trabalho tem como objetivo avaliar o manejo
alimentar inicial do Acará-bararuá. O projeto foi aprovado pelo CEUA da
Universidade Nilton Lins (N°004/2025). Foram utilizadas 150 larvas, com 7 dias após
eclosão, no primeiro dia de alimentação exógena, pesando 0,0027 ± 0,0004 gramas,
sendo mantidas em tanques de polietileno com dois litros de água, na densidade de
estocagem de cinco peixes por litro. Os parâmetros da água foram mantidos em:
temperatura 27,37 ± 0,37°C, pH em 6,43 ± 0,45, oxigênio dissolvido em 5,65 ± 0,88
mg/l, condutividade em 79,79 ± 19,09 e amônia total em 1,06 ± 1,13. Foram
utilizados cinco protocolos de alimentação, com três repetições cada, com aumento
do fornecimento de náuplios de artêmia a cada três dias até o 21º dia, dividida em
quatro refeições diárias, sendo: Protocolo 1 - (P1) 100 - 150- 200- 300- 400- 600- 800
náuplios.dia-1, protocolo 2 - (P2)125-187,5-250-375-
500-750-1000 náuplios.dia-1, protocolo 3-(P3) 250- 275- 300- 450- 600-900- 1200
náuplios.dia-1, protocolo 4-(P4)175-262,5- 350- 425- 700- 1050-1400 náuplios.dia-1 e
protocolo 5 (P5) 300- 400- 600-800- 1200- 1400 náuplios.dia-1. Ao final de 21 dias os
animais foram anestesiados em benzocaína (100 mg/l) para mensuração do
comprimento total, comprimento parcial e peso para cálculo da taxa de crescimento
específico, fator de condição, além da análise da taxa de sobrevivência e
uniformidade do lote. Os dados foram submetidos aos testes estatísticos e
comparação de médias pelo teste de Tukey (0,05). Os resultados de comprimento e
peso das larvas submetidas a P3, P4 e P5 foram superiores, sendo 10,70 ± 1,60mm
(p 0,01315), 10,50 ± 1,16mm e 10,36 ± 1,32mm, e 0,0451 ± 0,145g, 0,0460 ±
0,0154 e 0,0421 ±
0,0168 (p 0,04971), respectivamente. Assim como o fator de condição nos três
tratamentos apresentou-se mais próximo de 1,0, sendo 0,99 ± 0,10, 0,99 ± 0,12 e 1,03
± 0,15 (p 0,04971). Com isso, concluímos que a melhor de estratégia de
alimentação com náuplios de Artemia sp. para a fase inicial de desenvolvimento de
U. amphiacantohoides é o fornecimento gradual, a cada três dias, nas quantidades
de 250- 225- 300- 450- 600-900- 1200 náuplios/dia, por 21 dias.
Palavras-chave: Aquicultura; Alimentação; Larvicultura; Nutrição.
Apoio: CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.
56
PRODUÇÃO DE RAÇÕES COM NÍVEIS CRESCENTES DE FARINHA DE INSETO
PARA PIRARUCU (Arapaima gigas)
Andressa Larissa Lira Rodrigues1; Driely Kathriny Monteiro dos Santos2; Ligia Uribe
Gonçalves3
1Universidade Nilton Lins, Programa de Pós-graduação em Aquicultura, Manaus, AM.; 2Universidade Federal do
Amazonas, Faculdade de Ciências Agrárias, Manaus, AM; 3Universidade de São Paulo, Faculdade de Zootecnia e
Engenharia de Alimentos, São Paulo, SP.
E-mail: andressalirar27@gmail.com
A farinha de peixe ainda está entre os ingredientes mais utilizados na formulação e
processamento de rações para peixes carnívoros, o que é insustentável. Porém,
muitos esforços têm sido feitos para encontrar substitutos à farinha de peixe, que
sejam equivalentes em relação a sua composição nutricional. Assim, o presente
trabalho objetivou avaliar a composição bromatológica e as qualidades físicas de
cinco dietas experimentais contendo diferentes níveis de substituição de farinha de
peixe por farinha de larva de Mosca Soldado Negro (LMSN), Hermetia illucens, para
pirarucu, Arapaima gigas. Foi utilizada uma farinha comercial de LMSN (89,79%
Matéria seca, 59,78% Proteína bruta, 14,21% Lipídios totais, 16,26% Matéria mineral,
5420,98 Kcal/kg Energia bruta) para a formulação das rações com diferentes níveis de
substituição da farinha de peixe pela farinha de LMSN: 0% (36% de farinha de peixe
e 0% de farinha de inseto), 25% (27% de farinha de peixe e 9% de farinha de inseto),
50% (18% de farinha de peixe e 18% de farinha de inseto), 75% (9% de farinha de
peixe e 27% de farinha de inseto) e 100% (0% de farinha de peixe e 36% de farinha
de inseto). Todas as cinco dietas foram isoprotéicas e atenderam às necessidades
nutricionais do pirarucu, apresentando 40% de PB. As rações foram extrusadas a
quente, secas em estufa de circulação de ar forçada a 55 ºC até apresentarem teor de
umidade inferior a 10%, posteriormente foram enviadas para análise bromatológica.
Os péletes das 5 rações foram submetidos aos testes de qualidade física:
flutuabilidade, taxa de expansão e densidade aparente. As rações com os níveis de
substituição de 75% e 100% de farinha de LMSN apresentaram os melhores
resultados de parâmetros físicos: 59,0% e 30,0% de flutuabilidade; 39,3% e 39,7% de
taxa de expansão; 394 g/L e 410 g/L de densidade aparente, respectivamente. A
conformação dos ingredientes na formulação e processamento das rações causou
alterações na qualidade física dos péletes das rações formuladas. A maior quantidade
de óleo nas rações controle e com menores níveis de substituição, interferiu na
passagem dos ingredientes pela extrusora, resultando em péletes com características
físicas diferentes. Contudo, todas as rações apresentaram qualidade física e
nutricional para serem fornecidas ao pirarucu.
Palavras-chave: Farinha de peixe; Hermetia illucens; Processamento.
Apoio: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq;
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas – FAPEAM.
57
DESCOBERTA DE DUAS ESPÉCIES NOVAS DE Cernotina ROSS
(TRICHOPTERA: POLYCENTROPODIDAE) NA AMAZÔNIA CENTRAL
Lucas Moreno1; Letícia Lacerda2; Gleison Robson Desidério3; Ana Maria Pes1; Neusa Hamada1
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Coordenação de Biodiversidade, Manaus, AM; Laboratório
de Citotaxonomia e Insetos Aquáticos (LACIA), Manaus, AM, Brasil; 2Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
(INPA), Coordenação de Capacitação; Laboratório de Citotaxonomia e Insetos Aquáticos (LACIA), Manaus, AM,
Brasil; 3Laboratório de Biologia Aquática (LABIA), Faculdade de Ciências e Letras de Assis, Universidade Estadual
Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), Assis, SP, Brasil.
E-mail: leticias.slacerda@gmail.com
Cernotina Ross, 1938, é um dos gêneros mais ricos em número de espécies de
Polycentropodidae, com 71 espécies descritas, distribuídas nas regiões Neártica e
Neotropical. No Brasil, são reportadas 49 espécies e embora o Amazonas seja o
Estado Brasileiro com maior número de registros, somente dois trabalhos com
descrições de espécies de Cernotina foram realizados nesta área, sendo o último
deles, publicado em 2008. Depois desse trabalho muitas coletas foram realizadas e
vários morfotipos foram identificados e diagnosticados como espécies novas. Diante
disso, este trabalho tem como principal objetivo atualizar o conhecimento taxonômico
de Cernotina, descrevendo e ilustrando duas espécies novas para a Amazônia
Central. As espécies foram coletadas em dois igarapés da Reserva Ducke, Manaus,
Amazonas, Brasil, com o auxílio de armadilhas do tipo Malaise e Pensilvânia
colapsável. Para a análises dos espécimes, o abdome do macho adulto foi retirado e
diafanizado em KOH 10%. As fotografias foram obtidas através de microscópio Leica
M165C e, posteriormente utilizadas para a vetorização no Adobe Illustrator. Cernotina
sp. nov. 1 é caracterizada por possuir os lobos dorsolateral e ventromesal do
apêndice pré-anal fortemente esclerosados, em formato de pinça, em vista lateral,
com vários espinhos de tamanho médio a longo. Enquanto Cernotina sp. nov. 2 é
caracterizada pelo lobo dorsolateral do apêndice pré-anal ser longo, fortemente
esclerosado no ápice, com margem ventral pronunciada subapicalmente. Além disso,
o falo possui na região mesal um espinho escuro, curvado basalmente longo, quase
alcançando o ápice e, dois espinhos robustos no ápice. A descrição de duas espécies
novas de Cernotina na Reserva Ducke destaca a importância das Áreas de Proteção
Ambiental, mostrando o quanto essa área ainda tem potencial de descobertas. Esses
registros também ampliam o conhecimento sobre a fauna de Polycentropodidae e
reforçam o valor dos estudos taxonômicos contribuindo para reduzir os déficits
Lineano e Wallaceano, revelando o grande potencial ainda inexplorado da região.
Palavras-chave: Insetos aquáticos; Psycomyioidea; Reserva Ducke; Taxonomia.
Apoio: CAPES, CNPq, ADAPTA-II, FAPEAM.
58
CADASTRO PESQUEIRO E RISCO SOCIAL: A FALHA DOS ÓRGÃOS NA
DOCUMENTAÇÃO DA PESCA EXTRATIVA DE CAMARÃO NO AMAZONAS
Marina Maia Campelo¹, Adriano Teixeira de Oliveira², Lorena Marques Arruda¹, Ana Beatriz
Araújo Amorim¹, Francisco Alex Franco Fernandes¹, Adriane Yuly Andrade Sarmento¹,
Vanessa Monteiro Pinto¹, Suelen Miranda dos Santos³
¹Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, Campus Manaus Zona Leste; ²Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, Campus Manaus Centro.
E-mail: 2019008123@ifam.edu.br
A pesca artesanal constitui uma das atividades mais antigas e socioeconomicamente
relevantes do Brasil, ocupando um lugar central na subsistência e na economia
regional, especialmente na Amazônia. No contexto dessa região, a pesca extrativa de
camarão (Macrobrachium amazonicum) assume grande importância. No entanto, essa
atividade enfrenta uma dificuldade estrutural de reconhecimento e documentação
oficial no estado do Amazonas. Esta dificuldade de dados persiste, e essa situação é
historicamente negligenciada pelas grandes estatísticas e pelas ações
governamentais de fiscalização. O objetivo deste trabalho foi identificar os órgãos
responsáveis pelo acompanhamento e cadastro da pesca extrativa de camarão no
Amazonas e compreender as razões estruturais que levam ao déficit de dados e
impactam a gestão sustentável do recurso e o acesso a políticas públicas. A pesquisa
foi realizada por meio de uma revisão de literatura narrativa, utilizando-se portais de
busca com palavras-chave específicas e recorrendo-se a artigos e portais
governamentais. A metodologia centrou-se em compreender a situação da pesca no
Amazonas, onde a problemática de dados continua a ser um desafio estrutural,
dificultando o acesso formal dos pescadores aos seus direitos e o planejamento de
ações voltadas à gestão sustentável do recurso. Os resultados indicam que os setores
responsáveis no Amazonas sendo o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) o
principal órgão federal responsável pelo cadastro (Registro Geral da Atividade
Pesqueira - RGP), e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA), o Instituto de
Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), o Instituto de Desenvolvimento
Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (IDAM) e a Secretaria
de Estado de Produção Rural (SEPROR)/Secretaria de Pesca e Aquicultura (SEPA)
que são os principais parceiros estaduais não conseguem preencher de forma
completa a lacuna de informações por meio de seus sistemas centralizados. Essa
insuficiência é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo falta de recurso
financeiro, disputas políticas, descontinuidade administrativa e ausência de equipes
suficientes para atuar em grande escala na região. Conclui-se que a superação da
insuficiência de dados e a implementação urgente do Registro Geral da Atividade
Pesqueira (RGP) o cruciais. A falha dos sistemas centralizados em promover o
ordenamento gera um impacto duplo: negar o acesso dos pescadores aos direitos
sociais básicos (como Seguro Defeso e aposentadoria) e, simultaneamente,
comprometer a sustentabilidade do recurso ao impedir a efetivação do Defeso. Assim,
o reconhecimento formal da pesca extrativa de camarão é, portanto, uma prioridade
inadiável para a gestão ambiental e social do Amazonas.
Palavras-chave: Amazônia; Defeso; Ordenamento; Pesca Artesanal; Políticas
Públicas.
Apoio: Instituto Federal do Amazonas (IFAM), Campus Manaus Zona Leste, e ao
Núcleo de Estudos de Invertebrados e Vertebrados da Amazônia (NEiVA).
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DIVERSIDADE DOS METAZOÁRIOS PARASITOS DE Pellona flavipinnis
(VALENCIENNES, 1836) (CLUPEIFORMES: PRISTIGASTERIDAE) DE UM LAGO
DE VÁRZEA DA AMAZÔNIA BRASILEIRA
Luciana Da Silva Carvalho¹; Lorena Vieira Matos¹; Daniel Brito Porto¹; Maria Inês Braga De
Oliveira2; José Celso De Oliveira Malta¹
¹Laboratório de Parasitologia de Peixes, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Av. André Araújo, 2936,
Aleixo, CEP 69060-001, Petrópolis, Manaus, Amazonas, Brasil. 2Laboratório de Pesquisas em Biologia do
Desenvolvimento, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, Amazonas, Brasil.
E-mail: carvalholucianasilva@gmail.com
Os parasitos desempenham um papel essencial nos ecossistemas aquáticos,
influenciando as populações hospedeiras, a dinâmica trófica e a estrutura das
comunidades biológicas. Apesar disso, uma crise iminente na taxonomia de
parasitos de peixes, o que ameaça o avanço do conhecimento nessa área. Pellona
flavipinnis é um peixe carnívoro de importância ecológica e econômica na Amazônia
Central, pode atuar como hospedeiro para diferentes grupos parasitários. O objetivo
deste trabalho foi conhecer, caracterizar e analisar a diversidade de metazoários
parasitos em P. flavipinnis do lago Catalão, Amazonas. Para isso, 55 espécimes foram
coletados nos lagos Poção, Padre e Madalena, no período entre agosto e novembro
de 2022, utilizando redes de espera no período crepuscular e noturno. Após coleta e
eutanásia, os peixes foram pesados, medidos e necropsiados para análise
parasitológica. Os parasitos foram fixados e identificados segundo literatura
especializada, e os dados analisados por meio de índices parasitológicos e testes
estatísticos. Como resultado, 41 indivíduos (74,5%) estavam parasitados, totalizando
249 parasitos pertencentes aos filos Cnidaria (Myxozoa), Platyhelminthes (Digenea),
Acanthocephala, Nematoda e Arthropoda (Branchiura). Foram registradas as
seguintes espécies: Myxobolus sp., Austrodiplostomum compactum,
Neoechinorhynchus (Neoechinorhynchus) pellonis, Anisakis sp. e Argulus angelae,
todas reportadas pela primeira vez em P. flavipinnis. Anisakis sp. apresentou maior
prevalência (58,1%) e dominância (63,4%), seguida de N. (N.) pellonis (23,6% de
prevalência; 11,6% de dominância). Apenas Anisakis sp. foi classificada como espécie
secundária, enquanto as demais foram consideradas satélites. Não foram
encontradas espécies centrais. As formas larvais de Anisakis sp. e os cistos de
Myxobolus sp. sugerem que P. flavipinnis atua como hospedeiro intermediário ou
paratênico. Não houve correlação significativa entre a abundância ou riqueza
parasitária e o comprimento dos peixes, o que pode indicar que a dieta da espécie
não varia com o crescimento. As conclusões reforçam o papel ecológico de P.
flavipinnis como hospedeiro importante na cadeia trófica dos lagos de várzea
amazônicos, além de apontar a necessidade urgente de investimentos na taxonomia
parasitária para a conservação da biodiversidade. O estudo contribui para o
conhecimento da fauna parasitária da região e destaca a relevância de estudos
sistemáticos e ecológicos na compreensão das interações parasito-hospedeiro.
Palavras-chave: Acanthocephala; Branchiura; Digenea; Myxozoa; Nematoda;
Parasitos de peixes de água doce.
Apoio: CAPES (Código de Financiamento 001); FAPEAM (DIVULGA CT&I-
Proc:010201630101903/2025-0 e POSGRAD).
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ÍNDICE HEPATOSSOMÁTICO DE DUAS ESPÉCIES DE ARRAIAS DE ÁGUA
DOCE DO BAIXO RIO NEGRO, AMAZONAS, BRASIL
Rayana Melo Paixão1; Ariany Rabello da Silva Liebl1; Maria Fernanda da Silva Gomes2; Maiko
Willas Soares Ribeiro2; Márcia dos Santos Monteiro2; Cristiane Cunha Guimarães2; Adriene
Núzia de Almeida Santos1; Ana Clara Nogueira Alves1; Adriano Teixeira de Oliveira1,2
1Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, Núcleo de estudos de invertebrados e
vertebrados da Amazônia (NEIVA), Manaus, AM. 2Universidade Federal do Amazonas, Programa de Pós-
Graduação em Ciência Animal e Recursos Pesqueiros, Manaus, AM.
E-mail: rayana.ifam@gmail.com
As arraias de água doce pertencem a subfamília Potamotrygoninae, que são
exclusivas de água doce e endêmicas da América do Sul, e atualmente algumas
espécies estão classificadas como criticamente em perigo pelo Ministério do Meio
Ambiente. Dessa forma, são necessárias informações sobre sua biologia, fisiologia e
distribuição para que haja tomadas de decisões em relação a sua conservação. Com
isso, o presente trabalho tem como objetivo de determinar o Índice Hepatossomático
(IHS) de arraias de água doce do baixo Rio Negro, Amazonas. As arraias foram
capturadas em janeiro de 2024, período de enchente, pós uma seca severa, utilizando
rede de mão, sendo em seguida realizado a biometria e posterior eutanásia dos
indivíduos com eugenol a 0,2% para dissecação. Para o cálculo de IHS foi utilizado a
fórmula: peso fígado/peso corpóreo X 100. Foram analisados 7 indivíduos de
Paratrygon spp. e 4 de Potamotrygon wallacei. O IHS apresentou média de 0,86 ±
0,09% para Paratrygon spp. e 1,17 ± 0,23% para P. wallacei. Esses resultados
indicam que P. wallacei possui proporcionalmente maior massa hepática em relação
ao corpo, o que pode refletir no acúmulo de reservas energéticas superiores e
diferenças fisiológicas entre as espécies. A variação inferior observada em Paratrygon
spp. sugere uma reserva energética menor, possivelmente associado ao seu grande
porte, enquanto o maior percentual em P. wallacei pode estar associada a variações
individuais relacionadas à dieta, estágio de desenvolvimento e seu pequeno porte. Em
síntese, o presente estudo fornece dados inéditos sobre o perfil fisiológico de
Paratrygon spp. e P. wallacei do Baixo Rio Negro, destacando a importância de
integrar parâmetros morfométricos e fisiológicos em pesquisas voltadas à
conservação das Potamotrygoninae na Amazônia.
Palavras-chave: Conservação; Fisiologia; Potamotrygoninae; Reserva de Energia.
Apoio: CAPES e FAPEAM.
61
FILAMENTO CAUDAL EM MACHOS DE DUAS ESPÉCIES DO GÊNERO
Hypophthalmus (SILURIFORMES: PIMELODIDAE): EVIDÊNCIA DE
DIMORFISMO SEXUAL
Jonathan Fernando Villamil Rodríguez1, 2; Laura Sofía Díaz Barreto3; Lucas Maia Garcês4;
Cristian Alberto González Rodríguez5; Andrés Julián Bonilla Reyes6; José Ariel Rodríguez
Pulido7; Victor Enzo Santos Damasceno8
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Laboratório de Ecotoxicologia Aquática na Amazônia.
2Universidad de los Llanos, Grupo de Investigación en Reproducción y Toxicología de Organismos Acuáticos
(GRITOX), Colombia. 3Universidad de los Llanos, Centro de Recursos Genéticos, Colombia. 4Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM). 5Universidad de los Llanos, Licenciatura en Producción
Agropecuaria, Colombia. 6Universidad de Antioquia, Grupo de Investigación en Organismos Acuáticos Nativos y
Exóticos, Colombia. 7Universidad de los Llanos, Programa de Biología, Colombia. 8Ichthyology Consultoria
Ambiental, Belo Horizonte. E-mail: jonafe.villamil@gmail.com
A família Pimelodidae destaca-se pela grande diversidade e ampla distribuição na região
Neotropical. Nesse contexto, sobressai o gênero Hypophthalmus, conhecido popularmente como
mapará, composto por seis espécies reconhecidas: H. edentatus, H. marginatus, H. fimbriatus, H.
oremaculatus e as recentemente descritas H. donascimientoi e H. celiae. Este gênero ocorre
amplamente nas bacias dos rios Amazonas, Orinoco, Guianas e Paraná. Entre os Siluriformes, o
dimorfismo sexual tem sido documentado em diversas famílias, manifestando-se principalmente
por diferenças morfológicas externas, como modificações nas nadadeiras e variações no tamanho
corporal entre os sexos. No entanto, até o momento, não haviam sido relatadas características
externas de dimorfismo sexual em espécies de Hypophthalmus. O presente estudo teve como
objetivo relatar, pela primeira vez, a presença de um filamento caudal em machos adultos de
Hypophthalmus edentatus e Hypophthalmus marginatus, constituindo uma evidência inédita de
dimorfismo sexual masculino neste gênero de bagres neotropicais. Os espécimes foram coletados
no rio Ariari, pertencente à bacia do rio Orinoco, com redes de espera (180 m × 2,5 m) durante o
período diurno. Para cada indivíduo, foram registrados os dados biométricos de comprimento total
(cm) e peso corporal (g). Os peixes foram anestesiados com 2-fenoxietanol (300 mg/L) e
submetidos à eutanásia por secção cervical para caracterização gonadal. Foram obtidos 56
machos adultos, 34 de H. edentatus e 22 de H. marginatus em campanhas realizadas nos anos de
2017, 2020 e 2021, abrangendo, em cada ano, os períodos hidrológicos de abril (enchente), maio
(cheia) e setembro (vazante). Os indivíduos de H. edentatus apresentaram comprimento total
médio de 45,08 ± 1,26 cm e peso corporal médio de 455,7 ± 19,52 g, enquanto os de H.
marginatus apresentaram 45,36 ± 0,67 cm e 458,5 ± 12,72 g, respectivamente. Foram
identificados dois estádios de desenvolvimento gonadal: 24 em maturação (H. edentatus = 14; H.
marginatus = 10) e 32 maduros (H. edentatus = 17; H. marginatus = 15). A cavidade celomática
dos machos mostrou-se menos volumosa que a das fêmeas. Nos machos adultos observou-se um
filamento caudal originado na margem dorsal do lobo superior da nadadeira caudal, estrutura
ausente nas fêmeas. Esse filamento apresentou comprimento médio de 34,22 ± 0,66 cm em H.
edentatus e 34,20 ± 0,45 cm em H. marginatus. Os resultados evidenciam, pela primeira vez, a
presença de um filamento caudal alongado exclusivo dos machos adultos de duas espécies do
gênero Hypophthalmus, caracterizando um caso inédito de dimorfismo sexual externo. Embora
estruturas semelhantes tenham sido relatadas em espécies de Brachyplatystoma, sem associação
comprovada ao dimorfismo sexual, sua ocorrência em Hypophthalmus sugere diferenciação
morfológica vinculada à maturidade gonadal masculina. Considerando que as bacias dos rios
Orinoco e Amazonas são separadas por barreiras formadas pelo levantamento dos Andes, é
possível que processos históricos de isolamento e adaptação tenham contribuído para a
diversificação morfológica observada nas duas espécies desse gênero. Essa hipótese reforça a
importância de estudos integrando morfologia, genética e biogeografia para compreender a
evolução e a diferenciação intra e interespecífica em Siluriformes neotropicais.
Palavras-chave: Amazonas; Bagres; Lobo superior; Orinoco.
Apoio: Fondo Social para la Educación Superior del Meta, Colombia. CAPES (Código de
62
Financiamento 001); FAPEAM (DIVULGA CT&I-Proc:010201630101903/2025-0 e POSGRAD).
63
ANÁLISE FÍSICO-QUÍMICA COMPARATIVA DO TURU (Neoteredo reynei)
DE BRAGANÇA E MARAJÓ, PARÁ, BRASIL
Laissa de Souza Amatsakio¹, Márcia Cristina Nylander Silv
¹Discente do curso de Engenharia de Pesca, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA),
Campus Castanhal. ²Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), Campus
Castanhal. E-mail: amatsakiolaissa@gmail.com
O turu (Neoteredo reynei) é um molusco bivalve de aparência singular que sustenta
tradições, a economia e laços culturais na região amazônica. Em locais onde o
acesso à proteína animal é sazonal e limitado, o turu surge como uma importante
fonte alimentar, além de possuir valor econômico direto e significativo, constituindo
uma fonte complementar de renda para diversas famílias amazônicas. Diante de sua
relevância socioeconômica e nutricional, este trabalho, oriundo de um projeto de
pesquisa aprovado no edital interno da Diretoria de Pesquisa, Pós-Graduação,
Inovação e Extensão (DPPGIEX) do IFPA– Campus Castanhal, teve como objetivo
analisar e comparar a composição proximal (umidade, cinzas, lipídios e proteínas)
do turu proveniente de duas áreas de coleta distintas no Pará: Marajó (M) e
Bragança (B). As análises químicas de umidade, cinzas, lipídios e proteínas foram
realizadas segundo metodologias padronizadas do Instituto Adolfo Lutz (1985) e da
Association of Official Analytical Chemists AOAC (1984), conforme as normas do
Laboratório de Análise Físico-Química de Alimentos do IFPA, Campus Castanhal.
Os resultados foram expressos em porcentagem. O teor de umidade (MF) variou
entre 75,83% e 77,77% para Marajó e entre 75,90% e 78,22% para Bragança. O teor
de cinzas em base seca (% cinza) variou de 1,05% a 1,44% para Marajó (amostras
8M, 9M e 10M) e de 0,95% a 1,10% para Bragança (amostras 11B, 12B e 30B). As
amostras de Bragança (B1, B2, B3) apresentaram maior teor de lipídios (% lipídios),
variando entre 18,93% e 19,85%, em comparação com Marajó (M1, M2, M3), cujos
valores variaram de 15,16% a 15,40%. Quanto às proteínas (% prot.), as amostras
remanescentes de Marajó apresentaram valores entre 53,92% e 54,53%, indicando
maior homogeneidade, enquanto as de Bragança variaram entre 52,03% e 69,54%,
mostrando maior amplitude entre os valores. Conclui-se que o turu apresenta
composição nutricional relevante, destacando-se como fonte significativa de
proteínas e lipídios. As diferenças observadas entre as amostras das regiões de
Marajó e Bragança, especialmente nos teores de lipídios e proteínas, podem indicar
influência de fatores ambientais ou dietéticos no acúmulo de nutrientes. A ampla
variação no teor proteico observada nas amostras de Bragança constitui um achado
notável, que evidencia a importância de estudos complementares sobre a influência
ecológica e alimentar na composição química do turu amazônico.
Palavras-chave: Moluscos Bivalves; Composição Química; Lipídios; Nutrição.
64
HISTÓRIA, RESISTÊNCIA E IDENTIDADE PESQUEIRA: A TRAJETÓRIA
CENTENÁRIA DA COLÔNIA DE PESCADORES Z-20 DE SANTARÉM (PA) PARA
A PESCA ARTESANAL AMAZÔNICA
Jaciara da Costa Marinho1; Charles Hanry Faria Júnior2
1Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Doutoranda em Ciência Animal e Recursos Pesqueiros, Manaus,
AM. 2Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Docente da Universidade Federal do Oeste do Pará,
Santarém, PA. E-mail: jacimrnhep@gmail.com
A Constituição Brasileira de 1988 destaca que a pesca profissional é organizada por
representações que vão desde as Colônias de Pescadores até a Confederação Nacional de
Pescadores. As colônias foram equiparadas aos sindicatos urbanos, garantindo princípios
como a livre organização, a autonomia sindical e a não interferência do poder público, sendo,
portanto, organizações sociais que atuam em defesa dos direitos dos pescadores.
Historicamente, as primeiras colônias foram criadas a partir de 1919, por iniciativa da Marinha
de Guerra, com o objetivo de exercer controle social sobre os pescadores e utilizar seus
conhecimentos empíricos e saberes da faina para a defesa da costa brasileira. Nesse
contexto, destaca-se a Colônia de Pescadores Z-20 de Santarém (PA), fundada em 14 de
março de 1920, com 105 anos de atuação na representação e fortalecimento da categoria
pesqueira. O objetivo deste estudo foi descrever a trajetória histórica, as lutas e as conquistas
da Z-20, evidenciando sua relevância na valorização da pesca artesanal e na organização
social dos pescadores do município. A pesquisa foi desenvolvida por meio de levantamento
histórico, com consulta a documentos oficiais, livros de atas, imagens e entrevistas
semiestruturadas com 22 pescadores mais antigos, a fim de obter relatos sobre o processo de
fundação, desafios enfrentados e transformações ao longo do tempo. Inicialmente, a Colônia
era administrada pela Marinha, que indicava marinheiros responsáveis pela sua direção,
enquanto os pescadores integravam o grupo da Marinha, cuja finalidade estratégica era
contar com esses profissionais em eventuais conflitos, uma vez que detinham conhecimento
profundo dos rios e da navegação regional. Em 1952, foi eleita a primeira diretoria composta
por pescadores, por meio de cédulas eleitorais. Até 1965, a instituição era denominada Z-24,
com sede localizada na Rua 24 de Outubro, 953, até 1957, passando a se chamar Z-20
posteriormente e, atualmente, localizando-se na Avenida Mendonça Furtado, 161, bairro
Prainha. A entidade é gerida por uma diretoria executiva composta por quatro membros
eleitos pelos associados, com mandato de três anos e direito a uma reeleição, além de um
conselho fiscal com três membros. Atualmente, congrega cerca de 7.800 pescadores
distribuídos em dez regiões e 115 Núcleos de Base, atuando de forma contínua na mediação
de conflitos, fiscalização participativa contra a pesca predatória e incentivo à organização
comunitária. A Z-20 participa do Conselho Municipal de Aquicultura e Pesca e realiza
anualmente uma assembleia geral para prestação de contas e planejamento de atividades,
promovendo a transparência e o fortalecimento da categoria, em parceria com instituições
como Sociedade para a Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (SAPOPEMA), Movimento
dos Pescadores do Baixo Amazonas (MOPEBAM) e Universidade Federal do Oeste do Pará
(UFOPA). Ademais, tem São Pedro como padroeiro e realiza anualmente uma procissão
fluvial centenária no dia 29 de junho. Sua trajetória contribui significativamente para a
valorização da identidade do pescador artesanal, a preservação do saber tradicional e a
conservação dos estoques pesqueiros, consolidando-se como um importante instrumento de
resistência e organização social na Amazônia, e reafirmando sua relevância histórica e
contemporânea como elo entre a tradição pesqueira e as demandas atuais de
sustentabilidade, reconhecimento e equidade social.
Palavras-chave: Amazônia; Associativismo Pesqueiro; Etnoconhecimento; Gestão pesqueira;
Organização Social.
65
INFLUÊNCIA DE CRIOPROTETORES E DIFERENTES CONDIÇÕES DE
ARMAZENAMENTO NA VIABILIDADE DO PROBIÓTICO Bacillus cereus
Victoria Adrine da Silva Pereira1; Matheus Gomes da Cruz2; Indra Mary Costa Fernandes1;
Roberta Rocha de Souza Fiacadori1; Iana Elza Costa Fernandes1; Suzana Kotzent1; Gustavo
Moraes Ramos Valladão1
1 Universidade Nilton Lins; 2 Universidade do Estado do Amazonas.
E-mail: victoriaadsp@gmail.com
A liofilização é eficiente na estabilização de probióticos; porém, a perda de células
viáveis ao longo do tempo depende da bactéria, do crioprotetor e das condições de
armazenamento. Neste contexto, este trabalho teve como objetivo investigar a
influência de crioprotetores e diferentes condições de armazenamento na viabilidade
do probiótico Bacillus cereus. Para isso, a cepa autóctone de matrinxã (Brycon
amazonicus) foi reativada em ágar Nutriente e incubada a 35 °C ± 2 por 24 h. Colônias
puras foram transferidas para 1,5 L de caldo Nutriente e incubadas sob as mesmas
condições e agitação de 121 rpm. Logo após, a cultura foi centrifugada (3000 × g / 4
°C
/ 10 min), lavada (2×) com PBS estéril e ressuspendida em 200 mL de PBS para
obtenção do concentrado bacteriano, que foi dividido em três tratamentos: Tc
(controle, sem adição de crioprotetor), Tm (maltodextrina 20%) e Tld (leite desnatado
20%). As amostras foram congeladas, liofilizadas (-48 °C / 24 h) e armazenadas sob
diferentes temperaturas: ambiente (25 ± 1,05 °C), resfriamento (4 ± 0,6 °C) e
congelamento (-25
± 1,1 °C) por 30 dias. As amostras foram quantificadas antes da liofilização,
imediatamente após a liofilização e após 30 dias nas diferentes condições, através de
diluições seriadas (em triplicata). A concentração inicial dos grupos foi: Tc = 8,28 ±
0,22 log10 UFC/mL; Tm = 7,96 ± 0,03 log10 UFC/mL; Tld = 8,32 ± 0,09 log10
UFC/mL. Logo após a liofilização, os valores foram: Tc = 5,01 ± 0,03 log10 UFC/g; Tm
= 7,25 ± 0,06 log10 UFC/g; Tld = 7,24 ± 0,14 log10 UFC/g. Após 30 dias de
armazenamento a 25 °C, observaram-se: Tc = 4,54 ± 0,06 log10 UFC/g; Tm = 4,56 ±
0,08 log10 UFC/g; Tld = 5,40 ± 0,03 log10 UFC/g. Em refrigeração (4 °C), as
concentrações foram: Tc = 4,86 ± 0,06 log10 UFC/g; Tm = 7,16 ± 0,05 log10 UFC/g;
Tld = 7,02 ± 0,01 log10 UFC/g. no congelamento (-25 °C), os resultados foram: Tc
= 4,54 ± 0,13 log10 UFC/g; Tm = 6,73
± 0,10 log10 UFC/g; Tld = 7,72 ± 0,15 log10 UFC/g. Em suma, inicialmente, a
maltodextrina e o leite desnatado garantiram proteção durante a liofilização, sendo
igualmente eficientes (p > 0,05). Entretanto, após 30 dias de armazenamento, mesmo
com o uso de crioprotetores, observou-se a necessidade de conservação sob baixas
temperaturas (4 °C a –25 °C). Assim, tanto o resfriamento quanto o congelamento
podem ser utilizados no armazenamento dessa bactéria quando empregados esses
crioprotetores.
Palavras-chave: Armazenagem; Leite desnatado; Liofilização; Maltodextrina; Matrinxã.
Apoio: CAPES; FAPEAM - EDITAL N. 010/2022 (PDCA/AM).
66
ESTRUTURA RADICULAR DE HERBÁCEAS AQUÁTICAS COMO
DETERMINANTE DA DIVERSIDADE FUNCIONAL DE PEIXES EM UM LAGO DE
VÁRZEA AMAZÔNICO
Gisele Gabriella Brito Pegado¹; Jerusa Halem do Nascimento Santos¹; Luiz Felipe Carvalho
Marinho¹; Renata Oliveira do Nascimento Rodrigues¹
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Coordenação de Biodiversidade, Manaus, AM.
E-mail: gisele.pegado@gmail.com
As várzeas amazônicas são ambientes férteis que abrigam grande diversidade de
fauna e flora. Entre seus componentes, as herbáceas aquáticas desempenham papel
essencial nesses ecossistemas, servindo como abrigo, área de reprodução e fonte de
alimento para os peixes. Diante disso, este estudo avaliou se bancos de herbáceas
aquáticas com diferentes estruturas radiculares (raízes submersas fixas, raízes
submersas livres e mistas) afetam a diversidade funcional das assembleias de peixes
em lago amazônico no período da vazante. O local de estudo foi o Lago Janauari
(-3°12’32,97” S -60°01’56,02” O) que está localizado no município de Iranduba/AM, e
sofre influência do rio Negro no período de cheia e do Solimões no período de
seca. Foram definidos quatro pontos principais no período de vazante, cada um com
três subpontos representando diferentes tipos de herbáceas (≥80% de
predominância). Foi estabelecida uma distância mínima de 50 metros entre os
subpontos e de 100 metros entre os pontos principais. Foram calculados índices de
diversidade funcional a partir de matrizes de abundância e características físico-
biológicas, e comparados entre tipos de bancos por meio de análises multivariadas. A
diversidade funcional das assembleias de peixes variou de acordo com o tipo de
estrutura radicular das herbáceas aquáticas. Os bancos com raízes fixas
apresentaram menores valores (≈ 0,267) de diversidade funcional, enquanto aqueles
com raízes livres (≈ 0,501) e mistas (≈ 0,489) exibiram valores mais elevados e
semelhantes entre si. Esses resultados indicam que a heterogeneidade estrutural
associada às raízes livres e mistas está relacionada a maiores níveis de diversidade
funcional das assembleias de peixes. A maior diversidade funcional encontrada em
bancos de herbáceas com raízes livres e mistas sugere que essas formas de
estrutura radicular oferecem maior complexidade espacial e disponibilidade de micro-
habitats, favorecendo diferentes grupos funcionais de peixes. Ambientes mais
heterogêneos tendem a suportar comunidades mais diversas, pois permitem a
coexistência de espécies com diferentes estratégias de uso de recursos. Por outro
lado, a menor diversidade funcional em raízes fixas pode refletir a limitação de nichos
disponíveis, restringindo a ocupação a espécies com características funcionais
semelhantes.
Palavras-chave: Macrófitas aquáticas; Assembleia de peixes; Nicho ecológico.
Apoio: CAPES (Código de Financiamento 001); FAPEAM (DIVULGA CT&I-
Proc:010201630101903/2025-0 e POSGRAD).
67
BIOQUÍMICA PLASMÁTICA DA ARRAIA Potamotrygon orbignyi
(CHONDRICHTHYES: POTAMOTRYGONINAE) A MONTANTE DA USINA
HIDRELÉTRICA DE BALBINA
Maria Fernanda da Silva Gomes1; Rayana Melo Paixão²; Maiko Willas Soares Ribeiro²; Cristiane
Cunha Guimãres¹; Tiago Cabral Nobrega¹; Ana Clara Nogueira Alves²; Marcia dos Santos
Monteiro¹; Alexandre Augusto Barai¹; João Paulo Ferreira Rufino¹; Adriano Teixeira de
Oliveira¹,²
1Universidade Federal do Amazonas – PPG em Ciência Animal e Recursos Pesqueiros. ²Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas.
E-mail: gomesfernanda0807@gmail.com
A arraia Potamotrygon orbignyi se adapta bem a processos de barramento do rio, em
razão de sua preferência por áreas com a correnteza mais leve e pela abundância de
insetos/larvas de insetos, item preferencial na sua dieta, porém são escassos estudos que
avaliam o efeito da mudança no curso do rio nos parâmetros fisiológicos desses
indivíduos. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo caracterizar os
parâmetros bioquímicos do plasma da arraia de água doce Potamotrygon orbignyi a
montante da usina hidrelétrica de Balbina no rio Uatumã, região Amazônica. As arraias
foram coletadas por meio de pescarias utilizando puçá de mão (rapiché), após a captura
elas foram anestesiadas através de banhos de imersão com eugenol (0,2 mg/L), as
arraias ficaram submersas no eugenol por cerca de quatro minutos e após esse período
foi realizada a sexagem através da observação da presença ou ausência dos clasperes e
foi determinado o estágio de desenvolvimento das arraias utilizando a medida da largura
do disco (LD) e em seguida foi feita a coleta de sangue por punção do vaso branquial
utilizando seringas contendo EDTA 10%, em seguida o sangue coletado foi centrifugado
5.000 rpm por 5 minutos e todo o plasma da amostra foi retirado e refrigerado até as
análises no laboratório. No laboratório as amostras foram descongeladas à temperatura
ambiente e foram realizadas análises de 4 parâmetros utilizando os kits comerciais de
ensaio enzimático da Labtest, sendo que cada parâmetro foi dosado de acordo com as
instruções presente no rótulo do teste. No total foram coletados 38 indivíduos, sendo 18
indivíduos machos jovens e 15 fêmeas jovens (LD = 19.0 ± 2.69 para os machos jovens e
LD = 20.00 ± 2.27 para as fêmeas jovens) e 2 machos e 3 fêmeas adultas ( LD = 24.00 ±
00.00 para machos e fêmeas adultas). Na bioquímica do plasma foram encontrados os
seguintes valores: Glicose (mg/d)
= 25.51 ± 8.24 para jovens e 39.34 ± 28.93 para adultos; Colesterol (mg/dL) = 30.15 ±
20.85 jovens e 28.30 ± 11.78 adultos; Triglicerídeos (mg/dL) = 84.09 ± 47.08 jovens e 64.63
± 57.81 adultos; Proteínas (g/dL) = 1.19 ± 0.46 jovens e 0.92 ± 0.37 adultos. A população
estudada foi majoritariamente jovem, ocasionada pelo método de captura utilizado que
dificulta a captura de indivíduos maiores que preferem ficar em áreas mais afastadas da
margem do rio, além disso tendência de diferenças no perfil bioquímico entre jovens e
adultos, com jovens apresentando níveis maiores de triglicerídeos e proteínas e adultos
maior nível de glicose. Essas variações podem refletir diferenças de idade, metabolismo e
de estado fisiológico ocasionado por fatores como reprodução ou estresse. De modo geral
os dados obtidos foram semelhantes aos encontrados para outras espécies de arraias em
outras bacias. Os dados obtidos representam um registro inédito para essa espécie
nessas condições. Esses resultados preliminares ampliam o conhecimento sobre a
fisiologia da P. orbignyi e reforçam sua alta plasticidade, além de servirem de subsídios
para futuras pesquisas sob diferentes influências ambientais.
Palavras-chave: Adaptação; Amazônia; Fisiologia sanguínea.
68
Apoio: CAPES e FAPEAM.
69
ANÁLISE PRELIMINAR DOS COMPORTAMENTOS ELÉTRICOS DO PEIXE
Racenisia fimbriipinna MAGO-LECCIA, 1994 (GYMNOTIFORMES)
Jhomaxon de Souza Gonçalves1,2, Thiago Alexandre Petersen3, José Antônio Alves-Gomes1
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Coordenação de Biodiversidade, Manaus, AM. 2Programa
de Pós Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior (BADPI). 3Secretaria de Educação do Estado do
Amazonas (SEDUC).
E-mail: goncalvesjds85@gmail.com
Os peixes da ordem Gymnotiformes geram descargas elétricas por meio de um órgão
elétrico especializado e possuem eletrorreceptores que detectam instantaneamente o
campo elétrico gerado. Órgão elétrico e eletroreceptores formam o Sistema
Eletrogênico e Eletrosensório (SEE), que é utilizado principalmente para comunicação
e orientação no ambiente onde vivem, sendo fundamental na procura de alimento e
proteção, e durante o período reprodutivo, quando machos e fêmeas produzem
modulações nos padrões de descarga, com fins de cortejo. Ainda que as Descargas
do Órgão Elétrico (DOEs) dos Gymnotiformes sejam um comportamento de fácil
registro no cativeiro e no habitat natural, estudos sobre a comunicação e o repertório
elétrico nestes peixes são raros. Racenisia fimbriipinna é um pequeno Gymnotiforme
cuja ocorrência está restrita à bacia do rio Orinoco na Venezuela e à do rio Negro, no
Brasil. O presente estudo teve como objetivo caracterizar as modulações no padrão
de descarga, ou o repertório elétrico comunicativo de R. fimbriipinna sob diferentes
contextos sociais. Para isso, espécimes foram capturados em ambientes próximos à
sede do município de Novo Airão, Amazonas, e mantidos em aquários individuais no
LFCE/INPA. Foram realizadas em laboratório, gravações das DOEs dos indivíduos
estudados em duas condições: 1) gravações contínuas dos sinais elétricos de
indivíduos nadando livremente isolados e/ou em duplas; 2) gravações geradas em
resposta à um estímulo elétrico da própria espécie apresentado em “playback”. As
DOEs foram capturadas por pares de eletrodos, amplificadas, digitalizadas, gravadas
e processadas por meio de “scripts” desenvolvidos no LFCE. Nestes sinais focamos
na análise características temporais, incluindo intervalos entre pulsos, taxa de
repetição, coeficiente de variação e relação entre fases dos sinais. Sendo assim, os
resultados obtidos ao momento revelam que R. fimbriipinna produz vários tipos de
comportamentos elétricos, incluindo acelerações e desacelerações graduais de
frequência, interrupções (com presença de “spikelets”, no período que antecede a
interrupção, que são pequenos pulsos fora do limiar da normalidade das DOEs, mas
que podem ser diferenciados dos ruídos de gravação), decrementos e travamento de
fase da DOE (DecJAR/DecJAM), como mecanismo de evitar interferência (Jamming
Avoidance Resposnse, JAR), os chirps (elevações graduais ou abruptas de
frequência) foram observados principalmente durante excursões em campo. Este
estudo caracterizou de forma preliminar alguns dos tipos de modulações das DOEs
em Racenisia fimbriipinna e contribui para o desenvolvimento de técnicas de análise
de sinais aplicáveis a pesquisas fisiológicas, comportamentais e ecológicas em
Gymnotiformes.
Palavras-chave: Peixe elétrico, Modulação, Descarga do órgão elétrico, Fisiologia
comportamental, Caracterização da DOEs.
Apoio: CAPES (Código de Financiamento 001); FAPEAM (DIVULGA CT&I-
Proc:010201630101903/2025-0 e POSGRAD).
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RELAÇÃO ENTRE O MANEJO DE VIVEIROS ESCAVADOS E A PRESENÇA DE
BACTÉRIAS PATOGÊNICAS NOS SEDIMENTOS: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Lorena Marques Arruda¹, Adriano Teixeira de Oliveira², Marina Maia Campelo¹, Ana Beatriz
Araújo Amorim¹; Francisco Alex Franco Fernandes¹, Suelen Miranda dos Santos¹
¹Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, Campus Manaus Zona Leste; ²Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, Campus Manaus Centro
E-mail: lorenarruda25@gmail.com
A aquicultura no Brasil tem crescido e se tornado cada vez mais relevante como centro de
piscicultura, sobretudo no Norte do Brasil. No entanto, as consequências ambientais
associadas a essa atividade são suspeitas. O processo de criação de espécies aquáticas
requer recursos naturais (água, energia e terra) para existir e ser mantido. As dificuldades são
decorrentes de gestão (boas práticas) e falta de assistência técnica, mas também dos
impactos ambientais, especialmente no que diz respeito ao descarte de efluentes em
ecossistemas aquáticos. Microrganismos nos sedimentos dos tanques desempenham um
papel na manutenção da estabilidade do ecossistema e contribuem para ciclos de elementos
importantes como carbono, nitrogênio e potássio. Mas, no fundo dos tanques, o solo torna-se
hospedeiro de bactérias e outros microrganismos que decompõem a matéria orgânica
produzida ali, e esses podem levar a doenças nos peixes. Portanto, o presente estudo
investigou o bacterioma dos peixes cultivados em tanques escavados de sistemas de cultura
e determinou seu potencial papel patogênico e sua relação com a saúde dos peixes. O
estudo foi conduzido por meio de uma revisão de literatura, com buscas realizadas nas bases
SciELO e Google acadêmico, abrangendo o período de 2015 a 2025. Foram selecionados
cerca de 40 artigos, capítulos de livros e materiais técnicos publicados em português e inglês
que abordavam a gestão de tanques escavados e aspectos da fauna bacteriológica
associada. Critério utilizado como de exclusão de matérias que não apresentavam relevância
direta ao objeto de estudo. A abordagem visava investigar a associação da presença de
bactérias potencialmente patogênicas nos sedimentos de tanques escavados e seus
potenciais efeitos na saúde dos peixes cultivados. Os achados demonstraram que diferentes
bactérias existem nos sedimentos dos tanques dragados, algumas das quais podem ser
patogênicas para os peixes cultivados. Flavobacteriaceae, e mais especificamente
Flavobacterium como F. columnare, o patógeno da doença do columnaris. Esta doença é
amplamente disseminada em águas doces e está associada a lesões na pele, nadadeiras e
brânquias (com potencial para resultar em altos níveis de mortalidade de peixes sob estresse
e acúmulo de matéria orgânica). Estudos mostraram que o columnaris é uma das doenças
mais comuns na piscicultura brasileira. O Flavobacterium sp tem sido relatado afetando
tambaqui e surubim na Amazônia, demonstrando que esses microrganismos estão adaptados
a sistemas de produção específicos da região. A ocorrência de tais bactérias nos sedimentos
reforça sua relevância epidemiológica para a região Norte e mostra que boa gestão, controle
de matéria orgânica, bem como monitoramento sanitário, são essenciais para o
desenvolvimento sustentável da aquicultura. Conclui-se que a presença de bactérias
patogênicas nos sedimentos dos tanques feitos por escavação constitui um rio risco à
saúde dos peixes e para o sucesso da piscicultura. A prova de espécies pertencentes ao
gênero Flavobacterium, em particular F. columnare, enfatiza o controle por medidas de
higiene e gestão. Dessa forma, o manejo inadequado dos viveiros favorece o acúmulo de
sedimentos contaminados por bactérias patogênicas, comprometendo a saúde dos peixes e
exigindo estratégias de controle baseadas em boas práticas de gestão e monitoramento
microbiológico.
Palavras-chave: Bactérias patogênicas; Piscicultura; Sedimentos de Viveiros.
Apoio: CNPq; Instituto Federal do Amazonas (IFAM), especialmente por meio do Campus
Manaus Zona Leste; Suporte do Núcleo de Estudos de Invertebrados e Vertebrados da
71
Amazônia (NEIVA).
72
ESTRUTURA FILOGEOGRÁFICA DE Racenisia fimbriipinna MAGO-LECCIA,
1994 (GYMNOTIFORMES: HYPOPOMIDAE) NA BACIA DO RIO NEGRO
Ana Carollina Bezerra Silva e Silva¹,²; José Antônio Alves Gomes²
1Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce de Pesca Interior PPG BADPI/INPA; Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia (INPA), 2Laboratório de Fisiologia Comportamental e Evolução - LFCE
E-mail: acarollina.b@gmail.com
A Amazônia abriga a maior diversidade de peixes de água doce do planeta, incluindo
a ordem Gymnotiformes, que são conhecidos popularmente como peixes elétricos.
Entre estes, a Tribo Microsternarchinae, da família Hypopomidae, vem-se destacando
por um alto número recente de descrições de novos táxons, revelando que sua
diversidade tem sido subestimada. Dentro de Microsternarchinae, destaca-se o
gênero Racenisia, descrito por Mago-Leccia (1994), monotípico e representado por
Racenisia fimbriipinna, que é geralmente encontrada no meio de raízes densas, em
pequenos igarapés de correnteza moderada. Inicialmente descrita na bacia do
Orinoco, trabalhos de campo do LFCE registraram esta espécie para a região do alto
rio Negro. Mas recentemente,
R. fimbriipinna foi registrada em localidades do médio e baixo rio Negro, incluindo
áreas próximas à cidade de Novo Airão (AM). Este estudo foca em uma análise
preliminar sobre as distâncias genéticas e geográficas das populações de Racenisia
coletadas na bacia do rio Negro entre 2007 e 2021. Racenisia foi capturada em sete
pontos, preliminarmente classificados como: Alto Rio Negro Margem Direita (ARNMD),
Alto Rio Negro Margem Esquerda (ARNME), Médio Rio Negro Margem Esquerda
(MRNME) e Baixo Rio Negro Margem Direita (BRNMD). Dois espécimes Racenisia
coletados na Venezuela, cujas sequências de COI estavam disponíveis no GenBank,
também foram utilizadas. Os espécimes de cada ponto foram identificados, suas
descargas gravadas e tecidos foram preservados para análises genéticas, com foco
no uso do gene mitocondrial Citocromo Oxidase I (COI DNA barcode), marcador
que permite identificar padrões de divergência genética intra e interespecífica. Porém,
dados disponíveis de outros marcadores mitocondriais e nucleares, também foram
analisados. Nossos resultados de distância corrigida (K2P) indicam um quadro
complexo e surpreendente para a relação genética entre as populações de Racenisia
ao longo do rio Negro. Inicialmente os valores de distância média entre os grupos
varia entre 0,64%, entre as Racenisia do rio Orinoco e as do ARNME, e 8,01%, entre
a mesma população do Orinoco e as do ARNMD. Isto claramente indica que rio
Negro, na sua porção alta, está separando geneticamente as populações de margens
opostas. Em segundo lugar, um clado formado pelas populações do Orinoco,
ARNME e BRNMD, cuja distância média é de 0,6%. Os resultados indicam forte
estrutura filogeográfica em Racenisia fimbriipinna ao longo do rio Negro, sugerindo
isolamento genético entre margens e uma possível especiação. Estudos adicionais
são certamente necessários.
Palavras-chave: Código de barras DNA, Diferenciação genética, Peixes elétricos
neotropicais, Racenisia.
Apoio: CAPES (Código de Financiamento 001); FAPEAM (DIVULGA CT&I-
Proc:010201630101903/2025-0 e POSGRAD). Projeto interno do INPA: PRJ 12.307 -
Biologia Evolutiva de Peixes.
73
ANÁLISE PRELIMINAR DA DIVERSIDADE ALÉLICA EM NINHADAS NATURAIS
DE Electrophorus varii (GYMNOTIFORMES: GYMNOTIDAE)
Mayllon Celyo de Souza Moura1,5, Kyara Martins Formiga 1,2,3,5, Giselle Moura Guimarães
Marques1,3,5, Lenice Souza-Shibatta4, Douglas Aviz Bastos1, 5
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); 2Coordenação de Biodiversidade (COBIO/INPA); 3Programa
de Pós Graduação em Genética, Conservação e Biologia Evolutiva (PPG GCBEv/INPA); 4Laboratório de
Sistemática Molecular, Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Londrina
(UEL); 5Programa de Pós Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior (PPG BADPI /INPA)
E-mail: mayllonmoura7@gmail.com
A espécie Electrophorus varii, conhecida popularmente como poraquê, se caracteriza
por possuir grande porte, podendo ultrapassar dois metros de comprimento e pesar
mais de 20 kg, além de gerar descargas elétricas de até 600 Volts. Essa espécie
possui um grande investimento reprodutivo, realizando corte para formação de casal,
seleção de abrigo para construção do ninho de bolhas e um longo cuidado parental do
casal. Apesar do poraquê ser um excelente modelo animal para diversos estudos,
ainda são poucos os trabalhos sobre sua biologia em ambiente natural. Dessa forma,
o objetivo deste estudo foi analisar a diversidade alélica de ninhadas de Electrophorus
varii utilizando marcadores microssatélites. Para isso, foram utilizadas amostras de 43
indivíduos provenientes de cinco ninhadas amostradas entre os anos de 2017 a 2024.
As amostras foram submetidas ás etapas de extração seguindo o método Fenol-
Clorofórmio, amplificação de DNA, realizada por PCR convencional e genotipagem em
três locos microssatélites ( ABI 3130XL) desenvolvidos especificamente para E. varii.
Os resultados das genotipagens foram analisados com o auxílio do programa
GeneMarker v 2.64 (SoftGenetics), no qual uma matriz com os genótipos dos
indivíduos para cada loco foi gerada para utilização das análises posteriores. Com a
utilização do software Genalex v6.41 foram realizadas análises dos parâmetros de
diversidade alélica dos locos. A partir disso, foi obtido um total de 26 alelos
distribuídos nas cinco ninhadas amostradas. Alelos privados não foram detectados
nessas diferentes ninhadas. Os três locos analisados foram polimórficos com número
de alelos variando de 7 e 10 com média de 8,66 alelos por loco. O índice de
heterozigosidade observada (HO) variou de 0,000 (Elec_22, nas cinco ninhadas) até
0,800 (Elec_49 na ninhada N2_17). a heterozigosidade esperada (HE) variou de
0,000 (Elec_22 em N2_17, N2_19 e N2_20) até 0,500 (Elec_244 na ninhada N8_24).
Não houve diferença significativa da distância genética entre as ninhadas, o menor
valor de foi 0,021 (entre N2_17 e N8_24) e o maior foi igual a 0,239 (entre N2_17 e
N2_24). Dessa forma, foi possível detectar uma alta diversidade alélica nos três locos,
os quais se mostraram polimórficos e com variações distintas nos valores do índice de
heterozigosidade observada e esperada.
Palavras-chave: Genotipagem; Poraquê; Peixe-elétrico; Microssatélites.
Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil
(CAPES) - Código de Financiamento 001 e Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado do Amazonas FAPEAM, Programa POSGRAD, DIVULGA CT&I-
Proc:010201630101903/2025-0 e Mulher faz Ciência (Proc. 010201630104891/2024-
92).
74
A PRODUÇÃO DE BIOMASSA E REMOÇÃO DE NUTRIENTES DE ÁGUAS
EUTROFIZADAS DEPENDEM DO TAMANHO DE INÓCULO NOS CULTIVOS DE
MICROALGAS CLOROFÍCEAS?
Alexander Armando Flores Arzabe1, Raize Castro-Mendes1, Renan Gomes Do Nascimento1,
Edinaldo Nelson dos Santos-Silva1
1Laboratório de Plâncton, Coordenação de Biodiversidade, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus,
AM. E-mail: alexanderarmando@gmail.com
O aumento da biomassa e a remoção de nutrientes em cultivos de microalgas é
influenciada por diferentes fatores, sendo o tamanho do inóculo um dos mais
determinantes. Neste estudo caracterizamos a variação da produção da biomassa
algal e remoção de nutrientes segundo o tamanho de inóculo das microalgas Chlorella
vulgaris e Scenedesmus acuminatus em cultivos experimentais e testamos a hipótese
de que uma relação inversa do tamanho de inóculo com a produção da biomassa
algal e com a remoção de nutrientes. Para o experimento cultivamos duas espécies
de microalgas, C. vulgaris e S. acuminatus. Como meio de cultivo utilizamos a água
filtrada de uma lagoa urbana eutrofizada. Foram utilizados diferentes biovolumes das
microalgas chamados como tamanhos de inóculos (tamanho super: 0.09 mm3 ml-1,
tamanho alto: 0.04 mm3 ml-1, tamanho médio: 0.02 mm3 ml-1 e tamanho baixo: 0.01
mm3 ml-1). Para cada tratamento foram utilizadas garrafas plásticas transparentes
contendo cinco litros do meio de cultivo. Cada tratamento foi realizado em triplicata. O
experimento durou dez dias, a cada dois dias foram medidos o biovolume e a
quantidade de ortofosfato (PO43-), amônia (NH4+) e nitrato (NO3-) de cada garrafa de
cultivo. Os padrões de crescimento do biovolume em todos os tratamentos exibiram
um modelo exponencial para C. vulgaris e sigmoidal para S. acuminatus. Os padrões
das curvas de redução da quantidade de PO43, NH4+ e NO3- foram parecidos entre as
espécies, mas foram diferentes entre os tratamentos dentro de cada espécie. Para C.
vulgaris o aumento do biovolume foi significativamente menor no tamanho de inóculo
baixo que no tamanho super, e no tamanho de inóculo médio que no inóculo super.
Para S. acuminatus o aumento do biovolume no tamanho de inóculo baixo foi
significativamente menor aos tratamentos com tamanho de inóculo super e alto. A
redução da quantidade de PO43- nos cultivos de C. vulgaris foi significativamente
menor no tamanho de inóculo médio que no inóculo super e para S. acuminatus o
tratamento tamanho de inóculo baixo foi significativamente menor ao tamanho de
inóculo super. A redução da quantidade de NH4+ e NO3- não apresentaram diferenças
significativas entre os tratamentos. Concluímos que as espécies de microalgas
clorofíceas cultivadas em águas eutrofizadas apresentam um padrão intrínseco na
produção de biomassa, porém o padrão de remoção de nutrientes é parecido entre as
espécies. A nossa hipótese foi rejeitada, o efeito do tamanho do inóculo na produção
de biomassa algal e remoção de fósforo é direto, no entanto, a remoção de nitrogênio
é independente do tamanho do inóculo.
Palavras-chave: Amônia; Biorremediação; Microalgas; Nitrato; Ortofosfato.
Apoio: CAPES (Código de Financiamento 001), FAPEAM (Programa POSGRAD, e
DIVULGA CT&I-Proc:010201630101903/2025-0) e CNPq pela bolsa de estudos.