Livro de Resumos VI Simpósio de
Biologia Aquática e Pesca na Amazônia
– SBAPA:
PPG BADPI 50 anos, Trajetórias e Desafios para o
Futuro
25 a 28 de novembro de 2025
ORGANIZADORES
Kyara Martins Formiga
Giselle Moura Guimarães Marques
Lucas Castanhola Dias
DIAGRAMAÇÃO E EDITORAÇÃO
Giselle Moura Guimarães Marques
CAPA
Ana Flávia Brito
Manaus, AM
2026
2
Tropical Diversity, 6 (Suplemento): 2-80, 2026
ISSN: 2596-2388
DOI: 10.5281/zenodo.20236945
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Ficha Catalográfica
*Os autores são responsáveis por todo o conteúdo contido nos respectivos resumos
*A revisão textual é de responsabilidade dos autores
4
APRESENTAÇÃO
O Livro de Resumos do VI Simpósio de Biologia Aquática e Pesca na
Amazônia SBAPA: PPG BADPI 50 anos, Trajetórias e Desafios para o Futuro
reúnem os trabalhos científicos apresentados no evento realizado entre os dias 25 e
28 de novembro de 2025, no Auditório da Ciência, no Bosque da Ciência do Instituto
Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Esta publicação inaugura
simbolicamente as comemorações dos 50 anos do Programa de s-Graduação em
Biologia de Água Doce e Pesca Interior (PPG BADPI), programa de referência
nacional e internacional na pesquisa e na formação de recursos humanos voltados
aos ecossistemas aquáticos amazônicos.
Os resumos aqui compilados refletem a diversidade temática, metodológica e
institucional das pesquisas desenvolvidas por docentes, discentes e colaboradores,
evidenciando o papel do simpósio como espaço de divulgação científica, intercâmbio
de saberes e fortalecimento do diálogo entre ciência, gestão ambiental e sociedade.
Os trabalhos abordam questões fundamentais relacionadas à biodiversidade aquática,
às respostas dos organismos às mudanças ambientais e climáticas, bem como ao uso
sustentável e à conservação dos recursos pesqueiros e hídricos da Amazônia.
Além de seu valor acadêmico, esta publicação possui caráter histórico e
comemorativo, ao registrar parte significativa da produção científica apresentada no
contexto das cinco décadas do PPG BADPI. Os Anais constituem, assim, um
importante instrumento de memória institucional, ao mesmo tempo em que projetam
novos desafios e perspectivas para o avanço da biologia aquática e da pesca na
Amania.
A Comissão Organizadora espera que esta obra contribua para a ampliação da
visibilidade científica do PPG BADPI, incentive novas colaborações acadêmicas e
institucionais e sirva como referência para pesquisadores, estudantes e gestores
interessados na conservação e no uso sustentável dos recursos aquáticos
amazônicos.
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COMISSÃO ORGANIZADORA
(Docentes e Discentes – PPG BADPI)
Ana Carollina Bezerra Silva e Silva (mestranda)
Camila Cavalcante Ferreira (mestranda)
Eduardo dos Reis Paes (doutorando)
Gabrielle Cristina Barbosa de Oliveira (doutoranda)
Giselle Moura Guimarães Marques (pós-doc)
Kyara Martins Formiga (docente)
Lucas Castanhola Dias (docente)
Lucas da Gama Silva (doutorando)
Lúcia Helena Rapp Py Daniel (docente)
Maiby Glorize da Silva Bandeira (docente pós-doc)
Mariana Goulart Henrique Leite (mestranda)
Marlei Raimunda de Almeida Silva (mestranda)
Mayllon Celyo de Souza Moura (mestranda)
Paloma Andrade Cavalcante (mestranda)
Suanny Lima da Rocha (mestranda)
Susana Braz Mota (docente pós-doc)
Talita Brito de Oliveira (mestranda)
Valdenor Magalhães Silva (doutorando)
Wilany Nunes dos Santos (mestranda)
William Daniel Negreiros de Oliveira (mestrando)
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COMISSÃO CIENTÍFICA
Eduardo dos Reis Paes
Giselle Moura Guimarães Marques
Lucas Castanhola Dias
Lucas da Gama Silva
Mayllon Celyo de Souza Moura
Paloma Andrade Cavalcante
Valdenor Magalhães Silva
COMISSÃO DE MÍDIAS
Ana Carollina Bezerra Silva e Silva
Gabrielle Cristina Barbosa de Oliveira
Giselle Moura Guimarães Marques
Kyara Martins Formiga
Mariana Goulart Henrique Leite
Talita Brito de Oliveira
William Daniel Negreiros de Oliveira
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EQUIPE DE MONITORES
(graduandos – FAMETRO)
Herlanny Cristinny Dabela Menezes
Lene Melo da Silva
Luiz Cezar moreno da Silva filho
Manoele Vitória Santos da silva
Maria Gizele Gonçalves Pereira
Maria Josely Brito da Silva
Monique Matos da Silva
Olivier Matheus Silva Rodrigues
Raimundo Christopher Portela do Nascimento
Rosemara Manso da Silva
EQUIPE DE AVALIADORES – PÔSTERES
(Docentes e pós-doc – PPG BADPI)
Fabíola Xochilt Valdez Domingos-Moreira
Flavia Kelly Siqueira de Souza
Gabriel Soares de Araujo
Giselle Moura Guimarães Marques
Grazyelle Sebrenski
Kyara Martins Formiga
Leandro Melo de Sousa
Luiz Antonio Wanderley Peixoto
Susana Braz Mota
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REALIZAÇÃO
APOIO
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EFEITO DA SUPLEMENTAÇÃO PROBIÓTICA NA RESPOSTA IMUNOLÓGICA
DE TAMBAQUIS (Colossoma macropomum) EXPOSTOS AO INSETICIDA
DICARZOL (CLORIDRATO DE FORMETANATO)
Yasmin Moreira de Souza1; Samara Fabiane de Albuquerque Lima1; Raimundo de Jesus
Tavarez Diniz Neto1; Karine Vasconcelos Costa1; Sophia da Silva Salles1; Anna Luiza da Mota
de Souza1; Gabriel Sampaio Birino1; Renato Barbosa Ferraz1
1Universidade Nilton Lins; Manaus, AM
E-mail: yasminmoreiraa570@gmail.com
A contaminação dos corpos hídricos por inseticidas no Amazonas ameaça o equilíbrio
do ecossistema aquático, uma vez que parte desses compostos lixivia para rios e
lagos, podendo afetar espécies não alvo, como os peixes. O Dicarzol é um
inseticida/acaricida usado na agricultura para o controle da tripes, no entanto, estudos
sobre os efeitos adversos causados no tambaqui ainda são iniciais. Resultados
prévios determinaram a letalidade do Dicarzol® por 92h (CL50: 40,00±0,75 mg/l). Um
experimento de exposição crônica (21 dias) com níveis subletais (0, 1, 10 e 20 mg/l)
demonstrou efeitos fisiológicos do inseticida no tambaqui a nível de 10 mg/l. Na
aquicultura, uma alternativa para fortalecer o sistema imunológico dos peixes é a
suplementação com probióticos. Com isso, o objetivo deste estudo foi avaliar os
efeitos da suplementação dietética com Bacillus cereus (BC) e Bacillus megaterium
(BM) em tambaquis, verificando seu potencial em mitigar a toxicidade do inseticida.
Para isso, foram utilizados 180 juvenis de tambaqui (±7g), distribuídos em 12 caixas
d'água com volume de 200 litros e alimentados por 60 dias com ração comercial
(controle) ou suplementada com BC e BM. Após biometria e coleta sanguínea basal,
os peixes foram então expostos a uma dose subletal de 10 mg/L de Dicarzol por 96h
(dose mínima de efeitos fisiológicos observadas anteriormente), seguida de nova
coleta de sangue. Para a análise estatística dos parâmetros de desempenho
zootécnico as variáveis com distribuição normal foram analisadas por ANOVA (teste
de Tukey, p<0,05) e os dados que não atenderam o pressuposto de normalidade
foram analisados pelo teste de Kruskal-Wallis seguido do teste de Dunn. Os dados do
desafio com Dicarzol foi avaliado em delineamento fatorial 3x2 por modelo linear
misto, com comparações de médias pelos testes de Tukey e Bonferroni. Não houve
diferença significativa nos parâmetros de desempenho zootécnico nos diferentes
tratamentos: Peso final (Controle: 56,47 g; BC: 59,76 g; BM: 56,49 g); Ganho de peso
(Controle 49,69 g; BC: 52,38 g; BM: 49,23 g); Conversão alimentar aparente
(Controle, BC, BM = 0,06); Taxa de crescimento específico (Controle: 3,53, BC: 3,50;
BM: 3,42). No parâmetro sanguíneo a glicose reduziu significativamente nos
tratamentos BC (p=0,0245) e BM (p=0,0483) após exposição ao inseticida, porém, as
variáveis RBC (glóbulos vermelhos) e hematócrito não diferiram no grupo
suplementado com BM (RBC p=0,0564; hematócrito p=0,1095), sendo assim, os
peixes que receberam ração suplementada com Bacillus megaterium resistiram
melhor aos efeitos tóxicos do inseticida observados na análise sanguínea.
Palavras-chave: Aquicultura; Bacillus cereus; Bacillus megaterium; Toxicidade.
Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
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FICORREMEDIAÇÃO DO EFLUENTE DA PISCICULTURA UTILIZANDO
Scenedesmus acuminatus E APROVEITAMENTO DA BIOMASSA NA
FORMULAÇÃO DE RAÇÃO PARA TAMBAQUI (Colossoma macropomum)
Renan Gomes do Nascimento1, Raize Castro Mendes1, Cláudia Maiza Fernandes Epifânio1,
Driely Kathriny Monteiro dos Santos2, Ligia Uribe Gonçalves3, Edinaldo Nelson dos Santos
Silva¹
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, Amazonas, Brasil; 2Departamento de Ciências da
Pesca, Faculdade de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, Amazonas,
Brasil.3Departamento de Zootecnia, Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, Universidade de São
Paulo, SP, Brasil.
E-mail: renaan112@gmail.com
A aquicultura gera grandes volumes de efluentes ricos em nutrientes que, se não
tratados, contribuem para a eutrofização. A fitorremediação baseada em microalgas
oferece uma estratégia sustentável para reciclar esses efluentes enquanto produz
biomassa de valor nutricional. Este estudo teve como objetivo avaliar a produção e a
composição nutricional da biomassa de Scenedesmus acuminatus cultivada em
efluente de piscicultura e avaliar o efeito da inclusão em dietas para tambaqui
(Colossoma macropomum) sobre o desempenho zootécnico, saúde e enriquecimento
do filé. O efluente foi coletado de tanques intensivos de Brycon amazonicus e utilizado
como única fonte de nutrientes para o cultivo de S. acuminatus em fotobiorreatores.
Foram formuladas cinco dietas experimentais isonitrogenadas (32,2% de proteína
bruta) e isoenergéticas (4.111,4 kcal/kg), incluindo um controle (SA0%) e quatro dietas
com níveis crescentes de inclusão da microalga (SA1%, SA2%, SA3% e SA5%). 300
juvenis de tambaqui foram alimentados com essas dietas durante cinco semanas,
sendo avaliados o desempenho zootécnico, os parâmetros de saúde e a qualidade
nutricional do filé. Os resultados mostraram que S. acuminatus obteve rendimentos
consistentes de biomassa, com perfis nutricionais comparáveis aos de meios
convencionais. Sua inclusão não comprometeu a sobrevivência (100% em todos os
tratamentos), o consumo alimentar ou a composição proximal dos peixes inteiros e
dos filés. As análises hematológicas indicaram efeitos imunomodulatórios em níveis
mais altos de inclusão, enquanto os perfis de ácidos graxos dos filés apresentaram
melhorias com o aumento do teor de ômega-3, especialmente na inclusão de 3%.
Esses achados destacam o duplo papel de S. acuminatus na biorremediação de
efluentes aquícolas e como ingrediente funcional de rações. O uso de efluentes de
aquicultura como meio de cultivo reduz os custos de produção, apoia os princípios da
bioeconomia circular e fornece uma alternativa sustentável para o desenvolvimento de
rações aquícolas de maior valor agregado.
Palavras-chave: Aquafeed; Economia Circular; Funcional; Microalga; Sustentável
Aquafeed.
Apoio: Esse trabalho foi apoiado por Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior - Brasil (CAPES) Código de financiamento 001, Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas FAPEAM/ Edital 017/2024 -
DIVULGA CT&I-Proc: 01.02.016301.01903/2025-0/POSGRAD.
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PRIMEIRO REGISTRO DE MÚLTIPLAS COLORAÇÕES NA CARAPAÇA DE
Podocnemis expansa (Tartaruga-da-amazônia)
Maria Fabiele Silva Oliveira1, Louzamira Feitosa Bivaqua de Araujo2, Marcela dos Santos
Magalhães1,3
1Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca – BADPI, Interior Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia – INPA. 2Centro de Pesquisa e Preservação de Mamíferos e Quelônios Aquáticos -
CPPMQA, Eletrobras Eletronorte. 3Departamento de Morfologia, Universidade Federal do Amazonas – UFAM.
E-mail: fabielesilva78@gmail.com
Podocnemis expansa, conhecida como tartaruga-da-amazônia, é o maior quelônio de
água doce na América do Sul. A carapaça é achatada e mais larga na região posterior
e possui coloração marrom, cinza ou verde-oliva. No entanto, pode ocorrer discreta
variação na coloração do casco dependendo do rio que a população habita. A
coloração da pele dos répteis depende, em parte, da presença e distribuição de vários
cromatóforos, porém mutações ou padrões de cores podem ocorrer em qualquer
espécie. 27 anos ocorre o monitoramento, entre os meses de setembro a
dezembro, nas praias de desova do Centro de Pesquisa e Preservação de Mamíferos
e Quelônios Aquáticos, Eletrobrás-Eletronorte, localizada na margem esquerda do rio
Uatumã, Balbina, Amazonas. Durante o monitoramento do ano de 2023, 73 ninhos de
P. expansa foram identificados, resultando no nascimento de 6.008 filhotes. Dentre
esses, registramos pela primeira vez múltiplas variações na cor da carapaça de
filhotes da espécie. Além do padrão normal de coloração da espécie, foram
observados filhotes com carapaça marrom-escura; indivíduos com albinismo,
caracterizado pela ausência total de melanina e olhos avermelhados ou rosados; um
exemplar que possivelmente apresentou duas alterações simultâneas
hiperpigmentação no corpo e na carapaça (melanismo parcial) associada à
hipopigmentação localizada e assimétrica na carapaça (leucismo parcial); e diversos
filhotes com leucismo parcial restrito à carapaça, mas com preservação da
pigmentação do tegumento e dos olhos. A presença dessas variações sugere a
ocorrência de distúrbios na produção ou distribuição da melanina, possivelmente
relacionados a mutações em genes que codificam enzimas da via melanogênica.
Alterações como albinismo, melanismo e leucismo foram registradas em vários
grupos de vertebrados, mas são raras na natureza, pois reduzem as chances de
sobrevivência, principalmente em filhotes que precisam da camuflagem contra
predadores. O fato dos registros terem ocorrido em 2023 ano da segunda maior
seca do Amazonas em mais de um século levanta a hipótese de que o estresse
causado pelo calor favoreceu o surgimento dessas alterações de cor. Embora não
seja possível confirmar essa relação apenas com essas observações, o dado mostra
a importância de estudos futuros, que condições extremas podem afetar não a
sobrevivência e a reprodução, mas também a aparência dos animais.
Palavras-chave: Mudanças climáticas; Quelônios amazônicos; Variação cromática.
Apoio: Esse trabalho foi apoiado por Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior - Brasil (CAPES) Código de financiamento 001, Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas FAPEAM/ Edital 017/2024 -
DIVULGA CT&I-Proc: 01.02.016301.01903/2025-0/POSGRAD.
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ALTERAÇÕES NUCLEARES ERITROCITÁRIAS (ANEs) DE FILHOTES
DE TARTARUGA-DA- AMAZÔNIA EXPOSTOS AO GLIFOSATO
Victor Hugo Cunha Martins¹; Marcela dos Santos Magalhães²; Fabíola Xochilt
Valdez Domingos-Moreira³
¹Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior - Instituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia. ²Universidade Federal do Amazonas, Departamento de Morfologia. ³Instituto Nacional de Pesquisas
da Amazônia, Coordenação de Dinâmica Ambiental.
E-mail: victorhugocunhamartins@gmail.com
O glifosato é um dos agrotóxicos mais utilizados no Brasil por apresentar um amplo
espectro de ação e uma alta eficácia contra ervas daninhas. Segundo a resolução
357/ 2005 da CONAMA, a concentração máxima permitida para as águas de tipo 1 e
2 é de 65µg/L de glifosato, e até o momento sabe-se que essa concentração é capaz
de causar alterações genotóxicas em espécies aquáticas, como os quelônios.
Podocnemis expansa é a maior espécie de quelônio de água doce da américa latina,
apresentando grande importância ecológica e cultural para as comunidades
tradicionais na região. São animais que podem ser suscetíveis a contaminação por
agrotóxicos presentes nos ambientes aquáticos. Diante disso, o trabalho teve como
objetivo avaliar se diferentes concentrações de glifosato causarão aumento na
incidência de ANEs em eritrócitos de filhotes de P. expansa, com a hipótese de que a
maior concentração de glifosato causará uma maior incidência de ANEs.. Foi realizado
um experimento em que 30 filhotes de P. expansa foram expostos ao glifosato à 98%
de pureza, em duas concentrações, uma de 32µg/L e 65µg/L, durante 28 dias. Foram
divididos em dois grupos, um de exposição e outro de recuperação, subdivididos em:
cinco indivíduos do grupo controle, cinco indivíduos do grupo exposição 1 (E 32µg/L)
e cinco indivíduos do grupo exposição 2 (E 65µg/L), cinco indivíduos do grupo
controle recuperação, cinco indivíduos do grupo recuperação 1 (R 32µg/L) e cinco
indivíduos do grupo recuperação 2 (R 65µg/L). Após 14 dias de experimento, os
indivíduos dos grupos de exposição (E 32µg/L, E 65µg/L), foram eutanasiado para a
coleta do sangue, e após 28 dias foram eutanasiados os indivíduos dos grupos de
recuperação (R 32µg/L, R 65µg/L). O sangue foi coletado da porção cervical dos
animais utilizando agulhas de 1ml. Após a coleta, o sangue foi depositado em lâminas
histológicas e realizado o esfregaço sanguíneo, após a secagem foram fixadas em
etanol absoluto durante 15 minutos e coradas com corante panóptico. As análises das
lâminas ocorreram utilizando a metodologia de Carrasco et al., (1990). Foi identificado
uma maior presença de núcleos lobados (28,5%), núcleos deslocados (25%) e
núcleos pontudos (1,5%) nos eritrócitos de filhotes de P. expansa, seguido por uma
menor frequência de núcleos reniformes (1%), núcleo com constrição assimétrica e
micronúcleo. As frequências de ANEs nos grupos expostos ao glifosato foram
similares ao grupo controle, tanto no período de exposição, quanto de recuperação
(p= 0,1068), indicando que as concentrações testadas de glifosato não foram
suficientes para induzir ANEs nos filhotes de Podocnemis expansa no tempo de
exposição que foi avaliado neste trabalho.
Palavras-chave: Ecotoxicologia, Genotoxicidade, Podocnemis expansa.
Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Código 001, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas FAPEAM/
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Edital Nº 017/2024 - DIVULGA CT&I-Proc: 01.02.016301.01903/2025-0/POSGRAD.
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MORFOLOGIA CARDÍACA EM FILHOTES PÓS-ECLODIDOS DE Podocnemis
expansa (TESTUNIDES: PODOCNEMIDIDAE) ATÉ DOIS ANOS DE VIDA
Layla Ianca Queiroz Rocha1; Maria Fabiele Silva Oliveira2; Marina Gabriela de Souza Marques1;
Márcio Santos de Oliveira Filho1; Lucas Castanhola Dias2; André Macedo de Medeiros1; Moacir
Franco de Oliveira1; Marcela dos Santos Magalhães3; Carlos Eduardo Bezerra de Moura1
1Universidade Federal Rural do Semi-Árido; 2Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia; 3Universidade Federal
do Amazonas. E-mail: layianca@gmail.com
O desenvolvimento do coração de tartarugas envolve mecanismos complexos que
resultam em mudanças estruturais e funcionais durante a embriogênese e após o
nascimento. A transição para respiração pulmonar desencadeia alterações
circulatórias nos filhotes recém-eclodidos, relacionadas à fisiologia metabólica e às
adaptações ao estilo de vida subaquático. Nesse contexto, o presente estudo visou
descrever as principais mudanças morfológicas no coração de filhotes pós-eclodidos
de Podocnemis expansa. Foram analisados corações de indivíduos com idades entre
zero e um ano (n=35) e entre um e dois anos (n=27), coletados mensalmente no
Centro de Preservação e Pesquisa de Mamíferos e Quelônios Aquáticos, Balbina
(CEUA nº082/2019; SISBIO nº39472-16). Os órgãos foram pesados, mensurados
(comprimento, largura, espessura e circunferência), seccionados longitudinalmente
para aferição das paredes direita e esquerda da base ventricular, fixados em
formaldeído tamponado a 10% e processados para microscopia de luz. Aplicou-se o
teste de correlação de Pearson entre a morfometria do coração e a biometria dos
filhotes, além do teste não-paramétrico de Wilcoxon Sigmed Ranks para comparação
entre as paredes ventriculares direita e esquerda (p≤0,05). Nos filhotes recém-
eclodidos, o coração encontrava-se crânio-medialmente na cavidade celomática,
envolto por pericárdio fibroseroso. Foram identificados seio venoso, átrios direito e
esquerdo, ventrículo, tronco pulmonar, além de pequenos vasos coronários na base
ventricular. Internamente, observaram-se músculos pectinados nos átrios, óstio
sinoatrial delimitado por valvas, septo atrial rudimentar em alguns indivíduos e
ventrículo com trabeculação esponjosa. O septo horizontal, bem desenvolvido,
delimitava o cavum pulmonale e cavum venosum, enquanto o septo vertical, menor,
delimitava o cavum arteriosum. O peso corporal variou entre 21,55 e 1430g e
comprimento de carapaça entre 5 e 21,3cm, ambos significativamente
correlacionados ao crescimento cardíaco (r=0,84; p=0,01). O coração variou de 0,11–
4,1g, com aumento progressivo de peso, largura e comprimento. No entanto, a
relação peso cardíaco/peso corporal diminuiu de 0,57% para 0,28% do primeiro para
o segundo ano de vida. As paredes apresentaram crescimento expressivo, com a
esquerda variando entre 1,315 e 14,796mm e a direita 1,003 e 14,337mm, a diferença
entre ambas foi significativa, com parede esquerda mais espessa no primeiro ano. O
coração de P. expansa apresenta morfologia semelhante à de quelônios adultos
desde a eclosão. Os dados biométricos, tanto do corpo dos filhotes quanto dos
corações, demonstram que os filhotes estão em fase de crescimento e
desenvolvimento. A maior espessura da parede ventricular esquerda em filhotes do
primeiro ano reflete a necessidade de sustentar pressões mais altas na circulação
sistêmica em relação à pulmonar. Esse padrão, presente nos estágios iniciais de
vida, indica uma preparação funcional do ventrículo, especialmente em regiões como
os cavuns para a distribuição adequada de oxigênio e nutrientes ao organismo em
crescimento.
Palavras-chave: Adaptação; tartaruga-da-amazônia; Ontogênese.
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Apoio: CAPES (Cód.001), FAPEAM (DIVULGA CT&I-Proc:010201630101903/2025-0 e POSGRAD).
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VIDA SOB ONDAS: INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE NA EDUCAÇÃO CIENTÍFICA
Laissa de Sousa Amatsakio¹; Maria Gisele Farias Melo¹; Antônio Geferson Lopes da Silva¹;
Alice Katrícia Mendes Carvalho de Farias¹; Raylison Fonseca da Silva¹; Eleidione Suely
Barros Borges³; Léa Carolina de Oliveira Costa²; Aldenice de Nazaré Silva Pereira²
¹Graduando em Engenharia de Pesca, IFPA Campus Castanhal. ²Docente do Curso de Engenharia de
Pesca, IFPA Campus Castanhal. ³Interprete do NAPNE - Núcleo de Atendimento às Pessoas com
Necessidades Educacionais Específicas, IFPA Campus Castanhal.
E-mail: aldenice.pereira@ifpa.edu.br
Este projeto consiste em uma experiência educativa e interativa, voltada para a
divulgação científica da biodiversidade aquática. O estudo abrange as características
morfológicas, comportamentais e ecológicas de organismos aquáticos marinhos,
além de sua relevância para os ecossistemas marinhos e costeiros. A inclusão de
conteúdos em Libras (Língua Brasileira de Sinais) e a utilização de plataformas
digitais para disseminação do conhecimento são propostas como estratégias para
aumentar a acessibilidade e o interesse pelo conhecimento científico. A amostra de
espécimes fixados de diversas espécies, como polvo, lula, lagosta, camarão,
caranguejo e outros, foi realizada em diferentes contextos. Esses exemplares foram
apresentados em eventos científicos, como o XVIII Seminário Internacional de
Desenvolvimento Rural Sustentável, Cooperativismo e Economia Solidária (XVIII
SICOOPES) e a IX Feira de Ciência, Tecnologia e Inovação Social (IX FECITIS),
bem como em atividades de extensão, na 56ª EXPOFAC Feira Agropecuária de
Castanhal, no Parque de Exposições de Castanhal, no Centro de Ensino Exitus e na
Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Nilo de Oliveira, em Igarapé-Açu.
Os dados observados indicam uma interação positiva do público com as exposições,
além de uma recepção entusiástica das informações apresentadas em Libras. A
implementação de QR Codes para acesso a conteúdos digitais através das
plataformas de mídias digitais, instagram.com/vidasobondas e
youtube.com.br/@vidasobondas, facilitou a inclusão e a compreensão das
informações sobre a biodiversidade aquática. A iniciativa demonstrou não apenas
promover a educação ambiental, mas também ressaltar a importância da
conservação dos ambientes aquáticos, evidenciando que a acessibilidade à
informação e a valorização da vida marinha são fundamentais para despertar o
interesse pela ciência e incentivar práticas de conservação. Este projeto representa
um avanço significativo na promoção da inclusão e na conscientização sobre a
biodiversidade aquática, contribuindo para um futuro mais sustentável e consciente.
Palavras-chave: Biodiversidade Aquática; Conservação Marinha; Disseminação
Científica; Educação Ambiental; Acessibilidade da informação.
Apoio: As alunas receberam auxílio financeiro do IFPA Campus Castanhal, por meio
do edital institucional 02/2025 - participação em eventos técnico– científicos,
esportivos ou culturais.
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DESAFIOS ENFRENTADOS POR RIBEIRINHOS E SETOR DE PESCA
ESPORTIVA NA SECA DE 2023, EM CAREIRO/AM
Marcele Cascaes Vasconcelos1; Paulo Cesar Machado Andrade1; Carlos Edwar de Carvalho
Freitas2; Tayanne da Silva Lopes1
1Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Laboratório de Animais Silvestres, Manaus, AM; 2Universidade
Federal do Amazonas (UFAM), Instituto Piatam, Manaus, AM.
E-mail: marcele.cascaes15@gmail.com
Nos últimos anos (2023-2024), a Amazônia enfrentou intensa seca dos rios, afetando
a região de maneira geral. O nível baixo dos rios se tornou um desafio e prejudicou as
famílias ribeirinhas e o setor pesqueiro. Este trabalho tem como objetivo descrever o
ambiente dos pesqueiros, principalmente as alterações na profundidade, na região do
baixo rio Mamori, em Careiro/AM, e os desafios enfrentados por ribeirinhos e o setor
de pesca esportiva, durante a seca de 2023. A coleta de dados ocorreu durante os
anos de 2022 a 2024, nas zonas de pesca do baixo rio Mamori: lago do Tracajá,
Maçarico e rio Juma. Para medir a profundidade dos pesqueiros, utilizou-se corda
com prumo lançado nos corpos hídricos seguido da realização de da medida. Foram
realizadas análises e outubro de 2022, janeiro de 2023 e fevereiro de 2024. As
análises ocorreram em 32 pesqueiros, sendo 9 no lago Maçarico, 11 no lago Tracajá e
12 no baixo rio Juma. Na análise realizada em outubro de 2022, a profundidade dos
pesqueiros variou entre 2,3 metros a 6,3 metros, com valor médio e desvio padrão de
3,81 ± 0,98 metros. Na análise de janeiro de 2023, a profundidade variou entre 5,74 a
11,14 metros, com valor médio e desvio padrão 8,0 ± 1,15 metros. No período de
seca de 2023, não conseguimos realizar as análises em outubro, por conta da
extrema seca, sendo realizada somente em fevereiro de 2024, com os pesqueiros
apresentando profundidade entre 4,5 metros a 8,1 metros, com valor médio e desvio
padrão de 6,0 ± 0,8. Assim verificou-se que na região do baixo rio mamori, no período
de seca, os pesqueiros apresentam baixa profundidade. No ano de 2023, com a
intensa seca, o setor pesqueiro e ribeirinhos enfrentaram diversas dificuldades e
prejuízos. Áreas com baixa profundidade secaram e, consequentemente, reduziu os
territórios de pesca, fazendo a disputa e conflitos se intensificarem. Ribeirinhos
residentes nas áreas próximas às cabeceiras, precisavam percorrer longa distância
para acessar áreas onde pudessem navegar e isso causou o isolamento de famílias,
com dificuldade de acesso à água potável, alimentos, atendimento médico e demais
necessidades. Em novembro de 2023, os ribeirinhos passaram a pedir a paralisação
da atividade de pesca esportiva, pois a região não estava suportando. Os
empreendedores tiveram pacotes de pesca cancelados e clientes que optaram por
não retornar no ano seguinte. Com maior facilidade de captura dos recursos
pesqueiros, a pesca predatória se intensificou, prejudicando também a pesca de
subsistência. Para minimizar as dificuldades, sugere-se a realização de estudo de
capacidade de suporte das áreas de pesca, para determinar a quantidade adequada
de embarcações e operações por temporada, respeitando os limites do ambiente e
distribuindo o uso entre os empreendimentos existentes, minimizando conflitos e
prejuízos econômicos. Assim como a perfuração de poços artesianos, para mitigar os
efeitos das secas nas famílias ribeirinhas e fiscalização ambiental para inibir a pesca
predatória.
Palavras-chave: Nivel dos rios; Secas Extremas; Territórios pesqueiros; Vazante.
18
Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
19
INCENTIVOS À EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE PESQUISADORES
RIBEIRINHOS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO NO PROGRAMA
PÉ DE PINCHA
Marcele Cascaes Vasconcelos1; Paulo Cesar Machado Andrade1; Sandra Helena da Silva
Azevedo1; Midian Salgado Monteiro1; Gilberto Batista Viana Filho1; Ruben Rodrigues de Nunes
Júnior1
1Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Laboratório de Animais Silvestres, Manaus, AM.
E-mail: marcele.cascaes15@gmail.com
Na Amazônia as populações de comunidades ribeirinhas possuem rico conhecimento
(empírico) do meio natural em que estão inseridas, obtido por meio de sua experiência
cotidiana. Através de Programas de Extensão, é possível proporcionar a essas
comunidades a obtenção do conhecimento científico, que contribui para o
enriquecimento intelectual dessa população, além de incentivá-los a compreenderem
melhor o ambiente natural que os cerca, motivando-os a utilizar o necessário,
conservando para o futuro. Assim, este trabalho tem como objetivo descrever a
experiência de uma ribeirinha, que atua como coordenadora comunitária do Programa
de Pincha desde 2018, e descrever como o programa contribuiu para sua atuação
como pesquisadora, com obtenção de título de Mestra. O Programa de Pincha,
coordenado pelo Dr. Paulo Andrade, da Universidade Federal do Amazonas, tem
como objetivo a conservação de quelônios, sendo desenvolvido em parceria com
instituições e principalmente, com as comunidades ribeirinhas. Para a realização do
programa, a união entre conhecimento empírico (ribeirinhos) e conhecimento
científico (pesquisadores da UFAM), e ambas as partes aprendem com a troca de
experiência. Enquanto os pesquisadores ensinam sobre a ecologia, conservação e
forma correta de manejo das espécies, os ribeirinhos ensinam como encontrar os
ninhos com ovos de quelônios, realizam o monitoramento e cuidam dos filhotes até
serem devolvidos à natureza. O programa passa por três ciclos: Coleta dos ovos,
eclosão dos filhotes e soltura dos filhotes na natureza. Marcele Vasconcelos,
ribeirinha da comunidade Brasil 2, de Careiro/AM, se envolveu no Programa desde
2018 e neste período cursava faculdade na área de gestão ambiental. O contato com
os estudantes e pesquisadores, foi uma grande oportunidade, onde aprendeu mais
especificamente sobre os quelônios e toda a contribuição ecológica da espécie. Para
além disso, a ribeirinha pôde conhecer como era o ensino em uma universidade
federal, algo que parecia muito distante de sua realidade, mas através de incentivos e
apoio da equipe de Pincha, a ribeirinha, em 2022, foi aprovada no Programa de
Pós Graduação em Ciência Animal e Recursos Pesqueiros, da Universidade Federal
do Amazonas, para realizar seu mestrado e dar início à carreira como pesquisadora.
Em 2024, ao defender sua dissertação, Marcele detinha conhecimento suficiente que,
a tornou uma profissional apta a desenvolver pesquisas e atuar de maneira técnica,
podendo retornar à sua comunidade e contribuir de diversas maneiras, com o senso
crítico e conhecimento necessário para questionar situações que não eram
compreendidas pelos demais ribeirinhos da sua comunidade.
Palavras-chave: Conhecimento empírico; Conservação; Quelônios; Populações
Tradicionais.
Apoio: Acariquara e Instituto Claro.
20
DO VIRTUAL AO CONHECIMENTO TRADICIONAL: COMO GEOTECNOLOGIAS
PODEM SER APLICADAS PARA CONSERVAÇÃO DE ÁREAS DE DESOVA DE
QUELÔNIOS DE ÁGUA-DOCE
Gabriella de Azevedo Benchaya1; Camila Kurzmann Fagundes2; Bruce Walker Nelson3; Marcela
dos Santos Magalhães4
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e
Pesca Interior, Manaus, Amazonas; 2Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Departamento de Ciências
Naturais, Bagé, Rio Grande do Sul; 3Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Programa de Pós-
Graduação em Ecologia, Manaus, Amazonas; 4Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Instituto de Ciências
Biológicas, Departamento de Morfologia, Manaus, Amazonas.
E-mail: gabriellabenchaya@gmail.com
Dentre os grupos de vertebrados aquáticos, os quelônios de água doce lideram como
o grupo mais ameaçado, principalmente dentro do contexto de impactos advindos de
atividades antrópicas, como a instalação de barragens hidrelétricas. A compreensão
da mudança de disponibilidade de ambientes importantes para o ciclo de vida desses
animais é crucial para sua conservação. Dessa forma, a seguinte proposta tem como
principal objetivo relatar metodologias que podem ser utilizadas para a investigação
de potenciais áreas de desova de quelônios de água doce, baseando-se no
desenvolvimento de um projeto que está sendo realizado no rio Uatumã, a jusante da
Hidrelétrica de Balbina. Apesar da vasta disponibilidade de técnicas de análise
geoespacial, o emprego de sensoriamento remoto e mapeamento participativo
constituem metodologias que podem revelar aspectos sobre mudanças nesses
ambientes. Foram utilizados produtos de dois satélites, das coleções de Landsat 5 e 8
para levantamento e seleção de cenas disponíveis entre os anos de 1985 a 2024.
Após essa etapa, as imagens serão classificadas de acordo com áreas de interesse
(cursos d’água, vegetação, solo exposto e áreas de desova), para detectar mudanças
na quantidade de área disponível por classe, por meio do cálculo em metros
quadrados. O mapeamento participativo, uma ferramenta de diagnóstico associada ao
geoprocessamento, conta com a participação de comunitários envolvidos no manejo e
monitoramento de quelônios. Nesta etapa utilizaram-se quadrantes de um mapa
impressos em papel de alta gramatura, acompanhados de folhas de acetato
transparente para identificação de áreas conhecidas pelos comunitários como áreas
de desova. Acompanhando essa identificação, realizaram-se entrevistas que
documentaram espécies de quelônios relacionados àquela área conhecida e
abundância estimada de ninhos. A partir dos produtos obtidos com essa técnica, será
possível criar mapas temáticos que representam a distribuição atual das áreas de
desova, com base no conhecimento tradicional. Esses mapas também contribuirão
para a interpretação e conhecimento sobre as áreas de desova classificadas nas
imagens obtidas por sensoriamento remoto de anos mais recentes. Por fim, os
resultados obtidos através desses métodos poderão constituir importantes bases para
projetos de mitigação e avaliação de impactos de empreendimentos, além do
aumento da conscientização ambiental das comunidades participantes.
Palavras-chave: Água doce; Geoprocessamento; Impactos; Monitoramento;
Podocnemis.
Apoio: CAPES ( Código de financiamento 001), FAPEAM (Edital 017/2024 -
DIVULGA CT&I-Proc: 01.02.016301.01903/2025-0 e POSGRAD).
21
INFLUÊNCIA DO TEMPO DE CONGELAMENTO DO PLASMA NA
DETERMINAÇÃO DOS PARÂMETROS BIOQUÍMICOS PLASMÁTICOS
DE TAMBAQUI
Khyara Duane Silva da Costa1; Liliane Gomes Rodrigues1; Wanna Ashley Barbosa Figueiredo2;
Jean Felipe Silva de Abreu1; Marcio Quara de Carvalho Santos1
1Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas – IFAM, Coari, AM. 2Universidade Federal
do Amazonas – UFAM, Instituto de Saúde e Biotecnologia, Coari, AM.
E-mail: marcio.quara@ifam.edu.br
Os parâmetros bioquímicos plasmáticos atuam como indicadores do metabolismo
energético e ajustes fisiológicos dos animais, sendo sua avaliação uma importante
ferramenta para auxiliar no diagnóstico de diversas enfermidades. Vários fatores
durante a fase pré-analítica do plasma, tais como tempo e temperatura de
armazenamento, podem comprometer a estabilidade de amostras e reduzir a
confiabilidade dos resultados. Diante do exposto, este trabalho teve como objetivo
avaliar o efeito do tempo de congelamento do plasma na determinação dos
metabólitos bioquímicos, tendo como animal-alvo o tambaqui, Colossoma
macropomum, uma espécie com elevada importância socioeconômica para a região
Amazônica, além de ser o peixe nativo mais produzido no Brasil. Os peixes (n= 17;
Peso: 1.273,3 ± 208,3 g; Comprimento padrão: 34,8 ± 1,9 cm) foram capturados em
viveiro escavado na estação de piscicultura do IFAM Campus Coari e imediatamente
anestesiados por imersão em solução de benzocaína. A coleta sanguínea foi
realizada por punção caudal com auxílio de seringas com EDTA (10%) e
centrifugado para a obtenção do plasma. Todas as amostras foram imediatamente
analisadas para a determinação dos valores referenciais (tempo zero). Em seguida,
alíquotas foram mantidas congeladas a -20°C e analisadas nos tempos de 7, 15, 30
e 60 dias após a coleta, sendo descongeladas apenas uma vez, no seu respectivo
tempo amostral. Foram mensuradas as concentrações de glicose, triglicerídeos,
colesterol total, proteínas totais, albumina e globulinas por meio de metodologias
preconizadas na literatura. Os dados foram submetidos à análise de variância
(ANOVA) e comparados com os valores referenciais (tempo zero) pelo teste de
Dunnett, a 5% de probabilidade. Os níveis plasmáticos de glicose, triglicerídeos e
colesterol total não sofreram alterações significativas ao longo dos 60 dias de
congelamento a -20°C. Em contrapartida, as concentrações de proteínas totais,
albumina e globulinas apresentaram influência do tempo de congelamento, sendo
significativamente inferiores (p<0,05) ao final de 30 e 60 dias, quando comparadas
aos valores referenciais (tempo zero). A redução dos níveis de proteínas total +
frações (albumina e globulinas) indicou a degradação por ação das enzimas
proteolíticas presentes no plasma, e demonstraram que, apesar do congelamento a
-20°C, as proteases apresentaram atividades residuais que culminaram nas
reduções significativas observadas após 15 dias de armazenamento. Conclui-se que
os níveis plasmáticos de glicose, colesterol total e triglicerídeos de tambaqui
possuem alta estabilidade quando congelados por 60 dias a -20°C, diferentemente
das proteínas totais, albumina e globulinas que devem ser mensuradas em até 15
dias após o congelamento, visando a obtenção de dados confiáveis. Os
conhecimentos gerados contribuirão para a as pesquisas hematológicas envolvendo
o tambaqui.
Palavras-chave: Bioquímica Plasmática; Colossoma macropomum; Hematologia; Peixe.
22
Apoio: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas – IFAM.
23
A UTILIZAÇÃO DA MICROALGA Scenedesmus acuminatus DESIDRATADA NA
PRODUÇÃO DE Moina micrura (CRUSTACEA: BRANCHIOPODA
Natanael Sá de Lima¹; Edinaldo Nelson dos Santos Silva²; Maiby Glorize da Silva Bandeira2
Universidade Federal do Amazonas¹; Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia²
E-mail: natanaelslima162@gmail.com
As microalgas representam a base da cadeia alimentar aquática e desempenham
papel essencial no suporte nutricional do zooplâncton, que por sua vez é fundamental
na alimentação de larvas e alevinos de peixes em sistemas de piscicultura. Entre os
organismos zooplanctônicos, Moina micrura (Crustacea: Branchiopoda) destaca-se
como alimento vivo de alta qualidade, fornecendo proteínas, aminoácidos, lipídios e
vitaminas essenciais ao desenvolvimento inicial dos peixes. A microalga
Scenedesmus acuminatus (Chlorophyta) é amplamente utilizada em cultivos
laboratoriais e na aquicultura devido ao seu valor nutricional e facilidade de cultivo.
Contudo, a manutenção de cultivos contínuos eleva os custos de produção e gera
desperdícios de biomassa não consumida. Nesse contexto, métodos de preservação
como a desidratação surgem como alternativas de baixo custo, prolongando a
disponibilidade da microalga sem comprometer sua utilização como fonte alimentar. O
presente estudo avaliou o desempenho de Scenedesmus acuminatus desidratada em
comparação à forma in natura na produção de Moina micrura, considerando
crescimento populacional, abundância e biomassa. O experimento foi conduzido no
Laboratório de Plâncton do INPA, teve duração de 30 dias, com dois tratamentos (alga
in natura e desidratada). Os resultados demonstraram que (não houve diferenças
significativas) entre os tratamentos em relação ao crescimento populacional,
abundância e biomassa, confirmando a plasticidade alimentar de M. micrura. Assim, a
forma desidratada sustentou populações equivalentes àquelas alimentadas com alga
in natura. Conclui-se que S. acuminatus desidratada representa uma alternativa
prática, de baixo custo e eficiente para a produção de zooplâncton, beneficiando
pesquisas laboratoriais e aplicações na aquicultura, principalmente na piscicultura.
Palavras-chave: Aquicultura; Moina micrura; Microalgas; Piscicultura; Scenedesmus
acuminatus.
Apoio: CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
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FROTA PESQUEIRA UTILIZADA NA CAPTURA DO PIRARUCU MANEJADO NO
ESTADO DO AMAZONAS
Telmara Silva do Nascimento1; Cristina Ísis Buck Silva1; James Douglas Oliveira Bessa1
1Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis – IBAMA, Divisão Técnico-Ambiental – DITEC-
AM, Manaus, AM.
E-mail: telmarasdn@gmail.com
Este trabalho discute a frota pesqueira utilizada na cadeia de comercialização do
pirarucu (Arapaima gigas) manejado, sendo o maior peixe de água doce na região do
Estado do Amazonas, que desfruta de uma ampla diversidade de espécies da bacia
amazônica. No ano de 2022, 26 dos 62 municípios amazonenses participaram
ativamente do manejo sustentável do pirarucu, envolvendo comunidades locais
residentes em Unidades de Conservação federais e estaduais, Terras Indígenas e
áreas de Acordos de Pesca. Este estudo analisou a logística e o transporte desses
peixes pelas embarcações de pesca disponíveis para auxiliar na comercialização pós
captura do pescado, sendo fundamental para a comercialização. Os dados foram
extraídos de 25 relatórios técnicos anuais enviados ao IBAMA pelas assessorias das
áreas de manejo, compilados pela Divisão Técnico-Ambiental. Esses relatórios
detalham como ocorreu a pesca em cada localidade, quais as embarcações
envolvidas, os destinos do pescado comercializado e quais os compradores desse
pescado. Essas informações foram tabuladas através das análises das guias de
trânsito emitidas pelo IBAMA para o transporte regulamentado do pirarucu em 2022.
Nossos resultados mostraram que no ano em que o estudo foi realizado, foram
registradas 403 operações de pesca envolvendo 154 embarcações,
predominantemente barcos pesqueiros regionais, para o transporte do pirarucu
capturado. Os compradores incluem pessoas físicas e jurídicas, distribuídos por todo
o estado, refletindo a complexidade logística do comércio do pirarucu. A frota
pesqueira enfrenta desafios significativos, como a adaptação de barcos não
exclusivamente destinados ao transporte de peixe, afetando padrões de higiene e
logística. A diversidade de meios de transporte utilizados, incluindo fluvial, rodoviário e
aéreo, amplia as dificuldades operacionais e a necessidade de melhorar as práticas
de manejo e transporte. Em suma, a pesquisa destaca a complexidade da logística
envolvida no transporte do pirarucu manejado para fora das áreas de captura,
apontando para a necessidade de regulamentações mais rigorosas e melhoria nas
embarcações disponíveis para atender o manejo em relação a sua especificidade,
além da sua infraestrutura, como câmaras de refrigeração que atendam apenas o
pirarucu, assim garantindo a sustentabilidade e a qualidade do pescado
comercializado.
Palavras-chave: Comercialização; Manejo; Transporte.
Apoio: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis – IBAMA.
25
EFEITO DA PRESERVAÇÃO SOBRE A QUALIDADE NUTRICIONAL DA
BIOMASSA DE Moina micrura Kurtz 1874 (CRUSTACEA: ANOMOPODA)
Natanaely Lima de Souza¹; Maiby Gorize da Silva Bandeira²
¹Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus, AM; ²Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
(INPA), Coordenação de Biodiversidade, Manaus, AM.
E-mail: natanaely.souza10@gmail.com
O Estado do Amazonas apesar de possuir condições climáticas, biológicas e
abundância em recursos hídricos, hoje ocupa o 15º lugar do “ranking” nacional de
produção de peixes. Isto está ligado à baixa oferta de alevinos, principalmente devido
às altas taxas de mortalidade das larvas. A falta de alimento em quantidade e de ótima
qualidade nutricional, é um dos principais fatores ligados à alta taxa de mortalidade
das larvas. Os organismos zooplanctônicos vêm sendo ofertados para as larvas de
peixes como alimento vivo. Um dos cladóceros com grande potencial na piscicultura é
a Moina micrura Kurtz 1874 (Crustacea: Anomopoda). O congelamento e/ou
desidratação da biomassa é uma alternativa que reduz a necessidade de coleta diária,
permitindo uma estocagem prévia do alimento natural, garantindo disponibilidade em
quantidade durante a fase de larvicultura. Entretanto, é importante manter a qualidade
nutricional da biomassa, para que possa suprir as exigências nutricionais das larvas.
Portanto, esse estudo teve como pergunta norteadora: Qual o efeito de preservação
sobre a qualidade nutricional da biomassa de Moina micrura? Com o objetivo de
caracterizar a qualidade nutricional da biomassa de M. micrura e testar se a
preservação afeta esta qualidade nutricional, o experimento foi conduzido no
Laboratório de Plâncton do INPA, com cultivo em sistema de repicagem de volumes
menores, para volumes maiores (5L, 20L, e 150L) durante 90 dias, sob aeração
constante, temperatura entre 28–30 °C, fotoperíodo de 12h claro/12h escuro e
alimentação diária com Scenedesmus acuminatus (5x10⁶ células/mL). No final do
experimento, a biomassa total de M. micrura foi concentrada e colhida. A biomassa foi
concentrada em cadinhos, e levada para a pesagem com auxílio de uma balança
analítica, após a pesagem a biomassa foi embalada. Para a preservação, a biomassa
foi congelada durante 80 dias em um freezer com temperatura de 81ºC , após esse
período as amostras foram encaminhadas para análise centesimal. Para a biomassa
in natura foram realizados os mesmos procedimentos, porém após a pesagem, a
biomassa foi encaminhada imediatamente para o laboratório de análises. A biomassa
de M. micrura foi submetida à análise centesimal para determinação dos teores de
umidade, lipídeos e proteínas. Os resultados demonstraram elevados teores de
umidade em ambos os tratamentos (96,22% in natura e 94,52% congelada). Em base
seca, a proteína apresentou valores semelhantes (69,22% in natura e 70,91%
congelada). O teor de lipídeos foi superior na biomassa in natura (7,41%) em relação
à congelada (2,74%). O teor de cinzas foi de 21,68% e 28,04%, respectivamente. Os
valores gerais indicam que o congelamento não compromete a composição
centesimal. Conclui-se que o congelamento constitui uma alternativa viável para
preservação da biomassa de M. micrura, mantendo seu potencial como ingrediente
nutricional na larvicultura de peixes e garantindo disponibilidade em quantidade e
qualidade durante períodos críticos de cultivo.
Palavras-chave: Composição centesimal; Larvicultura; Microcrustáceos; Preservação
por congelamento.
26
Apoio: PAIC/FAPEAM.
27
ANÁLISE PARASITOLÓGICA DO TAMBAQUI DA ESTAÇÃO DE
PISCICULTURA DO IFAM CAMPUS COARI
Liliane Gomes Rodrigues1; Khyara Duane Silva da Costa1; Wanna Ashley Barbosa Figueiredo2;
Jean Felipe Silva de Abreu1; Elenice Martins Brasil3; Marcio Quara de Carvalho Santos1
1Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas – IFAM, Coari, AM. 2Universidade Federal do
Amazonas – UFAM, Instituto de Saúde e Biotecnologia – ISB, Coari, AM. 3Universidade Federal de Santa Catarina
– UFSC, Laboratório de Sanidade de Organismos Aquáticos – AQUOS, Florianópolis, SC.
E-mail: marcio.quara@ifam.edu.br
A criação intensiva do tambaqui, Colossoma macropomum, é uma alternativa para
aliviar a pressão da sobrepesca sobre os estoques pesqueiros da espécie, sem
prejudicar a oferta deste pescado para a população humana, que o tambaqui é o
peixe mais consumido no Amazonas e a espécie nativa mais produzida no país. O
sistema de cultivo intensivo pode desencadear infecções parasitárias que irão afetar o
crescimento dos peixes, além de elevar a taxa de mortalidade dos animais,
ocasionando prejuízos econômicos ao produtor. Assim, conhecer a fauna parasitária
do tambaqui é uma importante ferramenta para estabelecer medidas de prevenção
pontuais e coordenadas para evitar mortalidades e disseminação de doenças. Diante
do exposto, este trabalho teve como objetivo realizar a análise parasitológica de juvenis
de tambaqui cultivados em viveiro escavado na Estação de Piscicultura do IFAM
Campus Coari, Amazonas. Os tambaquis (n= 15) foram capturados com auxílio de
rede de arrasto e imediatamente eutanasiados por secção medular para realização
das análises parasitológicas. Em seguida, foi realizado um exame macroscópico para
avaliação de sinais clínicos e de parasitos visíveis a olho nu na superfície corporal dos
animais. Foi realizada a raspagem do muco de cada peixe, seguida da necropsia,
para a remoção das brânquias, olhos, intestino e fígado. Todos os fragmentos
coletados foram mantidos em soluções fixadoras até o momento das análises, sendo
o intestino conservado em solução AFA e os demais em álcool 70%. Durante a fase
de engorda dos peixes, foi realizado o monitoramento da qualidade da água do
cultivo, sendo aferidos os níveis de oxigênio dissolvido, temperatura, pH e
condutividade elétrica. Todos os parâmetros da água analisados permaneceram
dentro dos intervalos recomendados para a criação de peixes tropicais em sistemas
intensivos e dentro dos limites toleráveis para o tambaqui. Os peixes (1.273,3 ± 208,3
g) não apresentaram sinais clínicos de doenças ou evidências físicas de
deformidades, lacerações, descolorações e mutilação. Não foram encontrados
ectoparasitos e endoparasitos em nenhum dos órgãos analisados. A ausência de
parasitos pode estar relacionada ao fato da Estação de Piscicultura do IFAM Campus
Coari ser nova (aproximadamente 2 anos), bem como à adoção de boas práticas de
manejo que evitaram, por exemplo, a mistura de peixes de diferentes lotes, e
mantiveram a qualidade da água durante o cultivo dos tambaquis. No entanto, é
crucial a adoção das medidas profiláticas nos próximos ciclos de produção para
garantir a qualidade do pescado à longo prazo. Com base nos resultados obtidos,
conclui-se que que os tambaquis da Estação de Piscicultura do IFAM Campus Coari
estão livres deparasitos. Recomenda-se a ampliação da pesquisa com a inclusão das
demais pisciculturas presentes no município de Coari, Amazonas, visando a
elaboração de um mapeamento da parasitofauna na região.
Palavras-chave: Colossoma macropomum; Parasitologia; Peixe; Sanidade.
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Apoio: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas – IFAM.
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DIFERENÇAS SEXUAIS NA APRENDIZAGEM ESPACIAL DE UM PEIXE
AMAZÔNICO SEXUALMENTE DIMÓRFICO
Kalebe da Silva Pinto¹; Tiago Henrique da Silva Pires1; Jansen Zuanon1
1Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior. Instituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia (INPA), Manaus, AM. E-mail: kalebedsp@gmail.com
Diferenças cognitivas entre machos e fêmeas podem emergir como consequência de
pressões seletivas associadas a distintos papéis ecológicos e reprodutivos. Em muitas
espécies, o uso diferenciado do espaço (defesa de território, busca por parceiros ou
exploração de recursos) pode favorecer o surgimento de estratégias cognitivas
especializadas entre os sexos. Em espécies sexualmente dimórficas, como o tetra
amazônico Crenuchus spilurus, tais diferenças podem estar associadas também ao
grau de ornamentação, um traço sujeito à seleção sexual. Neste contexto,
investigamos se machos e fêmeas diferem em sua capacidade de aprendizagem
espacial e se a ornamentação influencia o desempenho cognitivo, testando a hipótese
de que pressões seletivas distintas moldam habilidades espaciais de forma
diferencial. Utilizamos um labirinto tridimensional de Lego© (40 x 25 cm; paredes de
8,8 cm de altura e 3,2 cm de largura) instalado em um aquário de 30 L (70 x 29 x 30
cm), contendo um setor inicial com abrigo e um setor de objetivo com abrigo como
recompensa. Após sete dias de habituação em aquários individuais, machos (n = 25)
e fêmeas (n = 18) foram testados individualmente no labirinto. O desempenho foi
avaliado pelo número de erros (entradas em becos sem saída) cometidos até
encontrar o setor de objetivo. Cada indivíduo realizou cinco tentativas diárias por cinco
dias consecutivos (25 tentativas no total). Crenuchus spilurus aprendeu a tarefa
espacial, com redução significativa no número de erros ao longo das tentativas.
Contudo, machos e fêmeas exibiram padrões distintos de aprendizagem: fêmeas
foram mais exploratórias e cometeram mais erros, enquanto machos apresentaram
melhora progressiva e mais consistente, superando as fêmeas ao final do
treinamento. Entre os machos, indivíduos mais ornamentados tiveram melhor
desempenho, sugerindo que a ornamentação está associada à eficiência cognitiva.
Fêmeas, que não possuem ornamentos vistosos, não apresentaram relação entre o
tamanho das nadadeiras e o desempenho cognitivo. Nossos resultados indicam que a
cognição em C. spilurus é modulada por fatores sexuais e morfológicos, refletindo
diferentes pressões ecológicas e comportamentais. Machos mais conspícuos e
vulneráveis à predação parecem compensar essa desvantagem com decisões
espaciais mais precisas, o que pode representar uma vantagem em contextos de
corte e defesa territorial. Já as fêmeas, mais móveis e exploratórias, priorizam a busca
por informações espaciais amplas, possivelmente relacionadas à seleção de locais de
oviposição e forrageamento. A aprendizagem espacial em C. spilurus representa um
componente-chave da adaptação comportamental, moldado pela interação entre
seleção sexual, ecologia e pressões evolutivas que favorecem estratégias cognitivas
diferenciadas entre os sexos.
Palavras-chave: Cognição, Diferenças de gênero, Labirinto complexo, Navegação,
Peixes.
Apoio: CAPES (Código de financiamento 001), FAPEAM (Edital 017/2024 -
DIVULGA CT&I-Proc: 01.02.016301.01903/2025-0 e POSGRAD).
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REGENERAÇÃO TECIDUAL NO DISCO DE Potamotrygon wallacei
(CHONDRICHTHYES: POTAMOTRYGONINAE)
Matheus Samuel Cunha Braga1; Maria Inês Braga de Oliveira2; Ruben Dario Morales Gamba3;
Cristiano Lopes de Lima4; Grazyelle Sebrenski da Silva2
1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Programa de Pós Graduação em Biologia de Água Doce e
Pesca Interior (BADPI). 2Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Departamento de Morfologia. 3Fundación
para la Investigación y Desarrolo Sostenible (FUNINDES-Colombia). Cali, Valle del Cauca, Colombia. 4Instituto
Federal do Amazonas (IFAM). Departamento de Medicina Veterinária. E-mail: mscbbio@gmail.com
Elasmobrânquios (tubarões e arraias) são um dos grupos de vertebrados que apresentam
notável capacidade de reparo tecidual, com relatos majoritariamente voltados para espécies
marinhas que sofreram injúrias ocasionadas por causas naturais e antrópicas, com poucos
estudos experimentais e histológicos. Por outro lado, os estudos em arraias de água doce da
subfamília Potamotrygoninae são ainda mais escassos, com registros que apenas sugerem
regeneração tecidual, como por exemplo a arraia-cururu (Potamotrygon wallacei), espécie
endêmica do médio rio Negro, deixando assim lacunas sobre quais mecanismos são
utilizados para um eficiente reparo tecidual. Sendo assim, este estudo teve como objetivo
descrever as respostas teciduais após lesão no disco de P. wallacei e avaliar variações
quantitativas nos componentes teciduais pós lesão, comparando com a nadadeira íntegra.
Para atingir os objetivos, indivíduos jovens de P. wallacei (n=12) foram coletados no Lago
Cubá, Barcelos, Amazonas, Brasil. Lesões excisionais nas porções medial esquerda e direita
do disco foram realizadas utilizando punchs dermatológicos de 8 mm, após a anestesia dos
espécimes. As respostas teciduais iniciais (n=8), que consistem nas fases de reepitelização,
inflamação e proliferação foram avaliadas, realizando biópsias entre 24h e 28 dias. Para as
respostas tardias (n=4), que consiste na fase de remodelação, biópsias entre 45 e 90 dias
foram realizadas. As biópsias coletadas do disco passaram por processamento histológico de
rotina, sendo coradas com Hematoxilina e Eosina, tricrômico de Masson, ácido periódico de
Shiff (PAS) e Alcian blue pH 1,0 e 2,5 (AB 1 e 2,5). Medições da espessura da epiderme,
radiais cartilaginosos e fibras musculares transversais, assim como contagem de células
epiteliais, mucosas e condrócitos foram realizadas. Os dados obtidos foram comparados pelo
teste não paramétrico Kruskall Wallis, seguido do pós teste de Dunn. Durante as respostas
iniciais, a maior quantidade de células epiteliais e células mucosas ocasionaram o aumento
da espessura epidérmica entre 24 horas e 7 dias após a lesão. Células mucosas ativam
mucosubstâncias ácidas sulfatadas como mecanismo de proteção contra patógenos neste
mesmo período. Na derme e na camada muscular, exsudato inflamatório, infiltração
leucocitária, formação de tecido de granulação e necrose das fibras musculares marcam a
intensa resposta inflamatória nos 4 primeiros dias após a lesão, que diminuiu gradativamente
até 21 dias. Na fase proliferativa destacam-se a alta proliferação de fibroblastos; o início do
reparo do radial cartilaginoso em 14 dias e o primeiro registro de miofibroblastos atuando na
contração da lesão em elasmobrânquios. No radial, o início do reparo ocorreu por meio da
proliferação e diferenciação de células condroprogenitoras em condroblastos, que deram
início a deposição de uma nova matriz cartilaginosa resultando no aumento do número de
células no radial. No tecido muscular, a miogênese provavelmente ocorreu por meio de
células satélites. As respostas tardias consistiram na regeneração completa da camada
muscular e do radial cartilaginoso, resultados inéditos para elasmobrânquios. Os resultados
deste estudo demonstram que P. wallacei apresenta capacidade regenerativa eficaz nos
principais tecidos que constituem a nadadeira peitoral, incluindo o tecido cartilaginoso e
muscular, podendo ser considerada um modelo promissor para estudos de regeneração
tecidual em vertebrados.
Palavras-chave: Cartilagem; Elasmobrânquios; Histologia; Músculo Esquelético; Tegumento.
Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Fundação
31
de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas – FAPEAM/ DIVULGA CT&I/POSGRAD.
32
INFLUÊNCIA DO CÁDMIO (Cd) NA FISIOLOGIA E REPRODUÇÃO DE
QUELÔNIOS DE ÁGUA DOCE
Fernanda Victoria Nery Dias1, Lucas Maia Garcês1, Adriano Teixeira de Oliveira1
1Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM), Manaus, AM.
E-mail: diasfernandavn@gmail.com
A exposição ao cádmio (Cd) em tartarugas de água doce tem significativos impactos
fisiológicos e reprodutivos. O Cd é um metal pesado não essencial e tóxico, que entra
nos ecossistemas de água doce principalmente por meio de mineração, descargas
industriais e combustão de combustíveis fósseis. A ecotoxicologia fornece ferramentas
para analisar e identificar métodos de intervenção ideais. Estudos ecotoxicológicos em
tartarugas de água doce são amplamente baseados em relatórios de campo sobre
acumulação de contaminantes em tecidos, mas os mecanismos de absorção,
depuração, acumulação e efeitos toxicológicos de poluentes inorgânicos permanecem
pouco compreendidos. Os quelônios ocupam múltiplos níveis da cadeia alimentar,
fazendo com que a bioacumulação varie de acordo com a dieta das espécies. Com
esta revisão sistemática objetivou-se investigar os efeitos do cádmio (Cd) na fisiologia
e reprodução de quelônios de água doce. A busca foi feita nas databases do PubMed,
Scopus e Web of Science no qual foram identificados 32 estudos sobre contaminantes
metálicos em quelônios de água doce, dos quais o Cd foi reportado em oito, o cobre
(Cu) em nove e o mercúrio (Hg) em 24. Estudos de exposição alimentar em
Trachemys scripta elegans (Wied 1838) tartaruga-de-orelha-vermelha, mostraram que
o Cd se acumula predominantemente nos rins e no fígado, correlacionando-se com a
duração e a concentração da exposição. Outros relataram bioacumulação em
Trachemys scripta (Thunberg, 1972) slider de lagoa e Chrysemys picta (Schneider,
1783) tartaruga-pintada apenas nas carapaças e no fígado, demonstrando suas
estratégias de filtragem e metabolização dessas substâncias. A exposição ao Cd tem
sido associada à redução do número de células germinativas em embriões e ao
aumento da apoptose oocitária em neonatos, sugerindo potencial comprometimento
reprodutivo a longo prazo. No entanto, um estudo de bioacumulação em Podocnemis
mostra níveis mais elevados de Cd na casca dos ovos, sugerindo que a transferência
materna de elementos tóxicos para os ovos pode ser vantajosa para as fêmeas, visto
que elas podem diminuir regularmente a concentração de metais em seus corpos
durante os eventos de nidificação. Sendo assim, mais pesquisas são necessárias
para compreender completamente os impactos ecológicos da contaminação por Cd,
bem como estratégias de mitigação para reduzir seus efeitos na reprodução de
quelônios de água doce.
Palavras-chave: Contaminante; Metais-traço; Transferência materna.
33
EFEITOS DO USO E COBERTURA DA TERRA SOBRE AS
CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS DA ÁGUA DE RIACHOS DA BACIA
DO RIO GUAPORÉ
Thaís Caroline Martins Silva1; Luzia da Silva Lourenço2; Hugmar Pains da Silva3; Izaias Médice
Fernandes2
1,2Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais - PGCA. Universidade Federal de Rondônia - Campus
Universitário de Rolim de Moura, Rolim de Moura, Rondônia. 2Laboratório de Biodiversidade e Conservação -
LABICON. Universidade Federal de Rondônia – Campus Universitário de Rolim de Moura, Rolim de Moura,
Rondônia. 3Universidade do Estado de Mato Grosso, Faculdade de Ciências Agrárias, Biológicas, Engenharias e
da Saúde, Tangará da Serra, Mato Grosso.
E-mail: thaaimartins58@gmail.com
O uso e a cobertura da terra, assim como as características locais, são fatores
importantes para os parâmetros físico-químicos da água como temperatura da água,
oxigênio dissolvido, pH, condutividade elétrica, turbidez e sólidos suspensos totais
(TDS). Alterações nesses atributos da água podem afetar diferentes aspectos
morfológicos, fisiológicos e comportamentais dos organismos que vivem nesses
ambientes. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos do uso e a cobertura
da terra sobre a qualidade da água de riachos afluentes do rio Guaporé, bacia do rio
Madeira, no estado de Rondônia. Para essa finalidade, 82 riachos foram amostrados
entre junho de 2022 e julho de 2024, em 9 sub-bacias de drenagem. Em cada riacho,
foi selecionado um trecho de 50 m, no qual foram retiradas as medidas conforme o
protocolo do Projeto Igarapés. Esse protocolo consiste na amostragem dos
parâmetros físico-químicos do trecho a ser analisado. Os parâmetros físico-químicos
foram medidos com o auxílio de uma sonda multiparâmetro Hanna. Para quantificar o
efeito do uso do solo no entorno dos riachos, a proporção dos diferentes tipos de uso
do solo foi extraída de um buffer circular de 1 km de raio de uma imagem do uso do
solo do MapBiomas do ano de 2022 (Coleção 8). Esses dados foram utilizados para
calcular o grau de conservação do ambiente terrestre no entorno dos riachos. O efeito
do uso do solo sobre as variáveis físico-químicas da água foi avaliado por meio de um
Modelo Linear Generalizado (GLM) com distribuição Gaussiana. Enquanto o oxigênio
dissolvido (r²=0,18 e p<0,001) apresentou uma relação positiva com quantidade de
ambiente natural no entorno dos riachos, o pH (r²=0,10 e p=0.003), a condutividade
elétrica (r²=0,12 e p=0,001), o TDS ((r²=0,12 e p=0,001), a turbidez (r²=0.051 e
p=0.039) e a temperatura (r²=0,23 e p<0,001) apresentaram uma relação negativa.
Em locais com maior proporção de ambientes nativos, também há maior proporção de
floresta, que impede que os raios solares alcancem a superfície da água, mantendo-a
em temperaturas mais baixas e, consequentemente, com maior teor de oxigênio
dissolvido disponível na coluna d’água. O contrário ocorre em ambientes
antropizados, nos quais os raios solares incidem diretamente na superfície da água,
aumentando a temperatura. A maior turbidez, condutividade elétrica e quantidade de
sólidos suspensos totais em riachos mais antropizados está relacionada à exposição
do solo, que permite o carreamento de partículas do solo para dentro dos riachos, o
que pode resultar no aumento da acidez da água.
Palavras-chave: Amazônia; Igarapés; Uso do Solo.
Apoio: FAPERO e CAPES pela bolsa concedida a Thaís Caroline Martins Silva.
34
PERFIL ERITROCITÁRIO DA ARRAIA Potamotrygon motoro
(CHONDRICHTHYES: POTAMOTRYGONINAE) DO BAIXO RIO
SOLIMÕES, AMAZONAS
Marcio Quara de Carvalho Santos1,2; Flávia Dayane Felix Farias1; Paulo Henrique Rocha Aride3;
Adriano Teixeira de Oliveira1,3
1Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Programa de Pós-graduação em Ciência Animal e Recursos
Pesqueiros – PPG-CARP, Manaus, AM. 2Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas –
IFAM, Campus Coari, AM. 3Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas – IFAM,
Campus Manaus Centro, AM. E-mail: marcio.quara@ifam.edu.br
A avaliação dos parâmetros hematológicos pode facilitar o diagstico do estado de saúde
dos animais e contribuir para a produção animal, manejo e conservação de populações
naturais. Apesar da importância, existem várias espécies de arraias para as quais essas
avaliações são reduzidas ou desconhecidas. Além disso, os estudos com arraias dulcícolas
em ambiente natural foram realizados majoritariamente em ambientes de água preta na
bacia do Rio Negro. Em ambientes de água branca da bacia Amazônica, as avaliações
hematológicas envolvendo as arraias ainda são pouco exploradas. Com intuito de aumentar
o conhecimento sobre a biologia de espécies da subfamília Potamotrygoninae, o objetivo
deste estudo foi determinar os parâmetros eritrocitários de Potamotrygon motoro proveniente
da região do baixo Rio Solimões, Amazonas, Brasil. Foram capturados 92 espécimes de P.
motoro, de ambos os sexos e em diferentes fases de desenvolvimento (neonatos e juvenis).
As capturas foram realizadas entre setembro de 2022 e fevereiro a 2023, no período
noturno, com auxílio de rede de arrasto em praias de água branca, no entorno dos
municípios de Manaquiri, Manacapuru e Iranduba. Imediatamente após a captura, as arraias
foram anestesiadas com solução de benzocaína e a coleta sanguínea foi realizada por
punção da artéria branquial utilizando seringas com EDTA (10%). O sangue foi destinado
para a determinação de hematócrito (Ht), hemoglobina (Hb), número de eritrócitos (RBC) e
dos índices hematimétricos: volume corpuscular médio (VCM) e concentração de
hemoglobina corpuscular média (CHCM). A fase de desenvolvimento foi estabelecida a partir
das medidas da largura do disco e a determinação sexual por observação direta do clásper.
A análise de variância (ANOVA) foi utilizada para a comparação entre neonatos, juvenis
machos e juvenis fêmeas de P. motoro, seguido do teste de Tukey, a 5% de significância.
Foram capturados 11 neonatos, 40 juvenis machos e 41 juvenis fêmeas, com larguras de
disco de 12,3 ± 1,4; 22,1 ± 7,1 e 23,1 ± 3,0 cm, respectivamente. Não foram observadas
diferenças significativas entre machos e fêmeas em nenhum dos parâmetros analisados.
Contudo, os neonatos apresentaram valores significativamente inferiores (p<0,05) de Ht, Hb,
RBC e CHCM em relação a ambos. De modo geral, peixes mais novos são mais sedentários
em comparação com organismos mais velhos, no entanto, à medida que o organismo
cresce, a atividade metabólica aumenta, resultando na modificação do perfil eritrocitário do
animal. Ao comparar os resultados obtidos no presente estudo com as informações
disponíveis na literatura, foi possível verificar que o eritrograma das arraias analisadas
apresentou valores dentro dos níveis relatados em potamotrigoníneos de outras localidades,
demonstrando que, independentemente da local, espécie e sexo, os valores tipicamente
baixos o característicos do grupo. Estes resultados servirão de base para a avaliação do
estado de saúde de arraias em ambientes de água branca, podendo ser utilizados para a
identificação de distúrbios hematológicos e acompanhamento das adaptações fisiológicas
desses animais em situações de alterações ambientais.
Palavras-chave: Elasmobrânquio; Hemograma; Peixe Ornamental; Saúde animal.
Apoio: IFAM; FAPEAM (Processos 01.02.016301.03250/2021-78 e
35
01.02.016301.03216/2021-01); CNPq (Processo 102455/2022-8).
36
SCIRTIDAE (COLEOPTERA) DA RESERVA FLORESTAL ADOLPHO DUCKE,
AMAZÔNIA, BRASIL
Ramnara dos Santos Cavalcante¹; Gabrielle Jorge de Melo²; Neusa Hamada²
¹Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus, AM.
²Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Coordenação de Biodiversidade, Manaus,
AM. E-mail: cavalcantenara164@gmail.com
Scirtidae (Coleoptera) representa um grupo cosmopolita de besouros, cujas larvas
são aquáticas e os adultos terrestres, ainda pouco estudado na região Neotropical,
especialmente na Amazônia. A Reserva Florestal Adolpho Ducke, uma área de
10.000 hectares localizada em Manaus (AM), constitui uma área de referência para
diversas pesquisas em biodiversidade, embora o conhecimento sobre Scirtidae seja
incipiente nessa área. Considerando esse cenário, o presente estudo teve como
objetivo inventariar os representantes de Scirtidae na reserva, contribuindo para
preencher lacunas taxonômicas da família. Os espécimes de Scirtidae analisados
foram coletados no período entre 2010 e 2016, em igarapés da reserva, utilizando
armadilhas Malaise (interceptação de voo) e Pennsylvania (luminosa). Os espécimes
foram armazenados em álcool 80% e posteriormente analisados no Laboratório de
Citotaxonomia e Insetos Aquáticos (LACIA/INPA). A identificação taxonômica
baseou-se em literatura especializada e complementada por dissecação de
estruturas abdominais, processadas em KOH 10%, ácido acético e montadas em
lâmina para observação em microscópio óptico. Após a triagem, o material foi
incorporado à Coleção de Invertebrados do INPA. Foram identificados seis
morfotipos de Scirtes Illiger, 1807, ampliando a diversidade conhecida de Scirtidae
para a Reserva Florestal Adolpho Ducke, antes restrita apenas a uma única espécie:
Prionocyphon lira Ruta, 2023. Os seis morfótipos são novas espécies de Scirtes que
serão posteriormente descritas e ilustradas. Os resultados encontrados indicam que
a diversidade de Scirtidae na Amazônia pode estar sendo subestimada e confirmam
a relevância da Reserva Ducke como área estratégica para estudos entomológicos e
de conservação.
Palavras-chave: Besouros aquáticos; Biodiversidade; Coleoptera; Entomologia.
Apoio: Apoio: PIBIC/CNPq.
37
POLÍTICAS PÚBLICAS DE PROTEÇÃO ÀS ESPÉCIES AMEAÇADAS DE
EXTINÇÃO: UMA ANÁLISE DOS IMPACTOS SOBRE OS PEIXES CONTINENTAIS
AMANICOS
Yeda Raquel Rocha da Rocha¹; Roberto Vilhena do Espírito Santo1; Alberto Akama2
¹Instituto Federal do Pará (IFPA) – Campus Belém. 2Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Coordenação
de Zoologia. E-mail: yedarochabio@gmail.com
A conservação das espécies de água doce na Amazônia enfrenta desafios significativos
devido às pressões humanas, principalmente hidrelétricas e agropecuária. De acordo com o
Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (2018), das 311 espécies de
peixes de água doce classificadas como ameaçadas no Brasil, 94 vivem na Bacia Amazônica,
cerca de 30% do total nacional, mostrando a vulnerabilidade dos ecossistemas aquáticos
frente às alterações ambientais. O Brasil possui uma longa trajetória de leis e programas
voltados à conservação da biodiversidade, iniciada com a adesão à Convenção sobre
Diversidade Biológica (CDB) na Rio 92, seguida da Política Nacional da Biodiversidade e das
Metas de Aichi, voltadas à redução da perda de espécies. Para implementar essas diretrizes,
o Ministério do Meio Ambiente criou o Programa Pró-Espécies, que protege espécies
ameaçadas por meio de listas oficiais, planos de ação nacionais (PANs) e territoriais (PATs),
com avaliações conduzidas pelo Instituto Chico Mendes e pelo Jardim Botânico do Rio de
Janeiro, usando critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e a
participação de pesquisadores de diversas instituições. A pesquisa buscou identificar as
principais ameaças às espécies de peixes amazônicos ameaçadas e avaliar a efetividade das
políticas públicas. A hipótese levantada foi que grandes empreendimentos hidrelétricos são a
maior ameaça e que as políticas vigentes ainda não protegem suficientemente as espécies. O
estudo adotou abordagem descritiva e comparativa, utilizando dados do Livro Vermelho da
Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção Volume VI: Peixes. Foram analisadas fichas de
espécies amazônicas classificadas como Vulnerável (VU), Em Perigo (EN) e Criticamente em
Perigo (CR), conforme critérios da UICN. Os dados foram organizados em planilhas com
espécies, categorias, critérios, localização e ameaças, permitindo o mapeamento das
principais ameaças e áreas afetadas. Os resultados foram comparados com listas oficiais,
incluindo a Portaria MMA 445/2014, que garante proteção integral às espécies listadas, a
Portaria MMA 148/2022 e os PANs voltados à conservação da ictiofauna amazônica,
evidenciando lacunas na proteção. Os resultados mostraram que a bacia Tocantins-Araguaia
é a mais impactada, com 53 espécies ameaçadas, seguida pelas bacias do Xingu, Tapajós,
Amazonas, Trombetas e Rio Branco. Hidrelétricas e agropecuária são as principais ameaças,
degradando habitats aquáticos. Grandes empreendimentos frequentemente têm impactos
subestimados no licenciamento ambiental, e uma decisão política recente, o PL 2159/2021,
flexibiliza ainda mais as normas, aumentando os riscos à biodiversidade. Apesar de
instrumentos legais como a Portaria MMA 445/2014, a Portaria MMA 148/2022 e os
PANs, sua efetividade é limitada devido à falta de integração entre políticas ambientais,
econômicas e de desenvolvimento, comprometendo a proteção das espécies diante da
magnitude dos impactos. Conclui-se que mapear as espécies ameaçadas e suas principais
ameaças fornece subsídios para aprimorar a gestão ambiental e fortalecer políticas de
conservação. A integração entre dados científicos, instrumentos legais e ações
governamentais, considerando os impactos de grandes empreendimentos e a necessidade de
alinhamento entre políticas setoriais, é fundamental para garantir a manutenção da
biodiversidade aquática, especialmente em bacias mais vulneráveis, como a Tocantins-
Araguaia.
Palavras-chave: Análise de dados; Bacia Amazônica; Conservação ambiental; Hidrelétricas;
UICN.
38
Apoio: PIBIC/MPEG – CNPq.
39
TOLERÂNCIA TÉRMICA E VULNERABILIDADE AO AQUECIMENTO DO PEIXE
AMAZÔNICO Brycon amazonicus, MATRINXÃ: RESPOSTAS METABÓLICAS E
FISIOLÓGICAS
Jhonatan Mota da Silva1, Renan Diego Amanajás2, Susana Braz Mota3, Maria de Nazaré Paulo4,
Adalberto Luis Val5
1Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Avenida
André Araújo 2936, 69067-375, Petrópolis, Manaus, Amazonas, Brasil.
Email: Jhonatan.motabio@gmail.com
Este estudo avaliou as respostas bioenergéticas dos juvenis de Brycon amazonicus
submetidos ao estresse térmico em cenários de aquecimento projetados pelo IPCC
para 2100. Os peixes foram aclimatados por duas semanas em três condições:
controle (temperatura ambiente), +4 °C e +6 °C, com incremento gradual de 1 °C/dia
até atingir os valores-alvo. Após o período de bioensaio, amostras de sangue foram
coletadas para análises hematológicas (RBC, Ht, [Hb], VCM, HCM e CHCM) e
bioquímicas (glicose e lactato). Em seguida, tecidos hepáticos e de músculo branco
foram coletados para determinação da atividade de enzimas metabólicas (LDH, MDH
e CS). Os resultados evidenciaram elevação da glicose plasmática (28,4 ± 1,6 no
controle vs. 41,2
± 2,9 em +6 °C; p < 0,01) e aumento do lactato (3,2 ± 0,3 no controle vs. 6,1 ± 0,6 em
+6 °C; p < 0,001), indicando maior recrutamento do metabolismo anaeróbico.
Paralelamente, RBC, Ht e [Hb] aumentaram nos grupos aquecidos, sugerindo ajustes
no transporte de oxigênio. Contudo, o VCM reduziu, possivelmente associado à
intensa eritropoiese. No crescimento, não houve diferença no ganho de peso, embora
o fator de condição tenha mostrado tendência de declínio a +6 °C. A atividade da LDH
aumentou no músculo branco, enquanto a MDH foi elevada no fígado, sugerindo
maior demanda energética. Em contrapartida, a CS apresentou redução nos grupos
aquecidos, indicando comprometimento do metabolismo oxidativo. Em síntese, o
aquecimento promoveu ajustes fisiológicos e metabólicos em B. amazonicus,
caracterizados por intensificação da glicólise anaeróbica, modulação hematológica e
possível prejuízo da bioenergética mitocondrial.
Palavras-chave: Amazônia; Characiforme; Mudança climáticas; Peixes;
Termotolerância.
Apoio: CAPES - Código de Financiamento 001 e da Fundação de Amparo à Pesquisa
do Estado do Amazonas (FAPEAM/POSGRAD Edital Nº 017/2024 - DIVULGA CT&I-Proc:
01.02.016301.01903/2025-0). O INCT-ADAPTA II é financiado pelo CNPq (Processo
465540/2014-7), CAPES (Código de Financiamento 001) e FAPEAM (Processo
062.01187/2017).
40
DIVERSIDADE E COMPOSIÇÃO DE ASSEMBLEIAS DE PEIXES DE PRAIAS
NO MÉDIO RIO NEGRO
Anderson Barroso Maquiné1; Rômulo Ferreira dos Santos1; Walter Nobre da Silva Conceição1;
Daniel José de Lima Prestes1; Francielma Simões Vargas1; João Victor Silva de Souza1; Karla
Garcia Vasconcelos1; Francinete Tobar Bernardo1; João Marcos Miranda Nogueira1; Paulo
Victor Oliveira Neles1; Marcelo Lima de Barros1; Kedma Cristine Yamamoto2
1Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Graduação em Engenharia de Pesca, Manaus, AM. 2Universidade
Federal do Amazonas (UFAM), Departamento de Ciências Pesqueiras, Manaus,
AM. E-mail: andderson_barroso@hotmail.com
A região do médio rio Negro abriga uma elevada diversidade de ictiofauna amazônica, sendo
essencial compreender a composição e estrutura das assembleias de peixes que utilizam as
praias fluviais como habitats temporários. Este estudo teve como objetivo analisar a
diversidade e composição das assembleias de peixes em praias dos rios Aracá e Demeni,
ambos afluentes do rio Negro, buscando responder à pergunta: as assembleias de peixes
apresentam diferenças de composição e riqueza entre rios e períodos de coleta (diurno e
noturno)? Partiu-se da hipótese de que as assembleias noturnas exibem maior riqueza e
diversidade específica em relação às diurnas, devido à variação comportamental e ecológica
das espécies. As coletas foram realizadas entre os dias 16 e 20 de abril de 2016, em praias
selecionadas aleatoriamente de acordo com a viabilidade operacional dos arrastos. As
capturas ocorreram em dois períodos, das 06h00 às 10h00 e das 18h00 às 22h00, utilizando
uma rede de arrasto manual de 30 m x 6 m e malha de 20 mm entre nós opostos. Após a
coleta, os peixes foram identificados com auxílio de chaves taxonômicas e especialistas do
INPA, e submetidos à biometria (peso e comprimento padrão). Alguns exemplares foram
fixados em formalina 10% e encaminhados ao Laboratório de Ictiologia da Universidade
Federal do Amazonas como material testemunho e didático. Foram capturados 972 indivíduos,
distribuídos em 92 espécies, 64 gêneros, 23 famílias e 7 ordens. A ordem Characiformes foi a
mais representativa, seguida por Siluriformes, Perciformes e Gymnotiformes. No rio Aracá,
foram registrados 259 indivíduos pertencentes a 43 espécies, com predomínio das
Characiformes (53,5%), seguidas por Siluriformes (23,5%) e pelas ordens Perciformes e
Gymnotiformes (23%). O rio Demeni apresentou maior riqueza e abundância, com 713
indivíduos distribuídos em 71 espécies, sendo as ordens Characiformes, Siluriformes,
Perciformes e Gymnotiformes responsáveis por 42,25%, 33,8%, 12,7% e 7,04% das capturas,
respectivamente, enquanto Clupeiformes, Myliobatiformes e Pleuronectiformes foram
representadas por apenas uma espécie cada (4,2% do total). Entre as famílias mais
abundantes destacaram-se Characidae, Cichlidae e Hemiodontidae no Aracá, e Loricariidae,
Serrasalmidae, Auchenipteridae e Cichlidae no Demeni. As espécies dominantes foram
Cyphocharax leucostictus, Pseudoloricaria laeviuscula, Tetragonopterus argenteus e
Anduzedoras oxyrhynchus no Aracá, e Cyphocharax leucostictus, Moenkhausia
grandisquamis, Geophagus proximus e Geophagus winemilleri no Demeni. Os índices
ecológicos indicaram maior diversidade e riqueza no Demeni à noite (H = 2,906; Margalef =
8,977), enquanto o Aracá apresentou maior equitabilidade diurna (J = 0,9608) e dominância
noturna (Berger-Parker = 0,5339). Os resultados evidenciaram que as praias do médio rio
Negro abrigam comunidades de peixes diversas, com variação espacial e temporal
significativa. A predominância de Characiformes reflete a importância ecológica desse grupo
em ambientes fluviais amazônicos. A maior riqueza noturna sugere que a atividade alimentar
e o uso do habitat variam ao longo do dia, influenciando a estrutura das assembleias. Conclui-
se que as diferenças observadas entre rios e períodos de coleta estão relacionadas às
características ambientais locais e comportamentais das espécies, ressaltando a relevância
das praias fluviais como habitats essenciais para a ictiofauna da bacia do rio Negro.
Palavras-chave: Habitats Fluviais; Ictiofauna Amazônica; Riqueza Específica.
41
A PRESENÇA DE OUTRAS ESPÉCIES E A POSIÇÃO NO BANCO DE
HERBÁCEAS INFLUENCIAM AS CARACTERÍSTICAS MORFOMÉTRICAS DA
AGUAPÉ (Eicchornia crassipes)
Monique Taiane dos Santos Brasil¹, Ana Carollina Bezerra Silva e Silva¹, Pedro Lucas Feitosa
da Silva¹, Luiz Victor Alves Bezerra¹
¹Estudantes do Programa de Pós-graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior/Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia (BADPI/INPA)
E-mail: moniquetsbrasil@gmail.com
A espécie Eichhornia crassipes, conhecida como aguapé, é uma macrófita aquática
flutuante nativa da América do Sul, amplamente distribuída em regiões tropicais e
subtropicais. Seu sucesso ecológico está associado à morfologia, estratégias
vegetativas e à capacidade de se adaptar a diferentes condições ambientais. Este
estudo investigou como a presença de outras espécies e a posição no banco de
herbáceas influenciam as características morfométricas de E. crassipes, partindo da
hipótese de que indivíduos em bancos mistos e posições centrais apresentam
maior desenvolvimento morfológico devido à competição por luz e espaço. As coletas
foram realizadas no Lago Janauari (12′ 36″ S, 60° 1′ 56″ W), em Iranduba (AM),
em dez pontos distribuídos entre bancos dominantes de E. crassipes e bancos
mistos. Em cada um dos pontos amostrados, foram coletados 3 indivíduos na borda e
3 no centro do banco, totalizando 60 exemplares. Foram obtidas medidas de raízes,
caules (comprimento, diâmetro e número) e folhas (área foliar). Para alise, aplicamos
Análise de Componentes Principais (PCA) e ANOVA fatorial (2x2) utilizando o software
RStudio. Os resultados mostraram que os dois primeiros componentes principais
explicaram 86,6% da variabilidade observada. Houve diferenças significativas nas
características morfométricas em função da posição no banco e da dominância da
espécie (p < 0,001). Indivíduos em bancos mistos e posições centrais apresentaram
maior investimento em estruturas aéreas, incluindo caule, diâmetro e área foliar,
sugerindo que a espécie ajusta seu crescimento para maximizar a captura de luz em
ambientes competitivos. Observou-se um gradiente de desenvolvimento morfológico
crescente, seguindo o padrão DOMINANTE_BORDA < DOMINANTE_CENTRO
< MISTO_BORDA <
MISTO_CENTRO, evidenciando maior plasticidade em condições de competição mais
intensa. Concluímos que a presença de outras espécies e a posição no banco de
herbáceas influenciam diretamente a morfologia de E. crassipes. A plasticidade
morfológica, evidenciada pelo maior investimento em estruturas aéreas em resposta à
competição, contribui para seu sucesso ecológico e potencial invasor. Esses
resultados reforçam a importância de compreender os mecanismos adaptativos da
espécie, oferecendo subsídios para estudos sobre a dinâmica de comunidades
aquáticas e manejo de macrófitas invasoras.
Palavras-chave: Competição interespecífica; Comunidades aquáticas; Macrófitas
aquáticas; Várzea amazônica.
Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil
(CAPES) Código de financiamento 001, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado
do Amazonas FAPEAM/ Edital 017/2024 - DIVULGA CT&I-Proc:
01.02.016301.01903/2025-0/POSGRAD. CNPq.